A era do GLP-1 está forçando uma mudança no mercado da beleza?
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 29 de outubro de 2026
Cirurgias plásticas, cosméticos, lasers, injetáveis e suplementos passam a ser direcionados para o cuidado de quem está emagrecendo com os análogos de GLP-1. A nova era da beleza passa pelo reconhecimento das mudanças expressivas provocadas pelo emagrecimento acelerado
A popularização dos medicamentos análogos de GLP-1, utilizados no tratamento da obesidade e de outras condições metabólicas, está provocando uma transformação que vai muito além da balança. À medida que um número crescente de pessoas passa por perdas expressivas de peso, a indústria da beleza começa a adaptar produtos, procedimentos e protocolos para lidar com um novo tipo de demanda: o corpo que emagreceu rapidamente e precisa ser cuidado durante e depois desse processo.
“Flacidez, excesso de pele e desproporções são comuns após o emagrecimento acelerado e podem afetar a autoestima. É nesse ponto que o acompanhamento médico se torna ainda mais importante. O trabalho não se limita a prescrever medicamentos, mas envolve estratégias para preservar massa magra, prevenir deficiências e melhorar a qualidade da pele”, explica a médica nutróloga Dra. Marcella Garcez, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia.
“Pessoas que eliminaram 20, 30 ou até 80 kg muitas vezes se veem diante de um corpo que apresenta flacidez, tem excesso de pele, e não representa a força da conquista. Para esses pacientes, a estética funciona como parte do processo de recuperação da autoestima”, explica o cirurgião plástico Dr. Carlos Manfrim, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). “Na prática, o que observamos é que, embora o emagrecimento seja um objetivo desejado por muitos, a perda rápida e significativa de peso pode deixar marcas físicas difíceis de ignorar: flacidez, excesso de pele e mudanças no volume facial”, explica a Dra. Beatriz Lassance, membro da SBCP.
A mudança já é observada no mercado internacional. Se inicialmente a reação esteve concentrada no chamado “Ozempic face”, associado à perda de volume facial e à flacidez percebida após emagrecimento, a tendência agora é caminhar para estratégias preventivas, personalizadas e desenvolvidas especificamente para as mudanças provocadas pela perda de peso. “O impacto vai além da face e pode afetar todo o corpo. Além disso, afeta as estruturas de sustentação: ossos, músculo e tecido adiposo”, comenta a farmacêutica Patrícia França, gestora científica da Biotec.
A transformação atinge diferentes setores simultaneamente. Dos cosméticos às cirurgias, passando pelos suplementos, procedimentos tecnológicos e injetáveis, a mudança no mercado de beleza está acelerada, pois no momento há uma mensagem clara: o corpo muda mais rápido do que a pele. No mercado cosmético, chamam atenção produtos como PDRN DNA Concentrate, da Ada Tina, com PDRN 100% vegano, extraído do embrião de cereais. “Essa nova tecnologia oferece uma ação biorregenerativa, rejuvenescedora e clareadora superior à do PDRN de origem animal, aliando alta performance, segurança e sustentabilidade”, explica o farmacêutico Dr. Maurizio Pupo, especialista em cosmetologia e CEO da Ada Tina. “O ativo ainda vai além da superfície da pele graças a exclusiva tecnologia DNA BLOCKS, que age como um verdadeiro adesivo biológico, reforçando a união entre derme e epiderme. Assim, o sérum é capaz de combater o derretimento facial ou ‘Ozempic Face’”, acrescenta o Dr. Maurizio.
Quanto aos procedimentos, embora pareça contraditório, a primeira grande transformação é estimular gordura! Mas, claro, no rosto. “No passado, não tão distante assim, as pessoas buscavam muito por tratamento de (redução de) gordura. Hoje as pessoas buscam muito por tratamento de flacidez e estímulo de gordura, que é a adipogênese”, explica a dermatologista Dra. Daniela Aidar, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional São Paulo (SBD-RESP). A médica explica que algumas plataformas de ultrassom microfocado, tecnologia estética que é utilizada para combater flacidez e até reduzir gordura, passaram a ser utilizadas em um conceito praticamente oposto: modular o tecido adiposo para recuperar discretamente a espessura da camada de gordura em regiões específicas da face. “O ultrassom microfocado, que antes era chamado de HIFU (High- Intensity Focused Ultrasound ) hoje é chamado, nessa nova configuração, de Low -Energy Focused Ultrasound.
