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Seu filho pode estar viciado em telas? Especialistas explicam
Por PulseBrand

Seu filho pode estar viciado em telas? Especialistas explicam

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 26 de março de 2026

Após Mark Zuckerberg depor em tribunal nos Estados Unidos em processo que questiona se a Meta criou recursos viciantes para jovens, especialistas analisam o impacto das telas no cérebro infantil

O depoimento de Mark Zuckerberg, fundador da Meta, em tribunal norte-americano foi notícia na última semana. O que já vinha crescendo silenciosamente entre famílias e profissionais de saúde foi parar no tribunal: as redes sociais e jogos digitais podem provocar dependência em crianças?

A ação judicial nos Estados Unidos discute se as plataformas utilizam mecanismos desenhados para aumentar retenção e engajamento entre jovens. Mas, independentemente da decisão jurídica, a ciência já vem observando efeitos preocupantes do uso excessivo de telas no cérebro em desenvolvimento.

Para Isa Minatel Neuropsicopedagoga e autora dos best-sellers Crianças Sem Limites e Temperamentos Sem Limites, o ponto central é biológico. “O cérebro da criança ainda está em construção. As áreas responsáveis por controle de impulsos, autorregulação e tolerância à frustração estão em formação. A tela oferece estímulos intensos e imediatos, ativando fortemente o sistema de recompensa. É prazer sem espera, sem esforço e sem mediação humana. O cérebro imaturo aprende rapidamente que ali está o alívio.”

Segundo ela, o risco não está na tecnologia em si, mas na substituição da experiência real. “O problema começa quando a tela ocupa o lugar do vínculo, do corpo em movimento, do tédio criativo e da convivência. A criança ainda não tem maturidade para autorregular esse consumo.”

Dr. Paulo Telles Pediatra, membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), explica que a discussão já ultrapassou o campo comportamental. “A Organização Mundial da Saúde incluiu na CID-11 o Transtorno do Jogo Eletrônico. Ele é caracterizado por perda de controle, priorização crescente da atividade digital sobre outras áreas da vida e manutenção do comportamento mesmo diante de prejuízos claros.”

No Brasil, a SBP utiliza o termo uso problemático de telas quando há impacto funcional relevante. “Não é apenas o tempo de exposição que define o problema, mas o prejuízo persistente no desempenho escolar, nas relações sociais, no sono e na saúde emocional.”

Estudos de neuroimagem já apontam associação entre uso excessivo de telas e alterações em regiões ligadas às funções executivas e ao controle de impulsos, além de hiperativação dos circuitos dopaminérgicos de recompensa. O cérebro infantil, por estar em intensa fase de plasticidade, torna-se particularmente vulnerável a estímulos altamente recompensadores e repetitivos.

Na prática, os sinais costumam aparecer antes mesmo de um quadro clínico estabelecido. Segundo Isa Minatel, pais relatam irritabilidade intensa quando a tela acaba, dificuldade de brincar sozinho, baixa tolerância à frustração, explosões emocionais desproporcionais, desinteresse por atividades simples, dificuldade de concentração e sono desregulado.

“É como se o mundo real perdesse o brilho. Perto da hiperestimulação digital, a vida parece lenta”, afirma.

Para reduzir conflitos familiares e prevenir quadros mais graves, os especialistas defendem uma abordagem que vai além da simples proibição. Isa Minatel propõe cinco pilares para fortalecer a relação saudável com a tecnologia: consciência sobre riscos, incentivo à leitura, desenvolvimento de autonomia, estímulo ao movimento corporal e fortalecimento de amizades presenciais.

Dr. Paulo reforça as recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria, que orienta:

-Evitar telas para menores de dois anos (exceto videochamadas)

-Limitar fortemente até os cinco anos

-Após essa idade, uso moderado, supervisionado e com conteúdo adequado

-Manter ambientes livres de tela no quarto e nas refeições

-Proteger o sono e priorizar atividade física

“As crianças aprendem muito mais pelo exemplo digital dos adultos do que pelas regras impostas. Não se trata de demonizar a tecnologia, mas de reconhecer que o cérebro em desenvolvimento precisa de vínculo, frustração saudável, movimento e experiências reais para amadurecer de forma equilibrada”, conclui o pediatra.

Óleos essenciais como apoio para crianças com superexposição às telas

Segundo a neurocientista e aromaterapeuta Daiana Petry, e studos clínicos têm investigado o potencial de alguns óleos essenciais na modulação de funções cognitivas e emocionais em crianças, como atenção, memória e regulação emocional.

“ O óleo essencial de vetiver tem sido investigado por seu possível efeito regulador sobre a atividade cerebral e foi comprovado e m um estudo com 30 crianças diagnosticadas com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), a inalação do óleo essencial de vetiver três vezes ao dia durante 30 dias demonstrou aumento da atividade cerebral e redução de sintomas de desatenção e hiperatividade ”. O estudo foi publicado no International Journal of Neuroscience e sugere que o vetiver pode contribuir para favorecer foco e organização mental, aspectos frequentemente prejudicados em crianças com alto tempo de exposição a telas.

O óleo essencial de alecrim também tem sido relacionado ao desempenho cognitivo. Uma pesquisa realizada em sala de aula com 40 crianças entre 9 e 11 anos e publicada no International Journal of Neuroscience, demonstra que as crianças expostas ao aroma apresentaram melhora significativa no desempenho das tarefas.

Segundo Daiana, o utro óleo investigado é o de laranja-doce, conhecido por seus efeitos calmantes. Em um estudo clínico randomizado com 30 crianças entre 6 e 9 anos submetidas a procedimentos odontológicos potencialmente estressantes, a difusão ambiental do óleo esteve associada à redução do cortisol salivar, da frequência cardíaca e dos níveis de ansiedade.

A lavanda é um dos óleos essenciais mais estudados em relação à ansiedade. Pesquisas com crianças entre 6 e 12 anos em procedimentos odontológicos indicaram que a inalação do aroma pode reduzir a ansiedade, além de diminuir a pressão arterial e a frequência cardíaca. “ O efeito relaxante sugere que a lavanda pode contribuir para acalmar o sistema nervoso e favorecer a autorregulação emocional, especialmente em momentos de irritabilidade ou dificuldade para desacelerar após o uso de dispositivos digitais ”, finaliza Daiana Petry.

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