IA nos Negócios: BASF | Marcelo Batistela e Almir Araújo Silva

Marcelo Batistela, vice-presidente da Divisão de Soluções para Agricultura da BASF no Brasil e Almir Araújo Silva, diretor de Digital e Novos Negócios da BASF na América Latina

30 de janeiro de 2025

IA nos Negócios: BASF | Marcelo Batistela e Almir Araújo Silva

Com 160 anos de história, BASF abraça a tecnologia para ajudar a agricultura a ser mais sustentável, resiliente e eficiente

Em 2025, a multinacional BASF comemora 160 anos como a maior indústria química do planeta. Aqui no Brasil, uma de suas principais divisões está ligada às soluções para agricultura e vai muito além do escopo de origem da empresa, abarcando áreas como genética, biologia e inteligência artificial. Para Marcelo Batistela, vice-presidente da Divisão de Soluções para Agricultura da BASF no Brasil, a IA, ao lado de sensoriamento remoto e biotecnologia, será responsável “por uma nova revolução na área”. 

Na visão do executivo, é um movimento importante e que está sendo liderado pelo Brasil – ainda que a disseminação da tecnologia seja desigual pelo País. “Diminuir a barreira de adoção é importantíssimo”, ressalta Almir Araújo Silva, diretor de Digital e Novos Negócios da BASF na América Latina. Na entrevista a seguir, Silva e Batistella explicam a visão da BASF para IA, falam sobre a importante mudança cultural que vem aí e destacam como a tecnologia pode auxiliar a agricultura a ser mais sustentável, eficiente e resiliente. 

1) A BASF completa 160 anos em 2025 e atua em um mercado tradicional como a agricultura. Como é trazer tecnologia e inovação para esse setor? 

Batistela: Desde sempre, a evolução da agricultura tem uma conexão muito grande com tecnologia – e o uso de IA é uma sequência de um modelo de inovação usado no setor há bastante tempo. A verdade é que o tema tem se desenvolvido e se desdobrado muito rápido, saindo dos muros dos laboratórios e chegando cada vez mais rápido aos clientes. Mas ainda estamos no início: a digitalização da agricultura só vai ser acelerada por IA e transformar o jeito que fazemos agricultura. Por outro lado, a agricultura é de fato um setor tradicional – e o agricultor tem a sabedoria, mas pode não ter o conhecimento. Precisamos transformar o conhecimento da indústria e da academia em ações para gerar impacto. É uma mudança que pode trazer eficiência e vai ao encontro dos desafios do setor, cujo objetivo é se tornar mais resiliente e sustentável. 

2) Não existe uma só agricultura no Brasil. Como fazer o conhecimento chegar a todos?

Silva: Um dos benefícios da digitalização é poder democratizar a tecnologia para cada vez mais pessoas. É claro que cada tipo de agricultor tem uma realidade, mas hoje a BASF tem soluções para pequenos produtores ou para grandes grupos agrícolas. Diminuir a barreira de adoção é importantíssimo. A primeira barreira para a adoção é que muitos não sabem como extrair valor da tecnologia. Pelo lado da indústria, o desafio é comunicar o valor de uma forma mais fácil, não só colocando as ferramentas na mão das pessoas, mas treinando e prestando suporte na ponta, educando o público. É um processo que demanda tempo. 

3) Muito se fala hoje sobre o poder da IA generativa, que pode facilitar acessos e uso das pessoas. Na visão da BASF, como essa tecnologia pode reduzir complexidades? 

Batistela: É uma tecnologia que pode ajudar a agricultura a extrair seu máximo potencial, auxiliando a lidar com a complexidade de tomadas de decisões adequadas no tempo adequado, ainda mais para um público menos letrado digitalmente. Para isso, porém, há um obstáculo que precisa ser superado: o sensoriamento remoto, que dará os dados em tempo real para que a IA possa tomar as decisões. Essas duas inovações, ao lado da biotecnologia, serão responsáveis por uma nova revolução na agricultura, destravando inúmeras possibilidades. Uma delas é justamente socializar o conhecimento, permitindo que um agricultor familiar e um grande grupo agrícola tenham as mesmas ferramentas. Mais que isso, permitirá que façamos tecnologia em escala, mas customizada para as necessidades de cada cliente. 

4) A BASF nasceu como empresa de produtos. Hoje, muitas das soluções agrícolas são serviços. Como é lidar com essa transformação?

Silva: Desde 2014, começamos a olhar para o digital de maneira intensa, olhando genuinamente para a necessidade do cliente. Hoje, temos soluções como o Xarvio, que o agricultor pode usar para tomar decisões mais precisas do plantio à colheita. Um exemplo é o plantio de sementes: com histórico de satélite, uso de algoritmos e IA, indicamos como deve ser a distribuição do plantio dentro da fazenda, dividindo-a em zonas produtivas, o que impacta no aumento de produtividade, além de otimizar o uso de recursos como fertilizantes, por exemplo. É algo que há uma década não existia, mas hoje traz assertividade para o cliente. 

Há hoje uma demanda para a agricultura ser mais sustentável. Como a tecnologia será uma aliada desse processo? 

Batistela: A agricultura é parte da solução de grandes desafios na sociedade. A população não deixará de crescer e seguirá demandando alimento de qualidade. Se queremos ficar mais tempo neste planeta, precisamos descarbonizá-lo – e nesses dois esforços, a agricultura é parte da solução. Agora, vamos precisar de uma agricultura mais resiliente e mais eficiente, fazendo mais e usando menos recursos. É tão simples e tão complexo quanto isso. Por isso, tenho a convicção de que estar na agricultura no Brasil tem um valor grande para a sociedade global: não só porque vamos prover recursos, mas porque desenvolvemos tecnologia e conhecimento que muita gente vai usar – e isso é muito poderoso.

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A Série de Entrevista: “IA nos Negócios” é um espaço editorial para convidados compartilharem suas visões, experiências e inspirações com o mercado. As informações e opiniões formadas neste artigo são de responsabilidade única do autor. Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Estadão.