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Como desenvolver líderes de obra diante da falta de mão de obra, segundo Elmar Varjão
Por SAFTEC DIGITAL

Como desenvolver líderes de obra diante da falta de mão de obra, segundo Elmar Varjão

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 28 de outubro de 2026

CEO da André Guimarães Engenharia e Infraestrutura analisa por que formar equipes e lideranças virou questão de prazo e qualidade nas obras.

Na avaliação de Elmar Varjão, CEO da André Guimarães Engenharia e Infraestrutura, um dos principais desafios de quem lidera operações de engenharia hoje não aparece em nenhuma planilha de custos: a formação de profissionais. O tema tem peso particular em sua trajetória. Ele iniciou a carreira como estagiário na OAS e, anos depois, chegou à presidência da companhia.

Entidades do setor, como a Câmara Brasileira da Indústria da Construção, têm apontado a escassez de mão de obra qualificada como um gargalo persistente da construção civil. Nesse contexto, a resposta mais comum das empresas é disputar no mercado os profissionais já prontos. O problema é que essa estratégia, repetida por todos ao mesmo tempo, encarece contratações e não aumenta o número de pessoas capacitadas.

O erro de tratar qualificação como problema do mercado

Uma construtora vence uma licitação, mobiliza o canteiro e só então descobre que não há armadores, montadores de estrutura metálica ou técnicos de planejamento disponíveis na região. O cronograma, desenhado com produtividade de equipes experientes, começa a escorregar já no primeiro mês.

Como pontua Elmar Varjão, uma vez que a qualificação é tratada como algo que o mercado deve entregar pronto, a empresa abre mão de controlar um dos fatores que mais influenciam prazo e qualidade na execução. Como resultado, depende da sorte de encontrar gente disponível e paga mais caro por ela, sem garantia de que os métodos de trabalho daquele profissional sejam compatíveis com os padrões do projeto.

O que se perde quando o conhecimento não circula?

Boa parte do saber de uma obra não está em norma técnica. Está na experiência do mestre de obras, que sabe ler o comportamento de uma forma antes da concretagem, ou do encarregado que antecipa a interferência entre tubulação e armadura. Quando esses profissionais se aposentam ou mudam de empresa sem transmitir o que sabem, o conhecimento vai junto.

Além disso, a ausência de transmissão aparece em indicadores concretos. Retrabalho, desperdício de material e incidentes de segurança costumam se concentrar em equipes com pouca integração entre veteranos e recém-chegados. Um olhar mais atento, como sugere Elmar Varjão, revela que o custo de formar alguém dentro do canteiro tende a ser menor do que o custo de corrigir o que uma equipe despreparada executou errado.

Outro ponto relevante é a padronização. Empresas que documentam procedimentos e criam rotinas de acompanhamento conseguem replicar o mesmo nível de qualidade em obras de regiões diferentes, mesmo com equipes montadas localmente.

Formação técnica e liderança de equipe são competências diferentes

O engenheiro tecnicamente brilhante nem sempre está preparado para coordenar cinquenta pessoas, negociar com fornecedores e tomar decisões sob pressão de prazo. Por outro lado, promover esse profissional sem preparo é uma prática recorrente no setor, e o resultado costuma ser a perda de um bom técnico sem o ganho de um bom gestor.

No diagnóstico de Elmar Varjão, que complementou a graduação pela UFBA com MBA em Gestão de Projetos pela FIA e formação em Governança Corporativa pelo IBGC, gestão de pessoas e tomada de decisão em projetos complexos exigem preparo próprio. Liderar uma frente de obra envolve leitura de contexto, comunicação clara e capacidade de distribuir responsabilidades, competências que podem ser desenvolvidas de forma deliberada.

Nessa direção, programas internos que combinam mentoria, rodízio entre funções e participação gradual em decisões de planejamento, como recomenda Elmar Varjão, ajudam a formar líderes que entendem o canteiro por dentro.

Quem forma equipes constrói a próxima obra

A discussão sobre talentos na engenharia costuma ser tratada como pauta de recursos humanos. Na leitura de Elmar Varjão, porém, ela pertence ao campo do planejamento estratégico. A capacidade de execução de uma empresa, ou seja, aquilo que de fato entrega a obra no prazo e com qualidade, depende das pessoas que ela consegue reter e desenvolver.

Esse cenário reforça a ideia de que investir em formação é uma decisão de longo prazo com efeito imediato. Cada estagiário bem acompanhado, cada encarregado preparado para liderar e cada procedimento transmitido reduz a dependência de um mercado que, sozinho, não tem dado conta da demanda. O canteiro que ensina hoje é o que terá equipe amanhã.

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