Ainda não sabemos exatamente todos os mecanismos biológicos envolvidos, mas o que os estudos mostram é que o ultrassom microfocado, utilizado em baixas energias, parece estimular sinalizações celulares capazes de ‘despertar’ células-tronco do tecido adiposo, promovendo um espessamento dessa camada”, explica a Dra. Daniela. Isso é importante, pois o “esvaziamento” das células faciais de gordura faz o rosto cair. “Os compartimentos de gordura da face são responsáveis por dar volume, sustentação e contorno ao rosto. Além de proteger os músculos e os ossos da face. É como se eles fossem o ‘recheio’ do nosso rosto. Sem eles, a pele ‘sobra’ e ‘cai’”, explica a dermatologista Dra. Paola Pomerantzeff, membro da SBD. “O modo de adipogênese do ultrassom microfocado Linear Z faz uma biomodulação das células de gordura. O estímulo térmico estimula a regeneração do tecido adiposo em profundidades específicas. Com isso, as células de gordura voltam a ficar “normais” (adipócitos saudáveis)”, explica a Dra. Paola.
A dermatologista Dra. Adriana Cairo, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, speaker da Vydence® e professora de laser da Residência de Dermatologia do Hospital Heliópolis, explica que os protocolos incluem a associação de técnicas, com o smartlaser Zye e a biorremodelação do Profhilo, que atuam com o objetivo de melhorar a qualidade e hidratação da pele. “A ponteira YAG 5-15 é utilizada com foco na remodelação do colágeno e a ponteira 1340 nm, um laser não ablativo, pode contribuir para a melhora da densidade da pele. O handpiece de picossegundos ajuda a tratar textura e manchas. Após um intervalo de aproximadamente 15 a 20 minutos, o Profhilo é aplicado. Ele é o único biorremodelador injetável à base de ácido hialurônico e estimula mecanismos relacionados à melhora da qualidade, hidratação e estrutura da pele”, comenta a Dra. Adriana Cairo. O dermatologista deve ser consultado o quanto antes. “Os tratamentos dermatológicos mais indicados são as tecnologias capazes de aumentar a densidade da pele, como o Xerf, que é uma tecnologia de radiofrequência de segunda geração e que age na superfície e na profundidade dos ligamentos. Quanto antes o tratamento for iniciado, melhor. Até porque hoje se entende que o Mounjaro pode agir em receptores hormonais da pele, diminuindo ou dificultando a produção de colágeno”, esclarece a dermatologista Dra. Flávia Brasileiro, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.
Tratamentos capilares também estão em alta. “O cabelo deve fazer parte dessa avaliação. Quando existe queda, precisamos descobrir a causa, corrigir fatores associados e, a partir daí, lançar mão das ferramentas disponíveis para favorecer a recuperação dos fios”, pontua a Dra. Lilian Brasileiro, destacando, entre essas ferramentas, o FoLix, laser desenvolvido especificamente para queda de cabelo. “O laser fracionado não ablativo de 1565 nm distribui microfeixes de energia de maneira homogênea e controlada, criando pequenas zonas térmicas no tecido. Essas microzonas desencadeiam um processo de reparação tecidual que envolve aumento da vascularização, atividade de citocinas e fatores de crescimento relacionados à estimulação dos folículos. A proposta é criar um ambiente biologicamente mais favorável para a atividade folicular e, consequentemente, para a melhora da aparência, espessura e densidade dos cabelos”, detalha a Dra. Lilian.
Para as cirurgias faciais e corporais, o foco é a naturalidade. “Não só a lipoaspiração, como também o body lifting associado a tecnologias, todas as técnicas têm feito muito sucesso nesse caminho de fazer as pazes com a própria imagem – após a perda de peso”, acrescenta a Dra. Heloise Manfrim, cirurgiã plástica membro titular da SBCP. Uma indicação é aproveitar a gordurinha retirada na cirurgia para melhorar a qualidade da pele. “O procedimento também é chamado de ‘transferência de gordura’, justamente porque retiramos de uma área em que o paciente não quer (por exemplo flancos e interno de coxa, por meio da lipoaspiração) e aplicamos onde ele deseja mais volume, seja no rosto, nos seios, no glúteo ou em outras áreas do corpo. O procedimento não tem risco de rejeição e oferece preenchimento natural e duradouro”, completa o Dr. Carlos.
