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Goiás e Japão firmam parceria para desenvolver cadeia de minerais críticos
Representantes de Goiás e do Japão durante assinatura de memorando para cooperação em minerais críticos. Imagem: Correio Vale do Araguaia / Reprodução.

Goiás e Japão firmam parceria para desenvolver cadeia de minerais críticos

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 13 de março de 2026

O Estado concentra cerca de 25% da disponibilidade mundial de terras raras e já reúne projetos estratégicos em andamento no setor.

A Autoridade de Minerais Críticos do Estado de Goiás (Amic) e a Organização Japonesa para Metais e Segurança Energética (JOGMEC) assinaram na segunda-feira (9) um memorando de entendimento para cooperação em minerais críticos. O acordo busca ampliar a presença do estado na cadeia produtiva do setor e avançar no processamento local desses recursos. Goiás concentra cerca de 25% da disponibilidade mundial de terras raras e já reúne projetos estratégicos em andamento.

O memorando foi assinado durante agenda com autoridades japonesas no estado pelo vice-governador Daniel Vilela, em nome da Amic. A formalização da parceria ocorre após reuniões entre autoridades goianas e representantes do Japão realizadas em agosto de 2025, quando o governador Ronaldo Caiado recebeu uma comitiva da Embaixada do Japão para discutir a cooperação na exploração de terras raras no estado.

Para o vice-governador Daniel Vilela, o acordo representa um avanço nas negociações. “Agora damos um segundo passo, que pode trazer grande impacto econômico e social para o estado, com transferência de tecnologia e agregação de valor aqui dentro, que é o nosso objetivo”, afirmou.

O memorando estabelece bases para cooperação técnica e intercâmbio de conhecimento entre Goiás e o Japão no desenvolvimento da cadeia de minerais críticos. A parceria prevê colaboração em estudos sobre exploração, processamento e aplicação industrial desses recursos, além do compartilhamento de tecnologia e conhecimento para ampliar a agregação de valor no estado.

Vice-governador Daniel Vilela assina acordo de cooperação entre Goiás e Japão para minerais críticos.
Vilela durante assinatura do acordo. Imagem: Correio Vale do Araguaia / Reprodução.

Representantes japoneses destacaram o interesse em cooperar no desenvolvimento do setor em Goiás. “Queremos compartilhar nossa experiência no desenvolvimento de minerais importantes, como as terras raras, e nossa tecnologia com o Estado de Goiás”, afirmou o representante diplomático do Japão no Brasil, Yasushi Noguchi.

O conselheiro sênior da JOGMEC, Masaru Sato, ressaltou que a cooperação também busca fortalecer a cadeia global de abastecimento desses minerais. “Continuamos comprometidos em contribuir (…) para a construção de uma cadeia de abastecimento que seja benéfica tanto para o Japão quanto para o Brasil”, disse.

Potencial mineral do Estado

Goiás reúne algumas das principais reservas nacionais de minerais críticos, como terras raras, nióbio, cobre e alumínio. Esses recursos são essenciais para a produção de equipamentos eletrônicos, baterias, turbinas eólicas e outras tecnologias ligadas à transição energética.

Para o presidente do Sindicato da Indústria da Mineração do Estado de Goiás e Distrito Federal (Minde), Luiz Antônio Vessani, que participou do encontro entre as autoridades, a parceria representa um passo estratégico para consolidar a política mineral do estado. “A iniciativa reforça uma política voltada ao médio e longo prazo, com foco na consolidação de cadeias produtivas e no fortalecimento da industrialização associada aos minerais críticos”, afirmou.

Luiz Antônio Vessani comenta o fortalecimento da cadeia de minerais críticos em Goiás.
Luiz Antônio Vessani. Foto: Cristiano Borges / Minde.

Segundo Vessani, o acordo também tem uma abordagem mais ampla, que vai além do mercado. Ele envolve a formação de competências tecnológicas e operacionais, com participação da academia, institutos de pesquisa e empresas.

Projetos em desenvolvimento

O estado reúne alguns dos principais projetos de terras raras em desenvolvimento no país. No município de Minaçu, o Grupo Serra Verde opera o único empreendimento comercial em larga escala de terras raras pesadas fora da Ásia. Já em Nova Roma, a multinacional Aclara Resources desenvolve o projeto Carina, voltado à produção de terras raras pesadas, com previsão de investimento de R$ 2,8 bilhões e geração estimada de 5,7 mil empregos diretos e indiretos.

As terras raras são insumos estratégicos usados na produção de turbinas eólicas, veículos elétricos, baterias, equipamentos eletrônicos, data centers e sistemas de defesa. A demanda global por esses minerais tem crescido com o avanço da transição energética e da indústria de alta tecnologia.

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