Gargalos no sistema elétrico mobilizam setor de renováveis
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 12 de março de 2026
Entidades e empresas do setor de energia renováveis prepararam uma carta conjunta com propostas técnicas e políticas voltadas a superar entraves estruturais no sistema elétrico. O documento será entregue aos candidatos à presidência.
Warley Pereira
O setor argumenta que sem uma oferta de geração renovável, com a transmissão de energia nivelada com a demanda crescente de indústrias eletrointensivas, o Brasil não avançará em descarbonizar sua economia, nem em atrair grande interesse de investidores internacionais.
A iniciativa coordenada pela Global Renewables Alliance (GRA) busca mobilizar o setor de energia renovável para que o assunto seja incluído na pauta dos candidatos à presidência. A ideia é que o tema faça parte dos seus programas de governo.
A transmissão de energia é apontada como um vetor essencial, especialmente para mitigar o curtailment das renováveis – redução forçada da geração de energia, principalmente solar e eólica devido às limitações na rede de transmissão -, fenômeno que já gerou prejuízos bilionários ao setor.
Na avaliação dos agentes, consultados pelo Minera Brasil o tema deve ser tratado como agenda de interesse público e ocupar posição central no planejamento energético nacional nos próximos anos.
Prioridades do setor
Além da expansão da transmissão, os empreendedores destacam outras prioridades incluindo esforços políticos e técnicos para impulsionar investimentos de grandes consumidores de energia, como datacenters e plantas produtoras de hidrogênio verde.
Sem uma estrutura regulatória e política adequada, o Brasil corre o risco de perder a oportunidade de atrair esses investidores, que podem direcionar seus projetos para regiões concorrentes que já dispõem de um framework regulatório mais aderente às necessidades do setor.
Entre as soluções estruturantes para enfrentar os gargalos do sistema elétrico, os sistemas de armazenamento de energia também são apontados como instrumentos fundamentais para prover flexibilidade e segurança ao sistema, especialmente diante da entrada de novas usinas renováveis e de grandes consumidores.
Outro ponto destacado é a necessidade de recompor o adensamento produtivo da cadeia industrial da energia eólica. A recente crise do setor afetou diretamente o chão de fábrica das indústrias, o que reforça a importância de políticas voltadas ao fortalecimento da cadeia produtiva.
Nesse contexto, também é apontada a necessidade de incentivar o desenvolvimento de serviços e reparos no país, reduzindo a dependência de importar conhecimento externo.
O potencial técnico da energia eólica offshore também integra a agenda de propostas do setor para políticas públicas. Empresas do setor esperam que o primeiro leilão de cessão de uso de áreas marítimas deveria ocorrer ainda em 2026, aproveitando a atual janela de oportunidade para desenvolver a cadeia de valor dessa nova fronteira energética.
Barreiras tributárias e regulatórias
Elbia Gannoum, presidente do Comitê de Mobilização de Energias Renováveis, adiantou ao Minera Brasil que a carta faz um alerta: o sistema elétrico não consegue escoar a energia já gerada; o mercado de renováveis tem potencial expressivo, mas enfrenta barreiras tributárias e regulatórias. “O país tem grande potencial eólico offshore, mas quase nenhum projeto saiu do papel pela demora no avanço do seu infralegal.”
A executiva à frente da Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias, argumenta que o mercado de energia ainda é centralizado e analógico, o que compromete a competitividade brasileira frente a países que já liberalizaram o setor, é que o documento apresentará propostas concretas para cada um dos gargalos identificados pelo setor.
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