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Laboratório brasileiro inicia testes para produzir ímãs com terras raras extraídas de Minas Gerais
Coordenador do CIT Senai ITR, André Luis Pimenta de Faria recebe lote de terras raras do diretor da Meteoric Resources, Marcelo Carvalho. Crédito: Meteoric Resources / DIvulgação.

Laboratório brasileiro inicia testes para produzir ímãs com terras raras extraídas de Minas Gerais

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 2 de março de 2026

Iniciativa busca estruturar cadeia produtiva nacional e reduzir a dependência brasileira de insumos importados da China

Por Ricardo Lima

O Brasil iniciou testes para produzir ímãs de alta potência com terras raras extraídas e processadas no próprio país. A iniciativa busca estruturar uma cadeia produtiva nacional completa, do minério ao produto final de alto valor agregado, reduzindo a dependência de insumos importados e ampliando a capacidade tecnológica brasileira, segundo o portal G1.

Os testes foram viabilizados com a entrega de 20 quilos de carbonato de terras raras pela mineradora Meteoric Resources ao Centro de Inovação e Tecnologia para Ímãs de Terras Raras (CIT Senai ITR), em Lagoa Santa (MG). O material foi obtido por lixiviação de argila iônica coletada no Planalto Vulcânico de Poços de Caldas, em planta piloto da empresa, que investiga o potencial mineral da região e aguarda licenciamento para instalar uma mina.

De acordo com o coordenador do CIT Senai ITR, André Luis Pimenta de Faria, a entrega do material representa um avanço concreto para o desenvolvimento tecnológico nacional.

Com essa remessa, o projeto passa a ter a oportunidade de trabalhar com matéria-prima de origem nacional nas etapas de obtenção de óxidos puros de terras raras, redução para metal, produção de liga e fabricação de ímãs de NdFeB (neodímio-ferro-boro). ‘Isso […] permite validar, em escala piloto, a rota tecnológica utilizando terras raras brasileiras‘”, destaca.

A entrega integra um acordo de parceria de cinco anos firmado entre o centro tecnológico e a Meteoric em 2024.

Projeto busca cadeia produtiva completa

O CIT Senai ITR é considerado a primeira fábrica de ímãs permanentes da América Latina e integra o projeto MagBras, aliança que reúne empresas, startups, centros de inovação, universidades e instituições de pesquisa. O objetivo é estabelecer uma cadeia produtiva completa de terras raras no país, desde a extração mineral até a fabricação do ímã final.

Esses materiais são essenciais para motores de veículos elétricos, turbinas eólicas, smartphones, computadores, equipamentos de ressonância magnética e sistemas industriais de automação.

Desde sua inauguração, em 2025, o centro também recebeu amostras de óxidos puros provenientes de ímãs reciclados no exterior e derivados de minério nacional. Paralelamente, o laboratório continua utilizando material importado da China enquanto o Brasil não consolida a produção em escala industrial.

Segundo Faria, a importação ainda é necessária para garantir a continuidade das pesquisas.

O que está sendo construído neste momento é a base tecnológica e industrial para que, no futuro próximo, o país possa transformar seus próprios minerais estratégicos em produtos de alto valor agregado, como os ímãs permanentes utilizados em motores elétricos, geração de energia e mobilidade elétrica”, disse.

Qualidade mineral

De acordo com a Meteoric, análises do carbonato produzido na planta piloto indicam alto teor de terras raras no material extraído do Planalto Vulcânico de Poços de Caldas.

Brasil inicia testes para produção de ímãs de terras raras
Carbonato de terras raras. Crédito: Meteoric Resources / DIvulgação.

O diretor executivo da empresa, Marcelo Carvalho, destacou a eficiência do processo e o potencial do depósito brasileiro.

A gente pega uma argila que tem 0,4% de terras raras e transforma num carbonato que é 98% de terras raras. A qualidade do carbonato que nós estamos gerando mostra que o Planalto de Poços de Caldas é um dos melhores depósitos do mundo. A gente está atingindo recuperações que vão até 78%, 79%. A maioria das minas no mundo tem uma recuperação de 50%”, afirma.

O próximo desafio da empresa é desenvolver a etapa de separação dos minerais a partir do carbonato, ampliando o avanço da cadeia produtiva nacional.

Nos comprometemos com os governos federal e estadual e vamos iniciar o processo de estudos usando nosso carbonato. Uma das importâncias de realizar os estudos de separação é dar mais um passo e, quem sabe, o resto da cadeia também não se desenvolva e a gente venha a produzir ímãs no país”, disse Carvalho.

O executivo afirmou, durante o evento Future Minerals Summit em Brasília, realizado no dia25 de fevereiro, que vê uma oportunidade de tornar o Brasil uma alternativa sustentável no fornecimento de terras raras em relação à China, onde, segundo Carvalho, a exploração de terras raras ocorre “de uma forma nada sustentável”:

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