Força de trabalho da saúde cresce e exige formação depois do diploma
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 29 de outubro de 2026
O diploma habilita o profissional de saúde, e a formação continua depois dele. Novos protocolos, equipamentos, normas sanitárias e fluxos de atendimento chegam com frequência às instituições. Com o número de profissionais em expansão, manter todos atualizados virou uma questão de gestão para hospitais, laboratórios e operadoras.
Por que a formação continuada ganhou espaço nas instituições de saúde?
A formação continuada ganhou espaço porque a força de trabalho do setor cresce em ritmo acelerado. A enfermagem, maior categoria da saúde no país, reúne mais de 3 milhões de profissionais inscritos, segundo o Cofen (Conselho Federal de Enfermagem). Entre 2017 e 2022, o número de vínculos da categoria cresceu 44%, de 1 milhão para 1,5 milhão de postos. Na medicina, o estudo Demografia Médica no Brasil 2025, do Ministério da Saúde, da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e da AMB (Associação Médica Brasileira), projetou 635.706 médicos em atividade até o fim de 2025 e mais de 1 milhão em 2035.
Em palestra em agosto, o presidente do Cofen, Manoel Neri, defendeu mais planejamento na preparação de novos profissionais e alinhamento da oferta de cursos às demandas do sistema de saúde. A entrada constante de pessoas na força de trabalho faz da capacitação dentro das instituições uma etapa permanente.
Educação corporativa em escala
O LMS (Learning Management System, ou sistema de gestão de aprendizagem) da Inspand, empresa de educação corporativa, mostra o tamanho dessa demanda. A plataforma é usada atualmente por mais de 180 mil profissionais da saúde, que já concluíram mais de 690 mil cursos em 2026, média superior a 3,8 por pessoa. Entre as organizações atendidas estão Hospital Pequeno Príncipe, Saúde Petrobras, ICESP (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo), Rede Santa Catarina, Rede IMAS, Unimed Paraná, Amil e GRAACC (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer).
“A equipe de saúde não para para estudar no mesmo horário. São plantões, unidades e funções diferentes, e a plataforma precisa entregar o conteúdo certo para cada pessoa, no momento em que ela pode fazer o curso”, afirma Gustavo Marson, CTO da Inspand.
Para Cristiano Franco, CEO da empresa, a recorrência é o principal sinal de que o modelo funciona. “Quando um profissional conclui vários cursos ao longo do tempo, a atualização passou a fazer parte do trabalho dele. É isso que as instituições de saúde buscam: desenvolvimento contínuo, e não um treinamento pontual”, diz.
Treinamento como rotina
O movimento acompanha uma tendência mais ampla. A 20ª edição da Pesquisa Panorama do Treinamento no Brasil, da ABTD (Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento), registrou média de 26 horas anuais de treinamento por colaborador em 2025, ante 24 horas no ano anterior, com 89% das 443 empresas ouvidas já operando com orçamento anual de T&D (treinamento e desenvolvimento) definido. Na saúde, onde atualização técnica e padronização de protocolos estão ligadas à qualidade do atendimento, essa rotina tende a ganhar ainda mais peso.
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