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Canetas emagrecedoras acendem alerta para perda de massa muscular; nutricionista explica cuidados

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 30 de outubro de 2026

Com a popularização de medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, estudos apontam que parte do peso eliminado pode incluir massa magra; alimentação e exercícios de força ajudam a preservar a musculatura durante o tratamento.

O crescimento do uso das chamadas canetas emagrecedoras no Brasil tem levantado uma preocupação entre profissionais de saúde: a perda de massa muscular durante o processo de emagrecimento. Embora medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro tenham demonstrado resultados importantes na redução do peso corporal, pesquisas indicam que parte dos quilos eliminados pode corresponder à massa magra, e não apenas à gordura.

Um estudo clínico publicado no New England Journal of Medicine, envolvendo 1.961 adultos com sobrepeso ou obesidade, demonstrou que o tratamento com semaglutida, medicamento da classe dos agonistas do receptor GLP-1, proporcionou uma redução média de 14,9% do peso corporal após 68 semanas, em comparação com 2,4% no grupo que recebeu placebo. A pesquisa, conhecida como STEP 1, reforça a eficácia desses medicamentos no tratamento da obesidade, mas também evidencia a importância do acompanhamento profissional durante o processo de emagrecimento.

O avanço do mercado também amplia a discussão sobre a importância do acompanhamento nutricional durante o tratamento, especialmente para pacientes que apresentam redução significativa do apetite e passam a consumir quantidades insuficientes de nutrientes.

Com atuação em emagrecimento, nutrição esportiva e avaliação da composição corporal, a nutricionista Júlia Woyames chama atenção para a necessidade de acompanhar não apenas os quilos eliminados, mas também possíveis alterações na massa muscular e no percentual de gordura.

“É importante entender que emagrecer não significa apenas perder peso na balança. O objetivo é reduzir gordura corporal, mas também preservar a musculatura e a capacidade funcional. Quando o paciente perde peso muito rapidamente e não mantém uma alimentação adequada, precisamos avaliar se parte dessa redução está comprometendo a massa magra”, explica a nutricionista.

Estudo aponta redução de 9,7% na massa magra com semaglutida

Uma análise exploratória do estudo clínico STEP 1, publicada no Journal of the Endocrine Society, avaliou as alterações na composição corporal de 140 participantes com sobrepeso ou obesidade submetidos ao tratamento com semaglutida.

Após 68 semanas, os participantes que receberam o medicamento na dose de 2,4 mg apresentaram redução média de 15% no peso corporal, enquanto o grupo placebo registrou diminuição de 3,6%.

Os pesquisadores também identificaram mudanças importantes na composição corporal dos pacientes tratados com semaglutida:

  • 19,3% de redução na massa de gordura total;
  • 27,4% de redução na gordura visceral regional;
  • 9,7% de redução na massa magra total.

Apesar da diminuição absoluta da massa magra, a proporção desse componente em relação ao peso corporal aumentou, uma vez que a perda de gordura foi proporcionalmente maior.

Os resultados não significam que toda a massa magra eliminada corresponda a músculos. Esse indicador também inclui água, órgãos e outros tecidos não gordurosos. Ainda assim, os dados reforçam a necessidade de monitorar a composição corporal durante o emagrecimento.

Para Júlia Woyames, os números mostram por que a avaliação nutricional precisa considerar indicadores que vão além da balança.

“Quando observamos uma redução de quase 10% na massa magra em um estudo, precisamos interpretar esse resultado com cuidado. Nem toda massa magra perdida representa músculo, mas o dado reforça a importância de acompanhar a composição corporal. O emagrecimento precisa ser avaliado pela qualidade da perda de peso, e não somente pela quantidade de quilos eliminados”, afirma.

Mercado de canetas emagrecedoras cresce 149% e amplia preocupação com uso inadequado

A popularização dos medicamentos também tem provocado mudanças no mercado farmacêutico brasileiro e nas medidas de fiscalização sanitária.

