Eco Invest prevê R$ 49,9 bilhões para financiar inovação em 6 cadeias produtivas
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 29 de outubro de 2026
- Circularidade de resíduos minerais e industriais concentra o maior volume previsto, com R$ 11 bilhões
- Bradesco, HSBC, Itaú e Santander foram selecionados para estruturar fundos e operações de crédito
- Valores representam intenções de alocação e poderão ser ajustados durante a execução
O quinto leilão do Eco Invest Brasil teve seu resultado homologado em 7 de outubro, com propostas que preveem mobilizar R$ 49,95 bilhões para financiar inovação em seis cadeias produtivas ligadas à transformação ecológica. O total reúne R$ 13,2 bilhões em capital público e R$ 36,75 bilhões em recursos privados previstos, segundo o relatório de pré-alocação consolidado do Tesouro Nacional.
As cadeias contempladas incluem circularidade de resíduos, automação e inteligência artificial, fertilizantes verdes, biomateriais, minerais críticos e combustíveis de baixo carbono. Os valores representam intenções de alocação, sujeitas a ajustes durante a execução, e não recursos já desembolsados para empresas.
A rodada recebeu 23 propostas de seis instituições financeiras, que somaram R$ 181,3 bilhões em demanda entre fundos de inovação e crédito corporativo. Participaram Banco do Brasil, Bradesco, Citibank, HSBC, Itaú e Santander. Ao final, Bradesco, HSBC, Itaú e Santander foram selecionados para estruturar os fundos e as operações nas seis cadeias.
As instituições puderam apresentar propostas para uma ou mais cadeias, com limite de três cadeias por instituição vencedora. A seleção considerou critérios como capacidade de mobilização de capital privado, participação de recursos estrangeiros e financiamento de projetos em cooperação com universidades e instituições de pesquisa.
A relação entre o volume total previsto e o capital público é de aproximadamente 3,8 vezes. Isso significa que cada R$ 1 de recursos públicos deverá viabilizar cerca de R$ 3,80 em financiamento total, dos quais aproximadamente R$ 2,80 correspondem à parcela privada.
Fundos e crédito apoiarão inovação e ampliação da produção
Criado para mobilizar capital privado nacional e estrangeiro para projetos relacionados à transformação ecológica, o Eco Invest utiliza recursos públicos como capital catalítico: aportes destinados a estimular a participação de financiadores privados.
O desenho do quinto leilão combina três mecanismos: fundos de inovação, crédito corporativo e apoio não reembolsável à pesquisa aplicada e ao empreendedorismo de base tecnológica. A proposta é aproximar o desenvolvimento científico das necessidades das empresas e apoiar a passagem de novas tecnologias para a escala produtiva.
Dos R$ 13,2 bilhões em capital público homologado, R$ 9 bilhões serão destinados aos fundos de inovação. Essa parcela deverá mobilizar R$ 18 bilhões privados, totalizando R$ 27 bilhões.
Outros R$ 4,2 bilhões públicos serão destinados ao crédito corporativo, com previsão de mobilizar R$ 18,75 bilhões privados. Nesse mecanismo, o volume total previsto chega a R$ 22,95 bilhões. Segundo o Ministério da Fazenda, as linhas seguirão o modelo dos leilões anteriores, com financiamento direto a empresas prontas para ampliar sua produção.
Seis cadeias concentram os recursos previstos
A maior parcela do volume previsto ficou com a cadeia de circularidade de resíduos minerais e industriais, com R$ 11 bilhões. O objetivo é apoiar atividades que transformem resíduos em insumos produtivos, ampliem a reciclagem e reduzam a dependência de matérias-primas virgens. O Bradesco foi selecionado para essa frente.
A mesma instituição venceu nas cadeias de fertilizantes verdes, bioinsumos e proteínas alternativas, com R$ 9 bilhões, e de biomateriais e química verde, com R$ 8,5 bilhões. Essas frentes abrangem o desenvolvimento de insumos agrícolas, materiais e processos industriais associados à transformação ecológica.
A cadeia de automação e inteligência artificial aplicada a processos produtivos e tecnológicos tem R$ 9,75 bilhões previstos, com o Itaú como instituição selecionada. Entre as atividades elegíveis estão automação, robótica e manufatura inteligente.
O Santander foi selecionado para a cadeia de beneficiamento de minerais críticos, baterias e mobilidade elétrica, com R$ 6,5 bilhões. O HSBC ficou com combustíveis verdes avançados, biogás e biometano, com R$ 5,2 bilhões.
Os valores de cada cadeia incluem fundos de inovação e crédito corporativo. As instituições selecionadas serão responsáveis pela constituição dos fundos e pela estruturação das operações destinadas aos projetos elegíveis.
Pesquisa terá apoio não reembolsável e parceria com universidades
Como contrapartida, os bancos também deverão destinar recursos não reembolsáveis à pesquisa aplicada e ao empreendedorismo de base tecnológica. O relatório do Tesouro estima aproximadamente R$ 249,8 milhões para essas ações. Segundo a Fazenda, o apoio está previsto para o primeiro ano.
Além disso, as propostas vencedoras destinam entre 10,25% e 20% das aplicações dos fundos de inovação a projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação em cooperação com universidades e Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação (ICTs). Os percentuais superam o mínimo de 10% estabelecido para a rodada.
Essa combinação busca apoiar tanto o desenvolvimento tecnológico quanto sua incorporação às atividades produtivas, conectando empresas e instituições de pesquisa.
Execução terá acompanhamento e verificação externa
A homologação será seguida pela constituição dos fundos, estruturação das operações e seleção dos projetos pelas instituições financeiras. A concretização dos valores previstos dependerá da mobilização dos recursos e da execução das propostas.
Conforme o relatório do Tesouro, serão elaborados relatórios financeiros, de alocação e de alinhamento ao programa com base na destinação efetiva dos recursos. Esses documentos passarão por verificação externa, incluindo auditoria financeira independente.
O acompanhamento permitirá comparar os volumes anunciados com os recursos efetivamente aplicados nas cadeias produtivas e nos projetos de inovação.

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