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Instituto brasileiro desenvolve tecnologias para gerar energia no oceano
Por Memória da Eletricidade

Instituto brasileiro desenvolve tecnologias para gerar energia no oceano

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 19 de março de 2026

Projeto do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO) , que recebeu aporte de R$ 15 milhões da Finep, dialoga com o uso sustentável dos recursos marinhos no Dia Mundial da Água

O Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO) desenvolve o Centro Temático de Energia Renovável no Oceano – Energia Azul, que tem com o objetivo a criação de quatro tecnologias para produção de energia renovável offshore (em alto-mar). O projeto recebeu investimento de R$ 15 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

As soluções são voltad a s à conversão de energia das ondas, das correntes de maré e do gradiente térmico (diferença de temperatura das águas) do oceano, e também à produção de hidrogênio verde utilizando água do mar dessalinizada para eletrólise – processo que consiste no uso de uma corrente elétrica na água para separar o hidrogênio do oxigênio, o que torna o composto uma fonte limpa. No Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março, o projeto reforça o potencial do oceano como fonte de energia.

Segundo o INPO, os equipamentos podem reduzir as emissões de gases poluentes na produção offshore de óleo e gás, em especial nas unidades flutuantes que utilizam turbinas movidas a gás natural. As indústrias de fertilizantes, siderurgia, transporte e cimentícia, também podem empregar essas tecnologias.

À Memória da Eletricidade, o diretor-geral do órgão, Segen Estefen, ressaltou a importância d a iniciativa para a transição energética brasileira: “ Podemos transformar o oceano em um aliado estratégico, produzindo eletricidade, hidrogênio e água dessalinizada de forma sustentável. A proposta do Centro de Energia Azul é acelerar o desenvolvimento tecnológico e preparar o caminho para aplicações comerciais em larga escala”.

Viabilização da geração eólica offshore

Na tecnologia que busca produzir hidrogênio verde, a geração é simula da fisicamente a partir da emulação da energia eólica em alto-mar. O órgão destaca que o modelo enfrenta um dos principais entraves das eólicas: a intermitência, que dificulta o planejamento energético e reduz o aproveitamento da energia disponível. Ao converter a eletricidade em hidrogênio, a produção pode ser armazenada, diminuindo a dependência da s variações dos ventos e tornando o sistema mais estável e viável em larga escala.

Atualmente, aproximadamente 250 gigawatts em projetos de energia eólica offshore estão em processo de licenciamento no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Caso 20% desses empreendimentos sejam efetivamente instalados, a matriz elétrica brasileira poderá incorporar cerca de 50 gigawatts de nova capacidade, volume equivalente a quase um quarto da capacidade total, estimada em 21 2 GW. Vale destacar que ao menos 85% dessa energia é originada de fontes renováveis.

Já turbina para aproveitamento da energia de correntes das marés pode operar tanto em correntes oceânicas quanto em rios de fluxo contínuo. Instalados submersos, esses sistemas convertem o fluxo de água diretamente em eletricidade. Mesmo em menor escala, podem atender regiões remotas, como comunidades da costa amazônica, onde o acesso à rede elétrica é limitado e muitas localidades dependem de geradores a diesel.

Para ampliar a capacitação técnica do projeto, o INPO formou uma rede colaborativa com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Fundação Getúlio Vargas (FGV). O objetivo é investir em pesquisas de mestrado, doutorado e pós-doutorado focadas na tecnologia,  destinando às bolsas R$ 4,3 milhões do total investido no projeto.

“As energias renováveis offshore encontram-se atualmente em fase pré-comercial, o que exige avanços nos níveis de maturidade tecnológica (TRL). Para alcançar estágios de implantação, essas soluções passam por modelagem, simulação, construção de modelos reduzidos para teste e protótipos em escala real. O Centro de Energia Azul atuará justamente nesse estágio intermediário, viabilizando a prova de conceito e o detalhamento de projetos para aplicação em escala real. Ao final do projeto, para cada tecnologia está contemplada a entrega de respectivo projeto-piloto para instalação no mar, etapa que prepara o caminho para aplicações comerciais em larga escala”, conclui Estefen.

Uma linha de transmissão entre o passado e o futuro

Um dos compromissos centrais da Memória da Eletricidade é registrar avanços, inovações e marcos que transformam o setor energético brasileiro, como este projeto, que representa um passo decisivo para reduzir a dependência de combustíveis fósseis e acelerar a transição para uma matriz limpa. Para conhecer outros momentos que marcaram a evolução da energia no país, consulte o acervo da instituição e explore a história rica e diversa do setor.

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