Uma análise científica do estudo clínico STEP 1, publicada no Journal of the Endocrine Society, identificou que pacientes tratados com semaglutida apresentaram redução média de 19,3% na massa de gordura corporal e de 27,4% na gordura visceral após 68 semanas. Entretanto, os pesquisadores também observaram uma diminuição de 9,7% na massa magra, resultado que reforça a importância do acompanhamento nutricional e da avaliação da composição corporal durante o tratamento para emagrecimento.

O levantamento identificou ainda quase quatro mil tentativas de fraude relacionadas a essas transações, que envolveram cerca de R$ 7,9 milhões.

Os valores representam as operações monitoradas pela empresa, não o faturamento total do setor farmacêutico brasileiro.

Diante da expansão do consumo, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) passou a exigir, em junho de 2025, a retenção de receita médica para a comercialização de medicamentos abrangidos pela regulamentação, incluindo produtos à base de semaglutida e tirzepatida.

Em 2026, a agência também divulgou um alerta sobre o risco de pancreatite aguda associado ao uso desses medicamentos, reforçando a necessidade de prescrição e acompanhamento médico, de preferência endocrinologista.

A preocupação envolve não apenas os efeitos adversos, mas também a utilização sem avaliação clínica adequada e a adoção de estratégias alimentares excessivamente restritivas.

“Esses medicamentos podem contribuir de forma importante para o tratamento da obesidade, mas não substituem os cuidados com a alimentação. Como muitos pacientes apresentam uma redução expressiva do apetite, existe o risco de consumir menos proteínas e outros nutrientes do que o organismo necessita. O acompanhamento nutricional ajuda a identificar essas situações e ajustar a alimentação de acordo com cada paciente”, comenta Júlia.

Por que a perda de massa muscular durante o emagrecimento preocupa?

A massa muscular desempenha funções importantes para o organismo, incluindo a manutenção da força, da mobilidade, do equilíbrio e da capacidade de realizar atividades cotidianas.

Durante o processo de emagrecimento, é comum que ocorra alguma redução de massa magra. Entretanto, perdas musculares excessivas podem comprometer a capacidade funcional, especialmente em pessoas idosas ou que já apresentam baixa quantidade de músculos.

A preocupação aumenta quando o emagrecimento ocorre acompanhado de ingestão insuficiente de proteínas, ausência de exercícios de força e restrições alimentares intensas.

Uma revisão científica publicada em 2025 na revista Obesity Reviews discutiu estratégias para minimizar a perda muscular durante o tratamento da obesidade com medicamentos baseados em incretinas. Os medicamentos baseados em incretinas são fármacos que imitam ou prolongam a ação de hormônios intestinais naturais (como o GLP-1 e o GIP) liberados pelo organismo após a alimentação.

Entre as medidas abordadas pelos pesquisadores estão o consumo adequado de proteínas, a prática de exercícios de resistência e o acompanhamento da composição corporal.

Segundo Júlia Woyames, a preservação muscular deve fazer parte do planejamento nutricional desde o início do tratamento.

“Não adianta olhar apenas para quantos quilos a pessoa perdeu. Precisamos avaliar como esse peso foi eliminado. Uma alimentação com proteínas suficientes, associada ao treinamento de força, pode ajudar a preservar a massa muscular. Isso faz diferença não apenas na aparência física, mas também na força, na mobilidade e na saúde a longo prazo”, destaca.

Alimentação e musculação ajudam a preservar a massa muscular

A redução do apetite é um dos efeitos esperados de medicamentos utilizados no tratamento da obesidade. Entretanto, quando a ingestão alimentar diminui significativamente, o paciente pode encontrar dificuldades para atingir suas necessidades diárias de proteínas, vitaminas e minerais.

Por isso, o planejamento nutricional deve considerar a quantidade de alimentos consumidos, a qualidade das refeições e as necessidades individuais de cada pessoa.

Alimentos como ovos, carnes, peixes,whey protein, leite, derivados e leguminosas são fontes de proteínas que podem contribuir para a manutenção muscular.

A quantidade necessária varia conforme idade, peso, condições de saúde, atividade física e objetivos do tratamento. Não existe uma recomendação única que seja adequada para todos os pacientes.

Além da alimentação, a prática de exercícios de resistência, como a musculação, representa uma estratégia importante para estimular a manutenção da massa muscular durante o emagrecimento.

