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Aos 40 anos, Memória da Eletricidade amplia as formas de contar a história do setor elétrico
Por Memória da Eletricidade

Aos 40 anos, Memória da Eletricidade amplia as formas de contar a história do setor elétrico

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 16 de outubro de 2026

Instituição chega às quatro décadas expandindo o acesso ao acervo e transformando documentos, objetos e relatos em exposições, publicações, espaços culturais e experiências digitais

Quantas memórias cabem em 40 anos? Na vida de uma pessoa, quatro décadas atravessam diferentes fases, experiências e transformações. Para uma instituição dedicada a preservar histórias, esse tempo também permite olhar para a própria trajetória e perceber como mudaram as formas de registrar, pesquisar e compartilhar o passado.

Neste 16 de outubro de 2026, a Memória da Eletricidade completa 40 anos dedicados à preservação, documentação e disseminação da história de todo setor elétrico brasileiro. Fundada em 1986, a instituição reúne hoje quase 2 milhões de páginas de documentos textuais em seu acervo e, nos últimos anos, passou a buscar novas maneiras de aproximar esse patrimônio da sociedade.

Exposições virtuais, publicações, espaços culturais e conteúdos para as redes sociais passaram a se somar ao trabalho permanente de preservação documental, pesquisa e organização do acervo. Ao chegar às quatro décadas, a Memória amplia o patrimônio sob sua guarda e as possibilidades de fazê-lo circular e alcançar novos públicos.

O movimento acontece em um momento em que o próprio setor elétrico passa por transformações. Nos últimos cinco anos, desde que a instituição completou 35 anos, a expansão das fontes solar e eólica e da geração distribuída, assim como o aumento das discussões sobre modernização das redes, armazenamento de energia e integração de diferentes fontes, modificaram o cenário.

Nesse contexto, preservar o que foi construído ao longo do tempo garante o acesso ao conhecimento e contribui para a construção das decisões que podem definir o futuro.

“Chegar aos 40 anos demonstra a relevância de um trabalho que se mantém necessário mesmo diante das transformações do setor elétrico. Ao longo dessas quatro décadas, a Memória consolidou um patrimônio histórico que precisa continuar sendo preservado, mas também compartilhado e colocado em diálogo com a sociedade. Para os próximos anos, seguimos com o compromisso de ampliar o alcance desse conhecimento e mostrar que compreender a trajetória do setor é fundamental para pensar seus próximos caminhos”, destaca Alberto Jardim, presidente da Memória da Eletricidade, à frente da instituição desde 2023.

Acervo em expansão

Desde o início das atividades, o acervo da Memória da Eletricidade esteve em constante crescimento, formado a partir da reunião de documentos produzidos por empresas, órgãos e profissionais ligados ao setor elétrico e posteriormente doados à instituição. O conjunto reúne arquivos institucionais e pessoais, projetos de história oral, pesquisas históricas e acervos bibliográficos e museológicos, distribuídos em cinco tipologias: Iconografia, Audiovisual, Sonoro, Documentos Textuais, e Tridimensional Somados, são mais de 230 mil itens.

Em 1988, por exemplo, a Memória recebeu duas doações que se tornariam marcantes em sua trajetória. Uma delas foi a biblioteca particular do engenheiro Léo Amaral Penna, um dos conjuntos que contribuíram para a formação da Rede de Bibliotecas da Energia, hoje composta por mais de 160 mil itens entre livros, relatórios técnicos, documentos históricos e publicações científicas. A outra foi o conjunto iconográfico do engenheiro César Rabello, que registrou o processo de construção da Usina Hidrelétrica Alberto Torres, conhecida como Piabanha.

Nas décadas seguintes, novas doações continuaram ampliando esse patrimônio. Durante os anos 1990, mais de 60% do acervo de procedência pessoal já havia sido incorporado. Em 2025, outros 11 doadores contribuíram para a entrada de mais de 2.200 itens, entre eles profissionais com longa trajetória no setor, como Fernando Perrone, que soma mais de 40 anos de atuação na Eletrobras, atual AXIA Energia.

