NAvegue pelos canais

Para Zuza Nacif, o BBB 26 antecipa a eleição que será decidida nos celulares
Por PulseBrand

Para Zuza Nacif, o BBB 26 antecipa a eleição que será decidida nos celulares

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 7 de abril de 2026

Estrategista político vê no reality um laboratório real de atenção, narrativa e mobilização, com táticas que podem influenciar as disputas majoritárias deste ano

O estrategista político Zuza Nacif, CEO da Brasil Comunicação, vem chamando atenção para uma leitura que, na sua avaliação, ajuda a entender com mais precisão o ambiente eleitoral de 2026: o Big Brother Brasil deixou de ser apenas entretenimento e passou a funcionar como uma arena concreta para observar como a atenção pública é capturada, retida e transformada em engajamento no Brasil. Para ele, esse movimento não interessa apenas ao mercado de mídia ou ao universo do conteúdo. Interessa diretamente às campanhas para presidente e governador, que já operam sob a lógica de uma disputa contínua por presença, narrativa e influência.

A força dessa interpretação está no tamanho do fenômeno. Em quase dois meses no ar, o BBB 26 alcançou 115 milhões de telespectadores na TV Globo e no Multishow, superou 70 milhões de menções nas redes sociais, acumulou 21 bilhões de visualizações em perfis e mais de 860 milhões de interações. No X, a temporada ainda bateu 1 bilhão de curtidas em posts de internautas e impulsionou 788 termos entre os assuntos mais comentados no Brasil. Para Nacif, esses números mostram que a relevância hoje não nasce mais em um único canal. Ela se forma na circulação entre televisão, redes sociais, cortes, comentários e repercussão em tempo real.

É a partir dessa dinâmica que o estrategista sustenta sua principal tese: o BBB 26 oferece um manual prático sobre a nova comunicação de massa no país. Na leitura dele, o programa ajuda a compreender como funcionam retenção, simplificação de mensagens, construção de personagens, ativação de comunidades e permanência narrativa. Em outras palavras, revela o tipo de engenharia simbólica que já passou a influenciar campanhas majoritárias. A diferença é que, na política, essa lógica ganha peso institucional. O que está em jogo não é apenas audiência, mas voto.

Nacif fala com a experiência de quem construiu trajetória em campanhas de alta complexidade. Reportagem publicada pelo Hoje em Dia o descreve como estrategista com atuação em campanhas presidenciais, como a de Aécio Neves em 2014 e o segundo turno de Lula em 2022, além de vitórias em estados como São Paulo, Piauí, Goiás, Espírito Santo e Rio Grande do Sul. O mesmo perfil destaca seu uso de inteligência artificial, cruzamento de dados, análise de pesquisas e leitura de redes sociais como parte do desenho estratégico das campanhas. Esse repertório ajuda a explicar por que sua interpretação do BBB não é a de um observador casual da cultura pop, mas a de alguém que enxerga no programa sinais concretos de mudança na forma de organizar comunicação política.

Na avaliação de Nacif, o primeiro ensinamento do reality para 2026 é que a campanha tradicional perdeu o monopólio da atenção. O horário eleitoral, a entrevista e o palanque continuam importantes, mas já não bastam para estruturar a percepção pública. A narrativa agora precisa sobreviver dentro do fluxo. Cada fala, gesto, conflito ou silêncio pode ser recortado, reinterpretado e redistribuído em minutos. É por isso que ele sustenta que a arena decisiva da eleição se deslocou: mais do que na televisão, o embate acontece no celular, onde o eleitor consome, comenta, compartilha e reformula conteúdo ao longo do dia.

Essa tese encontra respaldo no comportamento do público. Pesquisa da Ipsos encomendada pelo Mercado Ads mostrou que 64% dos brasileiros usam o celular enquanto assistem à TV ou ao streaming, e 55% deste grupo aproveita esse momento para buscar ou comprar algo pelo aparelho móvel. Embora o levantamento seja de consumo, ele ajuda a dimensionar um hábito mais amplo: a convivência simultânea entre telas. Para a política, isso significa que a atenção já não é linear nem concentrada. Ela é fragmentada, móvel e reprocessada continuamente, exatamente o ambiente em que campanhas precisam disputar sentido.

Na leitura de Nacif, o segundo ponto que o BBB ajuda a iluminar é a necessidade de clareza narrativa. O reality organiza seus participantes em personagens de leitura rápida, emocionalmente reconhecíveis e facilmente debatidos pelo público. A política, evidentemente, não pode ser reduzida à lógica do entretenimento, mas também opera sob pressão de síntese. Em um ambiente saturado por estímulos, candidatos que não conseguem traduzir sua identidade de modo inteligível tendem a perder tração. Para o estrategista, o desafio não é empobrecer a política, mas torná-la legível no ecossistema em que o eleitor efetivamente presta atenção.

Há ainda um terceiro aspecto que ele considera decisivo: a formação de torcida. Para Nacif, o BBB 26 demonstrou como comunidades digitais podem defender narrativas, sustentar favoritos e ampliar alcance de forma orgânica. Essa lógica, segundo ele, já está presente na política por meio de grupos de WhatsApp, redes locais, influenciadores regionais e apoiadores que se comportam menos como audiência e mais como multiplicadores ativos. Nessa lógica, campanha competitiva não é só a que comunica bem. É a que consegue transformar identificação em participação.

O pano de fundo desse argumento fica ainda mais sensível quando se observa o peso das redes na formação de opinião. Pesquisa do DataSenado mostrou que 83% dos brasileiros acreditam que as redes sociais influenciam muito a opinião das pessoas. O mesmo levantamento indica uso intenso de plataformas como WhatsApp, YouTube e televisão como fontes recorrentes de informação. Para Nacif, esse ambiente ajuda a sustentar a ideia de que o voto de 2026 não será decidido apenas pela propaganda formal, mas pela capacidade de ocupar com consistência os circuitos móveis de atenção e confiança.

Ao mesmo tempo, ele reconhece que essa nova arena exige mais sofisticação estratégica. O Tribunal Superior Eleitoral aprovou em março as instruções das Eleições 2026, confirmou o primeiro turno para 4 de outubro e atualizou as regras sobre o uso de inteligência artificial na campanha. Entre as medidas, conteúdos de propaganda eleitoral criados ou alterados por IA devem trazer aviso claro ao público, e provedores de IA estão proibidos de ranquear, recomendar ou favorecer candidatos e partidos. Para o estrategista, isso eleva o nível de exigência das campanhas: será preciso reagir em tempo real sem perder controle jurídico, reputacional e narrativo.

É justamente por isso que Nacif insiste em tratar o BBB como um campo de observação relevante para a política deste ano. Na sua visão, o programa escancara uma mudança estrutural no modo como o Brasil forma opinião, engaja comunidades e distribui atenção. O centro da disputa já não está apenas em quem fala mais alto, mas em quem consegue permanecer em circulação, gerar conversa e manter densidade simbólica dentro do fluxo digital. Para campanhas de presidente e governador, o recado, segundo ele, é claro: em 2026, o voto tende a ser decidido menos no intervalo da programação e mais na tela que o eleitor segura na mão.

A OESP não é(são) responsável(is) por erros, incorreções, atrasos ou quaisquer decisões tomadas por seus clientes com base nos Conteúdos ora disponibilizados, bem como tais Conteúdos não representam a opinião da OESP e são de inteira responsabilidade da PulseBrand

Encontrou algum erro? Entre em contato

Compartilhe