Interesse dos EUA na Groenlândia vai além dos minerais críticos, diz especialista
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 8 de janeiro de 2026
Geólogo Marcelo Carvalho afirma que apenas o potencial mineral da ilha não justifica pressão norte-americana e destaca peso da geopolítica do Ártico.
Por Ricardo Lima
A pressão exercida pelos Estados Unidos sobre a Groenlândia não se explica apenas pelo potencial mineral presente no território. Em entrevista à CNN Brasil, o geólogo Marcelo Carvalho, vice-presidente do Conselho da Associação de Minerais Críticos e diretor-executivo da Meteoric Resources, avaliou que o interesse norte-americano está mais relacionado a disputas geopolíticas do que à viabilidade econômica da mineração local.
A Groenlândia, território dinamarquês, possui ocorrências de terras raras, urânio, cobre e níquel, mas, segundo Carvalho, o conhecimento geológico da região ainda é limitado. “Por ser um território coberto por gelo na maior parte do ano, o conhecimento geológico ainda é precário”, afirmou. Ele ressalta que essas ocorrências não configuram depósitos desenvolvidos nem com economicidade comprovada.
De acordo com o especialista, mesmo onde há indícios mais consistentes, os projetos enfrentam entraves significativos. “Com os preços de mercado, esses depósitos não são economicamente viáveis pelas características geológicas, pela falta de infraestrutura, pela posição geográfica e pelas condições climáticas”, disse, acrescentando que há alternativas mais atrativas em outras regiões do mundo.
Para Carvalho, o potencial mineral da ilha, isoladamente, não justificaria qualquer tentativa de domínio territorial. “Existem depósitos em outras localidades do mundo tão bons quanto ou melhores, que justificariam investimentos antes de projetos que ainda estão muito no papel, como os da Groenlândia”, avaliou.
Ao final, Carvalho conclui que o fator decisivo é geopolítico. Mais do que os recursos do subsolo, a Groenlândia representa uma peça-chave no tabuleiro estratégico do Ártico, região cada vez mais central nas disputas globais.
Domínio chinês nos minerais críticos preocupa o Ocidente
O geólogo destacou ainda a forte dependência do Ocidente em relação à China na cadeia dos minerais críticos. “A China domina a maior parte da produção e, principalmente, da indústria associada a esses minerais”, afirmou, lembrando que, no caso das terras raras, o país controla cerca de 70% da produção e 90% do processamento.
Segundo ele, a elevada concentração da produção gera apreensão tanto nos Estados Unidos quanto na União Europeia, mas a Groenlândia não se apresenta como uma solução de curto prazo. “A dependência de um único mercado é um risco estratégico”, afirmou, ao lembrar que a China já usou o controle sobre as terras raras como instrumento de pressão, ao suspender exportações em resposta às tarifas impostas pelos EUA.
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