Cirurgia plástica não é consumo: Dr. Josué Montedonio faz alerta sobre expectativas, redes sociais e decisões precipitadas
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 26 de fevereiro de 2026
Em meio à crescente pressão estética nas redes, cirurgião plástico chama atenção para a necessidade de decisões conscientes e avaliação individualizada.
Em um momento em que procedimentos estéticos ganham cada vez mais visibilidade e parecem fazer parte da rotina de muitas pessoas, um alerta importante vem sendo reforçado por especialistas: cirurgia plástica não deve ser tratada como tendência nem como solução imediata para insatisfações pessoais. Para o cirurgião plástico Dr. Josué Montedonio, é preciso resgatar a seriedade dessa decisão médica, que envolve planejamento, maturidade e responsabilidade.
O tema será abordado pelo médico em uma palestra que propõe uma reflexão profunda sobre a relação das pessoas com a própria imagem. Partindo de um olhar histórico, ele lembra que o desejo de preservar a juventude e realçar a aparência não é um fenômeno contemporâneo. “Desde o Egito Antigo já existiam rituais e cuidados voltados à estética. A tecnologia evoluiu, os padrões mudaram, mas a pergunta essencial continua a mesma: será que eu poderia me sentir melhor dentro da minha própria pele?”, afirma.
Segundo o especialista, existe um equívoco comum quando se fala em cirurgia plástica: acreditar que o procedimento tem o poder de transformar completamente a vida de alguém. Embora os ganhos de autoestima sejam reais, o médico ressalta que nenhuma intervenção substitui a construção emocional e os hábitos desenvolvidos ao longo do tempo.
“Quase ninguém quer apenas mudar o corpo, as pessoas querem mudar a forma como se sentem vivendo dentro dele. E é justamente por isso que cada decisão precisa ser tomada com enorme responsabilidade”, explica.
Dr. Montedonio destaca que os melhores resultados costumam surgir quando há uma parceria entre médico e paciente. De um lado, técnica e ciência; do outro, escolhas consistentes no dia a dia. “Cirurgia não substitui estilo de vida. Ela potencializa. Pequenas escolhas repetidas ao longo do tempo transformam muito mais um corpo do que qualquer solução isolada”, diz.
Outro ponto central dessa discussão envolve as expectativas. Ao longo da carreira, o cirurgião percebeu que muitas frustrações não estão relacionadas ao resultado técnico do procedimento, mas ao que o paciente esperava sentir depois dele. “Certa vez, após uma cirurgia impecável, uma paciente me disse: ‘Meu corpo mudou, mas a minha insegurança veio junto.’ Existem dores que nenhum bisturi alcança.”
A influência das redes sociais intensificou esse cenário. Se antes as comparações aconteciam em círculos próximos, hoje elas se ampliaram para um universo global, frequentemente filtrado e editado. “Comparações injustas quase sempre terminam em frustração. Muitas vezes nos tornamos juízes severos de nós mesmos usando como régua vidas que não são as nossas”, observa.
Para o médico, um dos maiores desafios atuais é justamente separar informação de sabedoria. “Nunca tivemos tanto acesso ao que pode ser feito. Mas maturidade é entender o que deve ser feito, e, principalmente, quando deve ser feito.”
Esse cuidado se torna ainda mais importante diante da crescente exposição dos procedimentos estéticos. Quando a complexidade de uma cirurgia é minimizada, cria-se uma perigosa sensação de simplicidade. “O que é complexo não pode ser tratado como simples. Cirurgia plástica não é um ato de consumo. É um ato médico. Não estamos lidando com uma tendência, estamos lidando com vidas.”
A escolha do profissional também exige atenção. Decisões baseadas apenas em preço ou promessas fáceis podem trazer consequências difíceis de reverter. “Na medicina, quando a escolha é feita somente pelo mais barato, o custo muitas vezes aparece depois, de outras formas”, alerta.
O especialista também reforça que uma cirurgia começa muito antes do centro cirúrgico e continua após o procedimento. Preparo emocional, planejamento financeiro, organização da rotina, rede de apoio e tempo de recuperação fazem parte do processo. “Decidir operar é decidir atravessar uma jornada.”
Entre os temas que mais exigem sensibilidade está a cirurgia em adolescentes. Embora existam indicações seguras e transformadoras quando bem avaliadas, a decisão precisa ser ainda mais criteriosa. “Nem toda insatisfação precisa de intervenção. Algumas precisam de tempo. Não podemos permitir que uma fase transitória gere decisões permanentes.”
Com a proximidade do Dia Internacional da Mulher, Dr. Josué Montedonio também chama atenção para a pressão estética vivida por muitas mulheres, frequentemente cobradas a equilibrar carreira, vida pessoal e uma aparência sempre jovem. “Cuidar da aparência não deveria ser uma obrigação social, mas uma escolha íntima. Quando nasce da liberdade, tende a gerar autoestima. Quando nasce da pressão, quase sempre gera ansiedade.”
Após anos ouvindo histórias dentro do consultório, o médico chegou a uma conclusão que considera essencial: a maioria das mulheres não busca perfeição, busca reconexão com a própria imagem.
Nesse contexto, ele defende um dos papéis mais importantes da medicina: saber dizer não. “Algumas das decisões mais responsáveis da minha carreira foram justamente as cirurgias que escolhi não realizar. O papel do médico não é apenas executar desejos, mas proteger o paciente, inclusive dele mesmo.”
Para o especialista, a verdadeira beleza está na coerência, entre aparência e identidade, entre imagem e história pessoal. Quando essa harmonia acontece, a imagem deixa de ser uma máscara e passa a ser uma extensão de quem a pessoa realmente é.
“A medicina pode rejuvenescer traços, melhorar contornos e corrigir marcas do tempo. Mas a verdadeira beleza nasce quando fazemos as pazes com a própria imagem. O espelho deveria ser um lugar de reconhecimento, não de confronto”, conclui.
Em um tempo marcado pela urgência e pela comparação constante, a mensagem é clara: mais do que transformar o corpo, a cirurgia plástica deve ser uma escolha consciente, guiada menos pela pressa e mais pelo entendimento de que autoestima duradoura não se constrói apenas com mudanças externas, mas com a forma como cada pessoa aprende a se enxergar.
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