Até pacientes com prótese nas mamas recorrem aos consultórios. “Hoje recebo pacientes que conseguiram perder bastante peso com esses tratamentos e procuram a cirurgia plástica para cuidar das mudanças que acompanharam o emagrecimento. Nas mamas, as queixas mais comuns são a perda de volume, o esvaziamento do colo e a flacidez. Muitas dizem: ‘Eu gostei de emagrecer, mas sinto falta de como eram as minhas mamas’”, diz o Dr. Thiago Calado, cirurgião plástico membro da SBCP. “A prótese mantém o volume, mas os tecidos que a recobrem mudam com o emagrecimento. A paciente pode perder gordura nessa região, ficar com a pele mais flácida e perceber queda da mama, além de bordas ou ondulações da prótese mais visíveis. Para corrigir, primeiro avalio o que mudou. Posso indicar uma mastopexia para remodelar os tecidos, associar lipoenxertia para melhorar a cobertura ou, quando necessário, ajustar a posição ou trocar a prótese. Nem toda paciente precisa trocar o implante. A decisão depende do exame, das condições da prótese e do resultado que buscamos”, esclarece o Dr. Thiago Calado.
No rosto, a aposta é o Deep Plane Facelift, segundo o cirurgião plástico Dr. Paolo Rubez, membro da SBCP. “A técnica permite trabalhar em um plano anatômico profundo e reposicionar conjuntos de tecidos da face. A proposta é reduzir a dependência da tração cutânea e recuperar contornos faciais de maneira mais estrutural. O objetivo não é deixar o rosto com uma aparência operada. Quando conseguimos reposicionar os tecidos de maneira adequada, podemos melhorar o contorno e a flacidez sem criar uma tensão excessiva na pele. É justamente isso que contribui para um resultado mais natural”, explica o Dr. Paolo, que trouxe para o Brasil a tecnologia robótica para cirurgia plástica, permitindo ao cirurgião trabalhar com imagens ampliadas em 3D, maior precisão dos movimentos e eliminação dos tremores naturais das mãos, o que garante maior segurança ao paciente. “Quando o tratamento é bem planejado, o resultado não deve chamar mais atenção do que a própria pessoa. A ideia é que o paciente pareça descansado e rejuvenescido, mas continue sendo reconhecido. Um rosto excessivamente tensionado pode indicar que a pele foi submetida a uma tração maior do que deveria, sem que outras estruturas importantes tenham sido adequadamente consideradas”, concorda a Dra. Flávia Bonato, cirurgiã plástica membro da SBCP.
No que tange aos suplementos, vale reforçar o aporte de proteína, mas também oferecer minerais que tenham função para estimular proteínas de sustentação na pele. “Diversos micronutrientes, vitaminas e bioativos desempenham papéis importantes na estruturação celular. Vitamina C, Bio-Arct e Exsynutriment são indicados para síntese de colágeno; para garantir o aporte proteico, VegProtein é uma proteína 100% vegetal obtida da ervilha amarela, com perfil nutricional completo e alta digestibilidade e palatabilidade; já o Glycoxil, um peptídeo metabólito da carnosina com efeito antiglicante e desglicante, oferece proteção contra as marcas do açúcar. E sabemos que proteger as proteínas do organismo pode ser uma forma de pensar o envelhecimento saudável”, explica Patrícia. Para conferir ação antioxidante, o farmacêutico Dr. Maurizio Pupo recomenda o extrato da semente de uva. “Ele é rico em proantocianidinas, compostos fenólicos reconhecidos pelo elevado potencial antioxidante. As proantocianidinas ajudam a proteger proteínas estruturais importantes, como colágeno e elastina, contra danos oxidativos. Por isso, esse ativo costuma ser associado à manutenção da saúde vascular e ao suporte da integridade da pele”, destaca o farmacêutico.
E mesmo depois do emagrecimento e dos procedimentos, o suporte médico continua desempenhando um papel fundamental para garantir uma recuperação rápida, segura e com melhores resultados estéticos. “Estratégias como manter um aporte adequado de proteínas, vitaminas A, C e complexo B, minerais como zinco e selênio, além de hidratação correta e, quando necessário, suplementação personalizada, fazem diferença na recuperação”, finaliza a Dra. Marcella.
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