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Carreira nos EUA: Fernanda Cortes explica caminhos a profissionais brasileiros
Por PulseBrand

Carreira nos EUA: Fernanda Cortes explica caminhos a profissionais brasileiros

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 30 de outubro de 2026

Para muitos brasileiros, mudar-se para os Estados Unidos pode representar um avanço profissional. Uma oportunidade de emprego, a expansão de uma empresa, uma transferência internacional ou a possibilidade de consolidar a própria atuação em outro mercado estão entre os caminhos que levam profissionais a considerar essa mudança.

O perfil de quem já vive no país ajuda a contextualizar esse cenário. Segundo o Migration Policy Institute, 48% dos imigrantes do Brasil com 25 anos ou mais tinham bacharelado ou formação superior em 2024. A escolaridade, no entanto, representa apenas um dos fatores envolvidos em um projeto migratório voltado ao trabalho.

Os Estados Unidos contam com diferentes categorias de visto relacionadas à atividade profissional. Algumas exigem a participação de uma empresa, outras atendem transferências entre organizações do mesmo grupo e ainda há alternativas que consideram qualificações e realizações acumuladas ao longo da carreira.

“Antes de olhar para o nome de um visto, é importante entender qual situação sustenta o projeto. Cada modalidade oferece soluções e segue regras diferentes”, explica Fernanda Cortes, advogada licenciada nos Estados Unidos e à frente da Cortes Immigration Law Firm, em Orlando.

Contratação nos Estados Unidos

Entre os vistos para quem pretende trabalhar temporariamente nos Estados Unidos está o H-1B, destinado às chamadas ocupações especializadas.

A categoria envolve funções que exigem conhecimentos específicos e, em geral, formação superior relacionada à área de atuação ou experiência equivalente. O empregador participa do processo e apresenta a petição em nome do trabalhador.

Por isso, uma proposta de emprego representa apenas uma parte do processo. O cargo oferecido e as qualificações do candidato precisam atender às exigências da categoria.

Fernanda chama atenção para outro aspecto: o profissional precisa avaliar as condições migratórias antes de organizar toda a mudança em torno da oportunidade. “Receber uma proposta é uma etapa importante, mas existem questões jurídicas que precisam ser esclarecidas antes de assumir compromissos com base naquela vaga.”

Transferências dentro de empresas

Quem já trabalha em uma companhia com operações nos Estados Unidos encontra outra alternativa no visto L-1. A categoria contempla determinadas transferências de executivos, gerentes e profissionais que exercem funções que envolvem conhecimento especializado.

Nesse caso, entram na análise a relação entre as empresas, o período de trabalho no exterior e a função que será desempenhada nos Estados Unidos. A existência de uma filial ou companhia relacionada no país, portanto, não torna qualquer funcionário automaticamente elegível.

Para Fernanda, esse tipo de processo exige atenção também à estrutura da operação. “A transferência precisa fazer sentido dentro da relação entre as empresas e das responsabilidades daquele profissional. Não se trata apenas de mudar o local onde ele trabalha.”

Quando o reconhecimento profissional ganha peso

O visto O-1 faz sentido para profissionais que construíram uma trajetória relevante em suas áreas. Na modalidade O-1A, entram pessoas com habilidade extraordinária em ciências, educação, negócios e esportes. Já o O-1B contempla profissionais das artes e pessoas com realizações extraordinárias no cinema ou na televisão.

Para demonstrar esse nível de atuação, o processo considera evidências concretas. Prêmios de relevância nacional ou internacional estão entre elas, mas não representam o único caminho.

Conforme o caso, também entram materiais publicados sobre o profissional, participação em associações que exijam realizações de destaque, contribuições relevantes para a área, atuação na avaliação do trabalho de outros profissionais, remuneração elevada ou funções essenciais em organizações reconhecidas.

O ponto central está em demonstrar como o profissional se posicionou dentro da própria área, e não apenas quanto tempo acumulou de experiência.

“É importante olhar para a qualidade das evidências e para o que elas mostram sobre aquela carreira. Um documento isolado diz pouco; o conjunto precisa ajudar a demonstrar o nível de atuação exigido pela categoria”, explica Fernanda.

Caminhos ligados à residência permanente

Há também alternativas para quem relaciona o projeto de carreira a uma residência permanente nos Estados Unidos. Entre elas está a categoria EB-2, destinada a pessoas com formação acadêmica avançada ou habilidade excepcional.

Dentro do EB-2, o National Interest Waiver, conhecido como NIW, permite solicitar a dispensa da oferta de trabalho e da certificação trabalhista. Para isso, além de se enquadrar no EB-2, o candidato precisa demonstrar que o projeto apresentado atende aos critérios estabelecidos para a dispensa por interesse nacional.

Na avaliação do NIW, entram questões relacionadas à relevância do projeto proposto, à capacidade do candidato de levá-lo adiante e às razões pelas quais seria benéfico dispensar as exigências normalmente vinculadas à oferta de trabalho.

Fernanda destaca que essa análise desloca parte da atenção do currículo para aquilo que o profissional pretende desenvolver nos Estados Unidos. “Não basta olhar para o que a pessoa já fez. No NIW, também importa compreender o projeto que ela apresenta e como sua experiência ajuda a mostrar que tem condições de desenvolvê-lo.”

Organização antes de iniciar o processo

As diferenças entre essas categorias também mudam a documentação exigida. Currículo, diplomas, certificações e registros profissionais ajudam a apresentar o histórico do candidato, enquanto outras evidências ganham importância conforme a modalidade.

No O-1, por exemplo, o reconhecimento obtido na área assume maior peso. Em uma transferência pelo L-1, documentos sobre o vínculo profissional e a estrutura empresarial tornam-se fundamentais. Já outros pedidos exigem informações específicas sobre formação, experiência ou o projeto que será desenvolvido no país.

“Não é uma questão de juntar o maior número possível de documentos. O importante é saber o que precisa ser demonstrado e quais evidências realmente sustentam aquele pedido”, explica Fernanda.

Por isso, a orientação profissional antes do início do processo ajuda a entender as possibilidades disponíveis e os requisitos de cada caminho antes que o candidato tome decisões importantes relacionadas à mudança.

Fernanda Cortes possui mais de 10 anos de experiência profissional e lidera a Cortes Immigration Law Firm, em Orlando. O escritório atende em português, inglês e espanhol e atua com projetos migratórios de profissionais, empresários e famílias.

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