Brasil apresenta no PDAC projetos de mineração para investidores
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 3 de março de 2026
O Brasil apresentou a investidores estrangeiros uma carteira com 35 projetos de minerais críticos que somam potencial estimado de US$ 5,5 bilhões, o que equivale a cerca de R$ 28,5 bilhões na cotação atual. A iniciativa ocorre durante o Prospectors & Developers Association of Canada (PDAC), considerado o maior evento global de mineração, realizado nesta semana em Toronto. Informações segundo reportagem da CNN.
A expectativa da delegação brasileira é retornar ao país com negociações avançadas e capital capaz de destravar projetos em diferentes estágios de maturação, desde a pesquisa mineral até o processamento e beneficiamento, etapa considerada estratégica para a agregação de valor no território nacional. O material foi elaborado pela ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), em parceria com a Adimb (Agência para o Desenvolvimento e Inovação do Setor Mineral Brasileiro) e o Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração).
O catálogo reúne informações técnicas consideradas essenciais para o investidor, incluindo o estágio de desenvolvimento de cada projeto, a situação do licenciamento ambiental, a vida útil estimada da mina, a produção anual prevista, a identificação dos responsáveis técnicos e os contatos diretos das empresas.
A proposta, segundo os organizadores, é oferecer um “raio-X” completo das oportunidades no país, alinhado aos padrões internacionais adotados em grandes encontros do setor.
Foco em empresas juniores e bolsa de Toronto
Em entrevista ao CNN Money, a diretora de Negócios da ApexBrasil, Ana Paula Repezza, afirmou que os projetos estão sendo apresentados tanto no evento quanto em reuniões com representantes das bolsas de Toronto.
As bolsas canadenses concentram cerca de 40% das empresas de mineração listadas no mundo e são referência global para companhias juniores, ou seja, empresas em estágio inicial de desenvolvimento de projetos.
“Há um olhar muito forte para atração de investimentos em empresas juniores de mineração no Brasil, tanto em projetos de exploração quanto de beneficiamento mineral, em linha com nossas prioridades em minerais críticos e com a estratégia de gerar valor no país”, afirmou.
Apesar de o catálogo reunir 35 projetos, oito foram escolhidos como “vitrines” da delegação brasileira no chamado Brazilian Mining Day, principal agenda do Brasil dentro do PDAC.
O encontro ocorre em um contexto de elevada demanda global por minerais críticos e de reorganização das cadeias produtivas desses insumos, especialmente após tensões geopolíticas e esforços de diversificação de fornecedores.
Dentro da programação do PDAC, oito projetos foram selecionados como “vitrines” da delegação brasileira no Brazilian Mining Day, principal agenda do país no evento. O seminário reúne autoridades, executivos e investidores para debater governança regulatória, licenciamento ambiental, minerais críticos, metais preciosos e conhecimento geológico.
Projeto Araxá e acordos internacionais
Entre os destaques está o Projeto Araxá, da australiana St. George Mining, considerado inovador pela estratégia de exploração conjunta de nióbio e terras raras.
No ano passado, representantes da companhia se reuniram com integrantes do governo dos Estados Unidos para discutir possíveis acordos de fornecimento. A empresa também negocia com a norte-americana REalloys um contrato de offtake (compra futura) de longo prazo que pode envolver até 40% da produção de terras raras do projeto.
Apesar do diálogo com autoridades norte-americanas, a companhia tem sinalizado disposição para negociar com diferentes mercados.
Em 2025, a empresa anunciou a criação de um centro tecnológico em parceria com o CEFET-MG, em Araxá (MG), incluindo uma planta-piloto dedicada ao processamento de nióbio e terras raras.
Além do nióbio e das terras raras, minerais como lítio e grafite, considerados estratégicos para defesa, baterias e alta tecnologia, também figuram entre os protagonistas da apresentação brasileira no evento.
A aposta da delegação é que o cenário internacional favorável aos minerais críticos abra espaço para que o Brasil avance não apenas como fornecedor de matéria-prima, mas como elo relevante nas etapas de processamento e industrialização da cadeia mineral.
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