Um cânion submarino ajuda a formar ondas gigantes na Nazaré, e Antonella Giancoli explica por que a Benarrivati inclui o Forte de São Miguel Arcanjo nos roteiros por Portugal
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 28 de outubro de 2026
Na Praia do Norte, a combinação entre grandes ondulações do Atlântico e o Canhão da Nazaré pode amplificar as ondas até dimensões excepcionais. O fenômeno ganhou projeção mundial com o surfe de ondas grandes, mas a vila mantém uma história profundamente ligada à pesca
Do alto do promontório da Nazaré, a Praia do Norte pode mudar completamente de escala quando grandes ondulações chegam do Atlântico. Em dias favoráveis, paredes de água se formam diante da costa e quebram abaixo do Forte de São Miguel Arcanjo, um dos principais pontos de observação do fenômeno que transformou a vila em referência mundial do surfe de ondas grandes.
Antonella Giancoli, da Benarrivati, inclui a Nazaré nos roteiros por Portugal não apenas pelo impacto das ondas. A visita permite relacionar a geografia submarina que tornou a Praia do Norte famosa à história de uma comunidade cuja vida esteve ligada ao mar muito antes da chegada dos surfistas internacionais.
O cânion que modifica as ondas antes de elas chegarem à praia
A explicação está no Canhão da Nazaré, o maior cânion submarino da margem portuguesa e um dos maiores do mundo. Ele se estende por mais de 200 quilômetros, parte de profundidades superiores a 5.000 metros e chega muito perto da costa.
O fenômeno das ondas gigantes é mais complexo do que a ideia de um simples “canal” que conduz a energia até a praia. Segundo o Instituto Hidrográfico português, a ondulação se propaga mais rapidamente sobre as águas profundas do cânion do que sobre a plataforma continental mais rasa ao redor. Essa diferença provoca refração, modifica a orientação das ondas e cria zonas de convergência capazes de concentrar energia e aumentar sua altura.
O efeito é particularmente importante quando grandes ondulações chegam de oeste ou noroeste. Modelos estudados pelo Instituto Hidrográfico mostram que, em determinadas condições, uma ondulação de cerca de dez metros ao largo pode chegar perto do dobro dessa altura na região da Praia do Norte.
As ondas gigantes não aparecem todos os dias
O período mais associado às grandes ondulações vai do fim do outono ao inverno, sobretudo entre novembro e março. Mesmo nessa época, porém, não existe garantia de ondas gigantes: altura e formato dependem da ondulação gerada no Atlântico, de sua direção, do período das ondas, do vento e de outras condições marítimas.
Foi uma dessas combinações que colocou a Nazaré definitivamente no mapa internacional do surfe. Em 1º de novembro de 2011, Garrett McNamara surfou na Praia do Norte uma onda medida oficialmente em 23,77 metros, então recorde mundial.
Desde então, outros recordes foram registrados no mesmo local. O alemão Sebastian Steudtner surfou em 29 de outubro de 2020 uma onda de 26,21 metros, reconhecida pelo Guinness como recorde masculino da categoria, enquanto a brasileira Maya Gabeira alcançou 22,4 metros em fevereiro do mesmo ano, recorde feminino.
Um forte do século XVI transformado em mirante para o mar
O Forte de São Miguel Arcanjo não nasceu por causa do surfe. Sua construção começou em 1577, durante o reinado de D. Sebastião, com finalidade defensiva. Em 1644, D. João IV determinou sua remodelação e ampliação. No início do século XX, já sem a antiga função militar, o edifício recebeu um farol, colocado em funcionamento em dezembro de 1903.
Hoje, sua posição sobre o promontório oferece uma vista direta para a Praia do Norte e para a zona em que as ondas gigantes se formam. O local também ganhou espaços relacionados à história do surfe de ondas grandes e tornou-se uma das principais referências para quem acompanha os dias de maior ondulação.
Para Antonella, a imprevisibilidade do mar precisa fazer parte da própria maneira de apresentar a Nazaré.
“A Nazaré não funciona como uma atração com horário marcado. Podemos viajar durante a temporada certa e encontrar um mar impressionante ou condições muito mais tranquilas. O interessante é entender por que aquelas ondas podem acontecer e depois conhecer a vila para perceber que sua relação com o oceano começou muito antes do surfe”, explica Antonella Giancoli.
Nos roteiros da Benarrivati, a época da viagem e as condições previstas podem ser consideradas na organização da passagem pela região, sem tratar a presença de ondas gigantes como algo garantido.
Antes dos surfistas, uma vila marcada pela pesca
A ligação da Nazaré com o mar é muito anterior à projeção internacional da Praia do Norte. A pesca está documentada na região desde pelo menos o século XVII, e a ocupação permanente da faixa junto à atual praia cresceu principalmente a partir do início do século XIX.
Parte dessa memória permanece visível na secagem tradicional do pescado, ainda realizada em estruturas junto à praia. Também sobrevive no traje feminino associado à Nazaré, conhecido pelas sete saias. Algumas mulheres ainda usam versões dessa indumentária, embora as explicações populares para o número sete sejam variadas e não exista uma única origem histórica comprovada para a tradição.
A vila também se divide entre a área baixa, junto ao mar, e o Sítio, no alto do promontório. A ligação entre as duas partes ganhou um ascensor em 28 de julho de 1889, projetado por Raul Mesnier du Ponsard e ainda hoje integrado à mobilidade e à imagem da Nazaré.
Um litoral que vai além das ondas gigantes
Nos roteiros da Benarrivati, a Nazaré pode ser combinada com outros pontos do centro de Portugal, entre eles Alcobaça, Batalha e Óbidos. A proximidade permite inserir a costa em uma viagem que também percorre mosteiros, vilas históricas e outras paisagens da região.
Para Antonella Giancoli, o interesse da Nazaré está justamente em não separar o fenômeno natural da história local. O Canhão da Nazaré explica por que a Praia do Norte pode produzir ondas excepcionais; o Forte oferece uma posição privilegiada para observá-las; e a vila lembra que, muito antes dos recordes mundiais, aquela comunidade já organizava sua vida em torno do mesmo Atlântico.
Sobre a Benarrivati
Fundada e liderada por Antonella Giancoli, a Benarrivati é uma holding de viagens de alto padrão especializada em desenhar jornadas sob medida pelo solo europeu e africano. Com operação própria e equipes de concierges locais, a companhia elimina intermediários para garantir segurança jurídica, transparência financeira e discrição inegociável em cada etapa da experiência. Pautada pela ética do relacionamento e pela valorização do tempo, a Benarrivati transforma a hospedagem em propriedades privadas em uma forma de preservar memórias e legados familiares.
A OESP não é(são) responsável(is) por erros, incorreções, atrasos ou quaisquer decisões tomadas por seus clientes com base nos Conteúdos ora disponibilizados, bem como tais Conteúdos não representam a opinião da OESP e são de inteira responsabilidade da Agência Saftec