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Como a IA se tornou aliada na segurança de grandes eventos no Brasil?
Foto: Natalino Oliveira

Como a IA se tornou aliada na segurança de grandes eventos no Brasil?

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 16 de outubro de 2026

Tecnologia da Pax adotada no Ceará e em Goiás ajudou a localizar 26 pessoas com mandados de prisão em aberto; apesar das mudanças significativas na aparência, homem procurado desde 2013 foi identificado e preso

A mudança significativa na aparência não foi suficiente para evitar que um homem procurado pela Justiça desde 2013 por roubo à mão armada fosse identificado no meio da multidão durante a edição de 2026 de uma das maiores festas populares do país, a Expocrato, na região do Cariri, no sul do Ceará. A captura foi possível graças ao apoio da inteligência artificial , que cruzou a imagem captada pelo circuito de monitoramento do evento com as bases de dados judiciais e disparou o alerta ao centro de comando. A partir desse instante, as forças policiais entraram em ação, conferindo a identidade do suspeito, promovendo a abordagem e, posteriormente, a prisão.

Este é apenas um caso que ilustra o potencial da IA que passou a integrar o planejamento de segurança de grandes eventos, em que a concentração de pessoas acrescenta um desafio a mais para as forças policiais. Somente neste ano, a tecnologia contribuiu para a localização de 26 pessoas com mandados de prisão em aberto em eventos no Ceará e em Goiás.

Por trás dessa camada de inteligência artificial está a Pax, empresa brasileira fundada em 2024 – inicialmente com o nome Paladium – com o desafio de desenvolver uma tecnologia nacional voltada à segurança pública. A marca atual foi adotada em maio, quando a companhia se apresentou oficialmente ao mercado.

O interesse por esse tipo de solução tem uma explicação operacional. Um evento de grande porte concentra um contingente de pessoas capaz de ultrapassar a população de muitas cidades brasileiras. O efetivo policial, no entanto, é dimensionado com base em outro cálculo. O resultado é um cenário em que cada suspeita exige reação quase imediata, com menos agentes disponíveis do que o volume de público demandaria.

É nesse desequilíbrio que a tecnologia entra em ação para realizar uma função específica: utilizar toda a sua capacidade de processamento e análise de dados para identificar possíveis suspeitos. Por sua vez, a decisão de realizar ou não a abordagem é do agente de segurança em campo.

Estreia da IA em eventos no Nordeste

A operação que resultou na captura do foragido ocorreu durante os oito dias de festa no Parque de Exposições Pedro Felício Cavalcante, em Crato. O homem constava nos bancos de dados oficiais com uma fotografia que já não correspondia à sua fisionomia atual. Na prática, esse tipo de alteração costuma inviabilizar a identificação visual por um agente público nas telas de monitoramento.

O caso, porém, não foi isolado. Durante o evento, a plataforma apoiou a localização de 19 pessoas procuradas pela Justiça, a maioria por roubo, furto e organização criminosa, de acordo com balanço divulgado pela Pax. A iniciativa foi um projeto-piloto, com a visão computacional integrada às câmeras que o parque já possuía, sem qualquer instalação de novos equipamentos.

Resultados semelhantes também foram registrados em dois eventos em Goiás. No mais recente, o sistema do programa IA Contra o Crime ajudou a encontrar um homem que acumulava dois mandados de prisão em aberto e um histórico com mais de sete ocorrências, como homicídio, roubo, tráfico de drogas e violência contra a mulher.

Ele foi identificado pelo sistema e detido pela polícia durante a 32ª edição da Expoagro de Luziânia, que aconteceu entre os dias 10 e 13 de setembro. A captura dele foi uma das sete detenções da feira apoiadas pela tecnologia. A lista soma ainda um procurado por homicídio, um evadido do sistema prisional do Distrito Federal e duas pessoas com mandados por pensão alimentícia em atraso.

O primeiro grande teste da tecnologia este ano, porém, aconteceu durante o MotoGP Brasil 2026, em março, no Autódromo Internacional de Goiânia. O evento reuniu aproximadamente 150 mil pessoas e registrou apenas um furto de um aparelho celular.

Para o evento, a Secretaria de Segurança Pública de Goiás articulou um esquema integrado que colocou em campo mais de 1,2 mil agentes, apoiados por 350 viaturas, drones e helicópteros. O Centro Integrado de Inteligência, Comando e Controle concentrava a operação: imagens de drones e de câmeras equipadas com reconhecimento facial e leitor de placas chegavam ao centro no instante em que eram captadas.

Os resultados apresentados pela solução desenvolvida pela Pax desenham um novo padrão para a segurança de grandes eventos no Brasil. A inteligência artificial não substitui o agente público. Entretanto, conectada às câmeras já existentes nos locais dos eventos, a ferramenta contribui para a estratégia das forças de segurança.

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