O olhar desconhecido por trás da história: fotografias que transformaram obra em memória
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 8 de janeiro de 2026
De todos os meios de expressão, a fotografia é o único que fixa para sempre o instante preciso e transitório.” – Henri Cartier-Bresson
No dicionário, fotografia é “o processo de reproduzir, pela ação da luz, imagens obtidas mediante uma câmara escura”, uma definição técnica para a forma de arte iniciada no século XIX. Inicialmente, utilizada por nobres e inacessível para a maioria da população, mas veio a se popularizar no registro de momentos históricos e cotidianos. Por conta de sua importância, no dia 8 de janeiro celebra-se o Dia Nacional do Fotógrafo, data dedicada a quem transforma instantes em memória e constrói, com luz, olhar e sensibilidade, pontes entre o passado e o presente.
A Memória da Eletricidade possui um acervo iconográfico rico em fotografias adquiridas e doadas desde 1986. A história da eletricidade brasileira é preservada desde o início da luz no país, passando pela construção de hidrelétricas, e segue até a atualidade. Conta com registros feitos por J.R. Nonato, José Lins, entre outros fotógrafos importantes, e com obras-primas sem assinatura, como é o caso da coleção de 400 imagens raras da construção da Usina Hidrelétrica Alberto Torres, a Piabanha, iniciada em 1908.
Piabanha: imagens centenárias e um autor invisível
A beleza estética, a força narrativa e a precisão técnica das fotografias já atravessaram mais de um século sem autoria de quem a registrou. O engenheiro responsável pela obra foi Cesar Rabello, que também projetou e executou a usina e organizou o acervo fotográfico, mas o autor das imagens permanece anônimo. O conjunto chegou até a Memória da Eletricidade em 1988 por intermédio do engenheiro Cesar Rabello Cotrim, que herdou os itens de seu avô e os doou à instituição. A coleção está disponível na exposição virtual lançada em 2025 na plataforma Google Arts & Culture.

Desde que a coleção foi doada, em 1988, a Memória da Eletricidade assumiu o papel de garantir cuidado técnico, conservação adequada e preservação histórica. Um trabalho silencioso de catalogação, acondicionamento e pesquisa que permite que imagens seculares continuem acessíveis, legíveis e vivas para as gerações atuais e futuras.
Reconhecer o passado é um gesto coletivo
A ausência de autoria não é exceção. Muitas fotografias históricas chegam ao acervo sem créditos. Isto porque, ainda que enquadramento, luz e momento sejam um gesto autoral, o registro de fotografias era interpretado como funcional e não como criação. O olhar do fotógrafo está ali em cada imagem da Piabanha, direcionando a atenção do espectador para a grandiosidade da obra, a escala das máquinas e a força do trabalho humano.

É justiça histórica buscar o reconhecimento de quem produziu essas imagens, além de um gesto de cuidado com quem ajudou a construir a memória visual do Brasil. Entender que toda fotografia carrega uma intenção, uma sensibilidade e uma presença.
O papel da Memória da Eletricidade ao divulgar este acervo vai além de apenas preservar documentos, é possibilitar o acesso a fragmentos históricos que podem reconstruir o reconhecimento coletivo desses momentos. Familiares, amigos, antigos colegas ou pesquisadores podem identificar pessoas, locais, técnicas e, quem sabe, até revelar quem esteve por trás da lente silenciosa que capturou o instante fotografado.

Conhecer a história de quem esteve por trás desse e de tantos outros trabalhos, é um gesto que pertence à memória coletiva. Quanto mais essas imagens circulam, mais se abrem as possibilidades de reconhecimento: um sobrenome que ecoa, um rosto familiar, uma lembrança que atravessa gerações. Assim, a fotografia deixa de ser apenas registro e volta a ser encontro.
Ao tornar esse acervo visível, a Memória da Eletricidade não apenas preserva o passado, mas convida o presente a completá-lo, devolvendo nome, voz e presença aos olhares que ajudaram a construir a memória visual do Brasil.
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