“A musculação é uma aliada importante nesse processo, porque oferece um estímulo para a preservação dos músculos. Mas ela precisa estar associada a uma alimentação que forneça energia e nutrientes suficientes. O paciente que está utilizando uma caneta emagrecedora não deve simplesmente deixar de comer porque perdeu a fome”, orienta a nutricionista.

O acompanhamento profissional também permite adaptar a distribuição das refeições ao longo do dia, especialmente nos casos em que náuseas, sensação prolongada de saciedade ou outros efeitos gastrointestinais dificultam a alimentação.

Perder dez quilos não significa necessariamente eliminar dez quilos de gordura

Um dos principais desafios do acompanhamento do emagrecimento é compreender que o peso corporal reúne diferentes componentes, incluindo gordura, músculos, água, ossos e órgãos.

Duas pessoas podem apresentar a mesma redução na balança e, ainda assim, registrar resultados diferentes na composição corporal.

Enquanto uma pode eliminar predominantemente gordura, outra pode apresentar perda proporcionalmente maior de massa magra.

Por isso, avaliações periódicas podem contribuir para identificar alterações que não aparecem apenas na medição do peso.

Métodos como bioimpedância, absorciometria por dupla energia (DXA) e avaliação física pelo adipômetro podem ser utilizados conforme a indicação profissional, considerando as limitações de cada técnica.

Para Júlia, essa diferença é fundamental para compreender os resultados do tratamento.

“Duas pessoas podem perder dez quilos e apresentar resultados completamente diferentes. Uma pode ter eliminado predominantemente gordura, enquanto outra pode ter perdido uma proporção maior de massa magra. É por isso que a avaliação da composição corporal ajuda a compreender melhor a evolução do tratamento e a fazer ajustes quando necessário”, explica.

A nutricionista também ressalta que sinais como perda de força, fraqueza persistente e dificuldades para realizar atividades habituais merecem atenção durante o acompanhamento.

Quais cuidados são importantes para quem utiliza canetas emagrecedoras?

Embora os medicamentos possam oferecer benefícios importantes para pacientes com indicação clínica, o tratamento deve envolver medidas que contribuam para a preservação da saúde durante a perda de peso.

Entre os principais cuidados estão:

  1. Manter acompanhamento médico e nutricional: a utilização dos medicamentos deve ocorrer mediante prescrição, com avaliações periódicas e ajustes individualizados.
  2. Consumir proteínas em quantidade adequada: a alimentação precisa fornecer nutrientes suficientes para atender às necessidades do organismo.
  3. Praticar exercícios de força: atividades como musculação ajudam a estimular a preservação da massa muscular e da capacidade funcional.
  4. Acompanhar a composição corporal: avaliações periódicas podem complementar a análise da evolução do tratamento.
  5. Evitar dietas extremamente restritivas: a redução do apetite não elimina a necessidade de uma alimentação equilibrada.
  6. Observar alterações físicas: perda importante de força, fraqueza e dificuldades para realizar atividades cotidianas devem ser comunicadas aos profissionais responsáveis pelo tratamento.

A combinação dessas estratégias pode contribuir para que a redução de peso ocorra de maneira mais equilibrada, respeitando as necessidades e limitações individuais.

Emagrecimento saudável vai além dos números na balança

Com a expansão do mercado de medicamentos para emagrecimento, cresce também a necessidade de discutir os resultados do tratamento para além da quantidade de peso perdido.

Embora as canetas emagrecedoras representem um avanço importante no tratamento da obesidade, seu uso deve estar associado a uma abordagem que considere alimentação, atividade física, composição corporal e acompanhamento profissional.

Para Júlia Woyames, o principal objetivo é promover uma redução de peso que contribua para a saúde e possa ser sustentada ao longo do tempo.

“O sucesso de um tratamento não deveria ser medido apenas pela velocidade com que o peso diminui. O mais importante é que o paciente consiga melhorar sua saúde, preservar sua massa muscular e construir hábitos que contribuam para a manutenção dos resultados. Emagrecer com qualidade é tão importante quanto emagrecer”, conclui.

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