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Vale vê potencial para mineração dobrar sua participação no PIB brasileiro
No microfone, Rafael Bittar, vice-presidente executivo técnico da Vale.

Vale vê potencial para mineração dobrar sua participação no PIB brasileiro

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 20 de outubro de 2026

No Invest Mining Summit 2026, o vice-presidente executivo técnico da companhia destacou a demanda global por minerais, defendeu maior previsibilidade no licenciamento e apontou a recuperação da reputação do setor como desafio estratégico.

A mineração brasileira tem potencial para dobrar sua contribuição para o Produto Interno Bruto (PIB) do país, segundo Rafael Bittar, vice-presidente executivo técnico da Vale. A avaliação foi apresentada nesta terça-feira (20), durante a terceira edição do Invest Mining Summit 2026. Para o executivo, o avanço depende de aproveitar as reservas minerais do país, ampliar a produção e superar entraves ao desenvolvimento de novos projetos.

Segundo Bittar, a transição energética, a descarbonização e a expansão dos centros de dados impulsionam a demanda global por recursos minerais, enquanto as disputas geopolíticas ampliam a importância estratégica do setor. “Nunca se falou tanto em mineração como se tem falado nos últimos anos. Isso é muito importante e mostra a oportunidade que nós temos”, afirmou.

Demanda global amplia potencial brasileiro

De acordo com o executivo, a mineração representa entre 2% e 2,5% do PIB brasileiro, considerando a contribuição direta do setor, e responde por cerca de 50% do saldo da balança comercial, conforme os números apresentados durante o evento. Para ele, a comparação com países como Chile, Austrália e Peru evidencia espaço para ampliar a participação da atividade na economia nacional.

“ A gente poderia estar dobrando a contribuição da mineração para o PIB, aumentando o número de empregos, a arrecadação, aproveitando depósitos que a gente tem e colocando eles de pé”, disse.

Bittar alertou para o risco de escassez de minerais diante do crescimento da demanda e do longo prazo necessário para desenvolver novos empreendimentos. Segundo ele, serão necessárias 67 novas minas de lítio nos próximos dez anos para atender à procura pelo metal. O executivo ressaltou ainda o potencial brasileiro em cobre, terras raras, grafita e minério de ferro e defendeu uma estratégia que contemple o conjunto da indústria mineral, e não apenas os minerais considerados críticos.

Para viabilizar essa expansão, Bittar destacou a importância de ampliar a produção, especialmente de cobre e minério de ferro, e colocar em operação depósitos já identificados. O desenvolvimento de etapas industriais para minerais críticos também pode agregar valor à economia, mas exige investimentos e planejamento de longo prazo.

Entre os obstáculos à expansão da atividade, Bittar destacou a demora e a imprevisibilidade dos processos de licenciamento ambiental, as lacunas no conhecimento geológico e as limitações de infraestrutura, especialmente para projetos de grande escala. Ele defendeu procedimentos mais ágeis, sem eliminar as exigências ambientais, e maior segurança jurídica para viabilizar investimentos de longo prazo.

“ Não é passar a etapa de licenciamento, não é deixar de fazer o que tem que ser feito, mas fazer com mais previsibilidade”, afirmou. O executivo também defendeu que o Conselho Estratégico de Minerais Críticos tenha atuação voltada ao fomento da indústria, evitando decisões que aumentem os riscos para os investidores.

Reputação do setor é desafio estratégico

Bittar apontou a percepção negativa da sociedade sobre a mineração como outro obstáculo ao desenvolvimento do setor. Para ele, demonstrar os avanços tecnológicos, a segurança operacional e os benefícios econômicos e sociais da atividade é fundamental para ampliar a aceitação dos empreendimentos pelas comunidades.

Como parte dessa transformação, o executivo destacou iniciativas da Vale em automação, inteligência artificial, reaproveitamento de rejeitos e descarbonização das operações. Segundo ele, a estratégia da companhia inclui desenvolver minas com tecnologias integradas desde a concepção, reduzir impactos ambientais e ampliar a geração de valor compartilhado. “O potencial está aí, não há dúvida. Talvez, o nosso grande desafio seja recuperar a nossa reputação”, concluiu.

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