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Leucemia linfoblástica aguda: diagnóstico, desafios e avanços no tratamento

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 16 de janeiro de 2026

Rara e agressiva, a leucemia linfoblástica aguda (LLA) exige diagnóstico rápido e terapias específicas, mas novas abordagens podem mudar as perspectivas dos pacientes no Brasil¹

A leucemia é um tipo de câncer que afeta os glóbulos brancos, as células de defesa do sangue. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que, entre 2023 e 2025, tenham ocorrido cerca de 11.540 novos casos por ano, com risco estimado de pouco mais de 5 casos por 100 mil habitantes². Esses dados reforçam a importância do diagnóstico precoce e da busca contínua por novas terapias.

Para entender melhor a doença, é preciso saber que existem dois grandes grupos – leucemias mieloides e linfoides – e, dentro deles, formas agudas e crônicas³. “As leucemias crônicas têm geralmente melhor prognóstico e costumam ser tratadas com comprimidos. Já as agudas são mais agressivas, caracterizadas por uma proliferação rápida de células imaturas na medula óssea e no sangue4”, explica o hematologista Wellington Fernandes da Silva Júnior*.

Entre os subtipos agudos, a LLA é desafiadora5. “Ela é uma leucemia do linfoblasto, a célula precursora dos linfócitos, essenciais para a defesa do organismo. Quando esse precursor se multiplica de modo anormal, temos a doença”, explica Wellington5. A LLA é mais frequente em crianças, mas pode acometer adultos e idosos, e os pacientes podem manifestar fraqueza, fadiga, manchas roxas na pele e aumento de linfonodos6?7.

LLA: o desafio do diagnóstico precoce e a chegada de boas notícias

O diagnóstico da LLA é complexo e depende de exames específicos, muitas vezes disponíveis apenas em centros de referência8. “O primeiro passo é desconfiar. Um simples hemograma pode levantar a suspeita inicial, mas a confirmação exige exames como mielograma e imunofenotipagem”, afirma Wellington8.

O médico também chama atenção para uma questão relevante: “Por ser uma doença rara e mais comum em pessoas jovens¹, às vezes o médico não desconfia logo. Isso atrasa o diagnóstico e, consequentemente, o tratamento”, explica.

Tradicionalmente, o tratamento envolve quimioterapia combinada por vários meses, seguida de uma fase de manutenção com medicação oral que pode durar até dois anos?. “Parte dos pacientes precisa de transplante de medula óssea, um procedimento nem sempre possível, especialmente entre os mais velhos?”, acrescenta Wellington.

Nos últimos anos, novas terapias imunológicas vêm mudando esse cenário. Entre elas está o anticorpo biespecífico, que conecta células de defesa às células doentes, permitindo que o próprio sistema imunológico do paciente elimine o câncer?. “Ele [anticorpo biespecífico] é uma imunoterapia muito ativa na LLA-B. Quando combinado à quimioterapia, aumenta a sobrevida global e eleva as chances de cura¹°”, explica o médico.

Avanços e acesso: uma questão de equidade

No Brasil, antes de um novo medicamento ser disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde, ele passa por avaliação da Conitec, equipe responsável por analisar evidências científicas e custo-benefício¹². “O objetivo é que pacientes adultos e pediátricos com diagnóstico de LLA-B tenham acesso a um tratamento que já demonstrou benefícios clínicos expressivos em estudos internacionais¹¹”, afirma Alejandro Arancibia, diretor médico da Amgen Brasil¹².

Arancibia destaca ainda que a incorporação de terapias inovadoras no SUS pode ampliar o acesso a tratamentos mais modernos e menos tóxicos. “O avanço da medicina não pode ser privilégio de poucos. Nosso papel é contribuir para que a ciência se transforme em acesso e qualidade de vida para todos os pacientes.”

Para ambos os especialistas, conscientizar profissionais de saúde e a população sobre os sinais da leucemia é fundamental. “A maior parte dos casos de leucemia aguda pode ser curada, desde que diagnosticada precocemente e tratada adequadamente”, reforça Wellington¹³.

Material desenvolvido com base na prática clínica do autor e em evidências científicas.

REFERÊNCIAS

Cleveland Clinic. Acute Lymphocytic Leukemia (ALL). Disponível em: https://my.clevelandclinic.org/health/diseases/17609-acute-lymphocytic-leukemia-all Acesso em: dezembro 2025.
INCA – Instituto Nacional de Câncer. Estimativa 2023-2025: Incidência de Câncer no Brasil. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/tipos/leucemia Acesso em: dezembro 2025.
Abrale. Leucemias – Tipos e grupos. Disponível em: https://abrale.org.br/tipos-de-leucemia/ Acesso em: dezembro 2025.
BP – Beneficência Portuguesa de São Paulo. Qual a diferença entre leucemias aguda e crônica? Disponível em: https://www.bp.org.br/artigo/qual-a-diferenca-entre-leucemias-aguda-e-cronica Acesso em: dezembro 2025.
Blood Cancer United. Understanding AML vs ALL – Navigating a Complex Field. Disponível em: https://bloodcancerunited.com/articles/understanding-aml-vs-all/ Acesso em: dezembro 2025.
Abrale. LLA – Epidemiologia. Disponível em: https://abrale.org.br/leucemia-linfoide-aguda/ Acesso em: dezembro 2025.
St. Jude Children’s Research Hospital. Acute Lymphoblastic Leukemia (ALL) – Symptoms and Epidemiology. Disponível em: https://www.stjude.org/disease/acute-lymphoblastic-leukemia.html Acesso em: dezembro 2025.
Abrale. LLA – Diagnóstico. Disponível em: https://abrale.org.br/leucemia-linfoide-aguda/diagnostico/ Acesso em: dezembro 2025.
Abrale. LLA – Tratamentos. Disponível em: https://abrale.org.br/leucemia-linfoide-aguda/tratamentos/ Acesso em: dezembro 2025.
Litzow, Mark R et al. “Blinatumomab for MRDNegative Acute Lymphoblastic Leukemia in Adults.” The New England journal of medicine vol. 391,4 (2024): 320-333.
Gupta, Sumit et al. “Blinatumomab in Standard-Risk B-Cell Acute Lymphoblastic Leukemia in Children.” The New England journal of medicine vol. 392,9 (2025): 875-891.
CONITEC – Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS. Entenda a Conitec. Disponível em: https://www.conitec.gov.br/entenda Acesso em: dezembro 2025.
ABRALE – Diagnóstico precoce faz a diferença no tratamento da LLA. Disponível em: https://abrale.org.br/abrale-na-midia/leucemia-linfoide-aguda-diagnostico-precoce-faz-a-diferenca-no-tratamento/ Acesso em: dezembro 2025.

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