Líder em inovação tropical, Brasil atua para transformar ciência agrícola em eficiência e sustentabilidade no campo
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 4 de novembro de 2026
Ao completar sete anos, CropLife Brasil destaca o rigor da regulação sanitária e da segurança alimentar no país, mas aponta os avanços necessários para ampliar alcance das tecnologias e a presença internacional do setor

O Brasil é o único país do cinturão tropical do planeta que desenvolveu uma agricultura competitiva no mercado internacional. Na avaliação da presidente da CropLife Brasil (CLB), Ana Repezza, produzir o ano inteiro é uma das vantagens da agricultura tropical brasileira. Mas, ao mesmo tempo que favorecem as lavouras, o calor e a umidade mantêm a pressão de pragas, doenças e plantas daninhas. Dessa forma, transformar essas condições em produção competitiva exige ciência e acesso a tecnologias inovadoras. E são esses desafios que movem o trabalho desenvolvido pela associação.

Fundada em 31 de outubro de 2019, a instituição é a fusão de quatro entidades: Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico (ABCbio), Associação das Empresas de Biotecnologia na Agricultura e Agroindústria (Agrobio) e Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB). Hoje, conta com 53 associadas da indústria de pesquisa e inovação em biotecnologia, germoplasma, bioinsumos e defensivos agrícolas.
No aniversário de sete anos da CLB, Ana reconhece a importância do que foi consolidado nessa fase, como o rigor do sistema regulatório e a segurança do alimento produzido no país. Com o ímpeto de continuar nessa evolução setorial, a entidade busca contribuir, a partir do diálogo com o poder público e a comunidade científica, para tornar a análise de novas tecnologias mais ágil, com rigor científico, e ampliar o reconhecimento e a presença internacional da inovação agrícola desenvolvida no Brasil.
Essas duas frentes partem de uma base produtiva que a CLB começou a medir em 2025, quando lançou sua plataforma de dados setoriais, o CropData. Em conjunto com a consultoria Markestrat, o primeiro levantamento apurou que o setor faturou R$ 114,1 bilhões em 2024 e investiu R$ 3,5 bilhões em pesquisa e desenvolvimento, o equivalente a 3% do faturamento. Segundo Ana, o percentual é quatro vezes maior que a média nacional de investimento em pesquisa, que fica entre 0,6% e 0,7%.
Entre os “frutos colhidos” com os investimentos significativos e constantes no setor, o país cresceu 494,8% na produção de grãos entre as safras 1990/91 e 2024/25, avançando apenas 115,8% em área cultivada, de acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e da Fundação Getulio Vargas (FGV) Agro. O salto tecnológico poupou 144 milhões de hectares que seriam necessários para obter a mesma safra sem ganho de produtividade.
Ciência brasileira merece reconhecimento
Pesquisadores brasileiros dedicam a carreira para solucionar problemas que só existem nos trópicos, como a pressão de pragas o ano todo. Mas, apesar dos resultados e do elevado conhecimento científico, as características do modelo produtivo brasileiro ainda são pouco percebidas, inclusive dentro do país.
Pesquisa da Nexus encomendada pela CropLife Brasil aponta que 24% dos entrevistados não sabem definir o que é agricultura tropical de forma espontânea. Ou seja, um em cada quatro formadores de opinião e tomadores de decisão do setor desconhecem o modelo produtivo do país. Contudo, no mesmo levantamento, feito com parlamentares, servidores do Executivo Federal, jornalistas especializados em política e empresários do agronegócio, 95% afirmam ver o Brasil como referência em inovação e tecnologia para a agricultura e 85% o reconhecem como potência agrícola mundial.
“O conceito de agricultura tropical ainda não está cristalizado entre a população brasileira, especialmente entre decisores, e isso impacta diretamente a forma como o setor é visto e, principalmente, regulado”, afirma Ana.

Campo demanda por tecnologia
Ampliar o acesso dos produtores às tecnologias agrícolas é uma das frentes defendidas pela CLB para fortalecer a produção brasileira. Ao permitir um manejo mais eficiente de pragas, doenças e plantas daninhas, essas soluções ajudam a reduzir perdas nas lavouras e a preservar a oferta de alimentos, contribuindo para conter a pressão sobre os preços pagos pela população.
Conduzido por 17 pesquisadores em cooperação técnico-científica com a associação, estudo da Universidade Federal de Viçosa (UFV) estima que 54% a 65% do potencial de produção da soja podem estar em risco pela pressão simultânea de pragas, doenças e plantas daninhas. A produtividade potencial seria de 4.926 quilos por hectare. A média observada na safra 2024/25 ficou em 3.622.
Em um cenário sem controle, a perda média alcançaria 121,3 milhões de toneladas, R$ 223,5 bilhões e US$ 17,6 bilhões a menos em receita de exportação por safra. Compensar a quebra exigiria 3,5 milhões de hectares, área equivalente ao Estado de Goiás. Como consequência, a pressão sobre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) chegaria a 0,26 ponto percentual.
Um aumento de 10% no preço da soja elevaria o óleo de soja em 4,6%, o leite em 1,7% e a margarina em 1,4%. Em todas as combinações avaliadas, o saldo do controle fitossanitário foi positivo.
Caixa de ferramentas da lavoura tropical
O resultado do estudo sustenta a necessidade do produtor ter à disposição uma “caixa de ferramentas” que reúna soluções desenvolvidas para as condições brasileiras. “A agricultura tropical é um sistema complexo de manejo, seja pela pressão do clima ou de pragas. Você precisa ter vários instrumentos para conseguir manejar essas lavouras da melhor forma possível”, diz Ana.
A lógica por trás do argumento está no clima. Em países temperados, o inverno rigoroso reduz a população de pragas e a lavoura reinicia o ciclo com pressão biológica baixa. Já nos trópicos, temperatura e umidade mantêm pragas, doenças e plantas daninhas ativas durante todo o ano.
Nesse cenário, cada tecnologia cumpre uma função. O bioinsumo reduz a dependência de fertilizantes e se soma ao defensivo químico. Por sua vez, a biotecnologia amplia a tolerância a estresses e a semente adapta a planta ao solo e ao clima locais.
O modelo desenvolvido no Brasil começa a cruzar fronteiras. Em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), a CLB mantém o projeto Renera, que busca projetar no exterior a ciência e a capacidade produtiva brasileiras e, com isso, abrir novos mercados para as empresas do setor de bioinsumos.
Até o fim do ano, a CropLife Brasil entregará ao governo de transição no âmbito federal um documento com sugestões e propostas relevantes para o setor, alinhado com o planejamento estratégico da entidade para os próximos dez anos. Apesar de não antecipar os detalhes do documento, Ana aponta um direcionamento para um futuro próximo: construir um ambiente regulatório mais dinâmico, que estimule investimento em pesquisa e inovação, e o reconhecimento da tecnologia agrícola brasileira como produto e serviço, não apenas como insumo invisível das cadeias que abastece.
Se a meta é avançar, o país que desenvolveu a única agricultura tropical competitiva do planeta pode passar a exportar também o conhecimento que a tornou possível.