Fim da trajetória linear: a carreira em mosaico e as transições laterais
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 13 de fevereiro de 2026
Promoções verticais perdem espaço para mudanças de área, projetos temporários e requalificação constante em um mercado cada vez mais dinâmico
A lógica da carreira linear, marcada pela progressão previsível dentro da mesma empresa, cargo após cargo, perde relevância à medida que o mercado de trabalho se torna mais dinâmico, tecnológico e interconectado. Em seu lugar, ganha espaço a chamada carreira em mosaico, construída a partir de movimentos laterais, transições entre áreas, projetos complementares e a combinação de experiências diversas ao longo do tempo.
Esse modelo reflete um cenário em que a estabilidade deixou de estar atrelada à permanência em um único caminho profissional. Segundo o World Economic Forum, cerca de 44% das habilidades atualmente exigidas precisarão ser atualizadas até o fim da década, o que torna trajetórias rígidas cada vez menos sustentáveis.
Para Ana Paula Prado, CEO da Redarbor Brasil, detentora do Infojobs, esse movimento está longe de indicar instabilidade. “A ideia de uma carreira linear parte de um cenário de previsibilidade que praticamente já não existe no mercado atual. Transições laterais, quando realizadas de forma estratégica, ampliam repertório, desenvolvem competências transferíveis e fortalecem a empregabilidade no médio e longo prazo”, afirma.
Em complemento, a executiva relembra que, no Brasil, há um crescimento consistente no volume de candidaturas de profissionais que já realizaram ao menos uma mudança de área nos últimos anos, evidenciando um movimento de adaptação estrutural, e não apenas pontual, às novas demandas do mercado.
Do ponto de vista das empresas, esse modelo também traz ganhos relevantes. “As organizações passam a contar com profissionais mais versáteis, capazes de conectar conhecimentos de diferentes áreas e responder com mais agilidade a contextos de mudança”, comenta Ana Paula. Nesse cenário, a valorização deixa de recair exclusivamente sobre cargos ou títulos formais e passa a se concentrar na capacidade de aprender, adaptar-se e gerar valor em diferentes frentes.
“Aprender rápido passa a ser mais relevante do que subir rápido”, aponta a CEO. Nesse cenário, a carreira deixa de ser uma trajetória linear e previsível para se tornar um percurso dinâmico, marcado por ajustes constantes e decisões estratégicas ao longo do tempo. Flexibilidade, aprendizado contínuo e visão de longo prazo deixam de ser diferenciais pontuais e passam a ocupar um papel central na construção de relevância, adaptabilidade e sustentabilidade profissional em um mercado cada vez mais volátil e competitivo.
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