Inspiração para o diálogo em tempos de tensão
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 8 de janeiro de 2026
Alumínio do Pará ganha novos contornos na busca pela paz
“A melhor arma é sentar e conversar.” A frase de Nelson Mandela ecoou em alto e bom som na abertura da COP-30, em Belém, quando Kjersti Fløgstad, diretora do Nobel Peace Center, apresentou o Banco da Paz diante de autoridades brasileiras e convidados internacionais. A peça, que agora passa a integrar o patrimônio simbólico da capital paraense, foi criada para inspirar diálogo em tempos de tensão global, crise ambiental e crescente polarização. “Diálogo significa ouvir profundamente, incluir vozes diversas, criar espaço para perspectivas diferentes. Em um momento em que as mudanças climáticas ameaçam direitos básicos como água, comida e moradia, esse gesto tem um poder único”, afirmou Fløgstad. Para ela, trazer o banco para a Amazônia é uma mensagem direta: proteger a floresta é proteger pessoas e garantir condições de paz.
O que poucos sabem é que o objeto carrega em si uma jornada continental: a do alumínio produzido pela Hydro com minério do Pará. A bauxita de Paragominas seguiu para a Alunorte, em Barcarena, onde foi refinada e transformada em alumina, matéria-prima do alumínio da empresa. De lá, cruzou o oceano rumo à Noruega, onde o material foi fundido e moldado em parceria com uma fabricante de mobiliário urbano e um escritório de arquitetura em uma peça que obriga duas pessoas sentadas nas extremidades opostas a se encontrar no centro. “Um convite físico ao diálogo.”
O percurso da matéria-prima foi destacado por John Thuestad, vice-presidente executivo da Hydro Bauxita e Alumina, ao lembrar que tudo começou em Paragominas. “É com a bauxita de lá que iniciamos nossa cadeia de valor. É o ponto de partida deste alumínio que vocês veem aqui”, disse. Para Thuestad, o Banco da Paz devolve ao Pará um material que saiu do Estado, virou tecnologia industrial e retorna como símbolo. “O banco produzido com esse alumínio é também um lembrete da nossa responsabilidade: segurança, diálogo e respeito com todos ao nosso redor.”
A diretora do Nobel Peace Center reforçou a relação entre paz e clima. “As mudanças climáticas alimentam desigualdade e conflito. Quando protegemos a Amazônia, protegemos culturas, modos de subsistência e evitamos deslocamentos forçados. A COP-30 acontecer aqui envia uma mensagem de que paz, justiça climática e justiça social são inseparáveis”, disse Fløgstad.
Defesa da floresta
O governador do Pará, Helder Barbalho, recebeu oficialmente a peça e destacou sua força simbólica. “A família Nobel tem um histórico de valorizar gestos e movimentos que promovem a paz. E agora reconhece que justiça climática e justiça social caminham juntas. Defender a floresta viva é garantir direitos, reduzir conflitos e construir um futuro melhor a partir do nosso território”, afirmou.
Para Anderson Baranov, CEO da Norsk Hydro Brasil, a inauguração simbólica do material merece destaque. “O banco foi desenhado para unir pessoas. Em um mundo fragmentado, diálogo e ação são essenciais”, afirmou. Segundo Baranov, a peça instalada em Belém é um legado da COP-30 e ficará em definitivo na cidade.
O Banco da Paz, portanto, é um símbolo real deixado como legado pela COP-30: uma peça de arte pública criada a partir da riqueza mineral da Amazônia, transformada em objeto de cooperação internacional e devolvida a Belém do Pará como convite permanente ao diálogo.
Atração para o centro
A forma semicircular de seis metros do Banco da Paz é mais baixa no centro, de modo que quem se senta nas extremidades seja atraído para dentro, criando um convite natural à conversa. Instalado no Parque da Cidade, onde durante a COP30 funcionou a Zona Verde, o Banco da Paz proporciona um espaço público e neutro, acessível a todos. Ele é uma doação conjunta do Nobel Peace Center e das empresas norueguesas Hydro, Snøhetta e Vestre, servindo como legado das discussões da COP-30 e como lembrete permanente da importância do diálogo contínuo.
O design da peça foi originalmente revelado em 2019, na sede das Nações Unidas, em Nova York, e um exemplar foi instalado em frente ao Nobel Peace Center, em Oslo. Após a COP-30, a Zona Verde foi convertida em um novo parque urbano para os moradores de Belém, onde o Banco da Paz, doado oficialmente ao governo do Pará, permanece como bem público.