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Bahia reúne 38% das áreas requeridas para terras raras no país, segundo estudo do SGB
Terras raras. Foto: Camila Cunha / Serviço Geológico do Brasil

Bahia reúne 38% das áreas requeridas para terras raras no país, segundo estudo do SGB

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 9 de janeiro de 2026

Informe técnico reúne dados geológicos que podem orientar políticas públicas, investimentos e pesquisas sobre minerais essenciais à transição energética no território baiano.

Por Ricardo Lima

Um estudo do Serviço Geológico do Brasil (SGB) indica que a Bahia reúne condições geológicas favoráveis para a ocorrência de terras raras, elementos considerados estratégicos para setores como energias renováveis, mobilidade elétrica, tecnologia e defesa.

Os resultados estão reunidos no Informe de Recursos Minerais – Terras Raras no Estado da Bahia: Síntese dos Principais Prospectos, publicação que sistematiza informações técnicas voltadas ao planejamento e ao desenvolvimento do setor mineral.

Dados do Sistema de Informações Geográficas da Mineração (SIGMINE), da Agência Nacional de Mineração (ANM), citados na publicação, indicam que a Bahia concentra cerca de 38% das áreas requeridas para terras raras no país. De acordo com o SGB, esse percentual reflete a diversidade de ambientes geológicos com potencial mineral, embora ainda não seja possível afirmar que o estado detenha o maior potencial produtivo nacional, uma vez que a maioria dos projetos se encontra em fases iniciais de pesquisa.

O levantamento apresentado pelo SGB tem como objetivo subsidiar decisões relacionadas a planejamento, licenciamento, pesquisa e investimentos no setor mineral, ao oferecer uma visão integrada dos principais contextos geológicos associados às terras raras no território baiano.

De acordo com o informe, diferentes unidades geológicas do estado apresentam ocorrências desses elementos, com destaque para o Complexo Jequié, o Complexo Lagoa Real, a Faixa Araçuaí e áreas localizadas na borda leste do Cráton do São Francisco. Em Lagoa Real, por exemplo, os dados indicam potencial para a ocorrência de terras raras como subprodutos de depósitos de urânio, o que amplia as possibilidades de aproveitamento mineral na região.

Já na Faixa Araçuaí e em terrenos associados ao Cráton do São Francisco, as ocorrências estão relacionadas a granitos alcalinos e pegmatitos, ambientes geológicos considerados favoráveis à formação de depósitos do tipo argila iônica — modelo que vem ganhando relevância no cenário internacional de exploração de terras raras.

Segundo a coordenadora do projeto Avaliação do Potencial de Terras Raras no Brasil, do SGB, a diversidade geológica é um dos principais diferenciais do estado. “O informe mostra que as ocorrências de terras raras na Bahia estão associadas a diferentes contextos e idades geológicas. As informações que apresentamos são importantes e podem ser usadas para identificação e/ou delimitação de áreas mais promissoras para formação de depósito de ETR”, explica a pesquisadora Lucy Takehara Chemale.

O estudo também contextualiza a importância estratégica das terras raras em um cenário global marcado pela forte concentração da produção na China e por riscos geopolíticos que afetam o acesso a esses recursos. Nesse contexto, a diversificação de áreas prospectivas no Brasil ganha relevância, e a variedade de ambientes mineralizadores identificados na Bahia reforça o papel do estado como um polo emergente para esse tipo de exploração.

O informe ressalta, por fim, que a identificação de áreas com potencial geológico para terras raras não implica, necessariamente, a existência de reservas economicamente viáveis nem a implantação imediata de empreendimentos minerários, sendo necessárias etapas adicionais de pesquisa, avaliação econômica e licenciamento ambiental.

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