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Sustentabilidade na mesa ainda soa abstrata para metade do País

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 12 de março de 2026

Meet Point Estadão Think discutiu como comunicação, inovação e economia circular podem aproximar os sistemas alimentares sustentáveis do dia a dia do consumidor.

A sustentabilidade ganhou status de consenso, mas ainda não virou compreensão prática. Uma pesquisa da Ajinomoto do Brasil em parceria com a Nexus indica que 50% dos brasileiros já ouviram falar em sistemas alimentares sustentáveis, enquanto 80% desconhecem selos e certificados ligados à qualidade e à sustentabilidade de produtos.

O retrato, que ajuda a explicar por que a pauta avança mais rápido nos fóruns técnicos do que na rotina do consumidor, foi o pano de fundo do Meet Point Estadão Think “Do campo à mesa: os desafios da indústria de alimentos em sistemas alimentares”, mediado pela jornalista Camila Silveira, com a participação de César Augusto Vilela, diretor de Food Ingredients e Agronegócios da Ajinomoto do Brasil.

Vida cotidiana

Segundo Vilela, o obstáculo não está na rejeição ao tema, mas em seu encaixe na vida real. “O consumidor, de um modo geral, está preocupado com as coisas do dia a dia”, afirmou. Para o executivo, quando o assunto aparece como algo distante, vira um “conceito abstrato”. Em seu ponto de vista, a saída passa por atitudes reconhecíveis, do descarte correto à valorização de práticas responsáveis. “Temos que promover esse debate para que o consumidor consiga entender o tema e ter ações práticas”, acrescenta.

A própria pesquisa reforça essa leitura: quando se explica o conceito, 60% dos entrevistados consideram a ideia importante. Já a relevância cresce quando é conectada ao futuro do planeta: 68% avaliam a sustentabilidade na produção e no consumo de alimentos como extremamente ou muito relevante.

Metas ambientais

A Ajinomoto do Brasil busca sustentar esse discurso com compromissos mensuráveis. Desse modo, atua de forma ativa em sistemas alimentares sustentáveis no País. O compromisso se traduz em ser uma empresa que não foca apenas em sua produção, mas que regenera. Para isso, apresenta metas claras: reduzir suas emissões de gases de efeito estufa em 50% até 2030 e ter uma cadeia de suprimentos 100% sustentável para matérias-primas críticas. A organização entende que a lucratividade e o compromisso climático não estão em eixos opostos. São, na verdade, os dois pilares que sustentarão a indústria alimentícia no futuro próximo.

Modelo circular

Durante a conversa, o executivo detalhou o Biociclo, modelo circular adotado pela empresa que reaproveita coprodutos e devolve parte do valor ao campo. De acordo com Vilela, a cana-de-açúcar entra como principal matéria-prima: o caldo fermenta, os aminoácidos são extraídos e, quando a extração deixa de compensar, o que sobra vira base para fertilizantes. “Esses aminoácidos são aplicados de volta na cultura de cana-de-açúcar e, depois, nós a recompramos. Então, temos uma economia circular”, explicou.

Ciência aplicada

A conversa também abordou a AminoScience, a ciência dos aminoácidos, abordagem científica utilizada pela empresa para desenvolver soluções voltadas à redução de impacto ambiental e à melhoria nutricional dos alimentos. Conforme explicação do executivo, a aplicação dessa ciência permite, por exemplo, reduzir até 37% o teor de sódio de receitas com o uso do glutamato monossódico, aminoácido responsável pelo gosto umami que é a base do realçador de sabor AJI-NO-MOTO®, sem comprometer o sabor. O desafio, segundo Vilela, está em traduzir essa inovação técnica em linguagem acessível, para que o consumidor compreenda como as escolhas industriais podem impactar de forma positiva a saúde e contribuir com a redução do desperdício de alimentos.

Eficiência prática

A ideia de que sustentabilidade e produtividade caminham em sentidos opostos, no entendimento de Vilela, não se sustenta quando o desperdício entra na conta. “Você pode lucrar e não desperdiçar”, afirmou. No campo, a empresa utiliza a AminoScience para desenvolver fertilizantes que regeneram o solo. Na indústria, aplica a mesma inovação para reduzir o desperdício em suas operações. Para o consumidor, entrega produtos que permitem escolhas mais saudáveis, como a redução de sódio sem perda de sabor. Assim, consegue tornar a sustentabilidade algo tangível e prático.

Entraves externos

Se dentro da indústria o esforço mira metas e processos, fora dela o País ainda cobra caro em gargalos. Para o executivo, a comunicação aparece como entrave recorrente: explicar por que um produto custa mais e quais ganhos ambientais estão embutidos. Em sua visão, avançar em sistemas alimentares sustentáveis exige que inovação e educação do consumidor caminhem de forma integrada, para que os ganhos ambientais e produtivos se traduzam, de fato, em escolhas acessíveis à população.

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