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Brasil precisa adotar cautela e pragmatismo na geopolítica dos minerais críticos, afirma ABPM
Azevedo em entrevista à CNN. Foto: CNN Brasil Money / Youtube.

Brasil precisa adotar cautela e pragmatismo na geopolítica dos minerais críticos, afirma ABPM

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 6 de fevereiro de 2026

Presidente do conselho da ABPM,  afirma que o Brasil tem estrutura industrial para processar minérios e incorporar tecnologia; mas precisa discutir como tirar projetos minerais do papel, e não favorecer países

Por Ricardo Lima

O presidente do conselho da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa Mineral e Mineração (ABPM), Luiz Maurício Azevedo, defendeu que o Brasil adote uma postura de cautela e pragmatismo na geopolítica dos minerais críticos, priorizando o financiamento e a execução de projetos no país, em vez de criar barreiras ou favorecer parceiros específicos. A declaração foi dada em entrevista à CNN Money, na quinta-feira (5).

Segundo Azevedo, o Brasil deve ouvir propostas dos Estados Unidos e da Europa, sem comprometer sua relação estratégica com a China, principal detentora da capacidade tecnológica em terras raras e parceira relevante do país no comércio de minério de ferro e manganês.

Nós devemos ter muito cuidado para que essa posição de ingressar em um acordo com os Estados Unidos não nos bloqueie com outros países”, disse, ao comentar o convite feito pelos Estados Unidos para que o Brasil integre um bloco comercial de minerais críticos.

Ele destacou que, apesar do histórico de negociações entre Brasil e Estados Unidos, o cenário internacional mudou nos últimos anos, sobretudo pela intensificação da relação comercial com a China. “O Brasil hoje é um dos poucos países que têm superávit com a China, o que implica comércio muito além dos minerais”, disse.

Azevedo lembrou ainda que, no caso específico das terras raras, a China concentra a capacidade tecnológica de processamento, o que exige uma postura cautelosa por parte do Brasil. “O país deve ouvir o que os Estados Unidos têm a propor e o que a Europa tem a oferecer, que é algo mais de longo prazo. Essa posição de cautela tem sido bem adotada pelo governo”, avaliou.

Marco regulatório e relação comercial com a China

Ao tratar da questão regulatória, o presidente do conselho da ABPM afirmou que o Brasil já dispõe de um dos marcos legais mais avançados do mundo para a mineração, embora enfrente dificuldades na execução por limitações orçamentárias da ANM.

O que o capital mais recebe é serenidade e perenidade em termos de marco regulatório. O Brasil talvez tenha um dos melhores marcos regulatórios da mineração do mundo”, disse.

Segundo ele, o Código de Mineração brasileiro serviu, inclusive, de inspiração para legislações de países líderes no setor, como a Austrália.

 Ao mesmo tempo, Azevedo ressaltou a importância da China para a economia mineral brasileira, lembrando que o país é um dos principais destinos de commodities que respondem por parcela relevante das exportações nacionais. “A China é parceira no agro e também na mineração”, afirmou.

Na avaliação de Azevedo, essa relação comercial deve caminhar junto com uma estratégia de agregação de valor no mercado interno. Segundo ele, o Brasil tem condições de avançar no processamento dos minérios produzidos no país.

“A habilidade do governo está em adquirir capacidade tecnológica, processar aqui e aproveitar o parque industrial que o Brasil tem”, disse

Ele reforçou que eventuais acordos com os Estados Unidos não devem limitar a atuação do Brasil com outros parceiros. “O Brasil sempre teve uma diplomacia muito diversificada, e a gente pretende que isso seja mantido. Queremos conversar e negociar com todo mundo”, completou.

Projetos no papel e necessidade de financiamento

Atualmente, segundo ele, o principal desafio do setor está na falta de recursos para tirar projetos do papel. O Brasil tem cerca de 16 projetos de minerais críticos em estágio inicial, aguardando financiamento. No segmento de terras raras, apenas uma mina está em operação, a Serra Verde, cujo controle societário é majoritariamente americano.

Os Estados Unidos não precisam de um acordo. Eles já detêm o controle da empresa e podem adquirir o produto sem qualquer restrição do governo brasileiro”, explicou.

Além disso, Azevedo afirma que de quatro a cinco empresas do setor demandam investimentos estimados em cerca de US$ 1,5 bilhão para iniciar suas operações. Nesse contexto, ele avaliou que a principal contribuição dos Estados Unidos pode vir por meio de linhas de financiamento, em troca de direitos de compra da produção, algo permitido pela legislação brasileira.

O ponto que devemos discutir é como tirar esses projetos do papel, e não criar barreiras, imposições ou favorecimento a nenhum país do mundo”, concluiu.

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