Acervo chegando ao público

A partir de 2025, histórias guardadas no acervo ganharam uma nova forma de chegar ao público, transformadas em exposições virtuais na plataforma Google Arts & Culture.

Em apenas um ano, pesquisas realizadas a partir desses documentos deram origem a quatro mostras. Uma delas recuperou a trajetória da Usina Hidrelétrica Alberto Torres, mais conhecida como Piabanha, construída no início do século XX para atender ao crescimento da demanda por energia elétrica no estado do Rio de Janeiro.

História da construção de Piabanha se tornou exposição virtual. Foto: Acervo Memória da Eletricidade
História da construção de Piabanha se tornou exposição virtual. Foto: Acervo Memória da Eletricidade

A exposição nasceu da pesquisa de um conjunto documental incorporado ao acervo décadas antes: cerca de 400 registros fotográficos doados por Cesar Rabello Cotrim, neto do engenheiro César Rabello, responsável pelo projeto e pela construção da usina. O material passou por processos de conservação, pesquisa, digitalização e curadoria até ganhar uma nova dimensão pública, integrando a mostra e o acervo digital da instituição.

Outros trabalhos recuperaram a história da Exposição Nacional de 1908 e as relações entre eletrificação e urbanização do Rio de Janeiro, ambas a partir de imagens raras preservadas de Augusto Malta, um dos principais fotógrafos da história da cidade.

A mais recente destacou a trajetória da Usina Flutuante Poraquê, originalmente construída nos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial. Na década de 1950, foi trazida ao Brasil e, até 1991, levou energia a cidades de Norte a Sul do país, como Rio de Janeiro, Porto Alegre e Manaus, em momentos de crise de abastecimento. A narrativa foi reconstruída a partir da preservação, digitalização, tratamento e contextualização de documentos, imagens e de um livro de bordo com registros diários da operação.

A ampliação impulsionou a presença da Memória em matérias e conteúdos na grande mídia, somando, entre janeiro e outubro de 2026, cerca de 60 menções. Nas redes sociais, vídeos, carrosséis e outros conteúdos produzidos a partir do acervo alcançaram milhões de pessoas. Em maio de 2026, a instituição chegou à marca de 100 mil seguidores no Instagram e, atualmente, já ultrapassa 120 mil.

Novos espaços para a memória

Procurando ultrapassar os limites do acervo, a Memória passou a levar sua experiência em preservação e pesquisa para outros campos, transformando-a em espaços, publicações e atividades.

Em 2021, a Memória da Eletricidade firmou uma parceria com o Centro de Documentação da Itaipu Binacional – Margem Esquerda para preservar e organizar milhares de documentos sobre a construção e a operação da usina, desde os primeiros estudos técnicos, nos anos 1950, até 2016. incluíam estudos de viabilidade técnica, relatórios, fotografias, documentos em CDs e disquetes e outros materiais, com a atividade sendo concluída em 2023.

No mesmo ano, a instituição firmou contrato com o Ecomuseu de Itaipu para a realização de um diagnóstico institucional, oferecendo uma visão panorâmica das práticas desenvolvidas pelos diferentes setores e das possibilidades de valorização da memória da empresa.

O trabalho deu origem ao Convênio Memória Itaipu, desenvolvido entre 2023 e 2026 em cinco frentes: História Oral, com a coleta de 50 depoimentos de colaboradores e ex-colaboradores; Linha do Tempo Interativa, organizada nos eixos Institucional, Energia e Meio Ambiente; Repositório Itaipu Saberes, destinado à consulta de produções bibliográficas, técnicas e científicas; Espaços de Memória Virtuais, com versões digitais de exposições implantadas em escritórios e setores da empresa; e Galeria de Mídias e Acervo do Ecomuseu, envolvendo o tratamento de um conjunto de mais de 100 mil fotografias históricas.

As iniciativas foram reunidas no Portal Memória Itaipu, ambiente virtual de acesso exclusivo pela intranet, criado para facilitar a consulta aos materiais pelos colaboradores.

Em Brasília, na sede do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a história do setor ganhou também um espaço físico. Inaugurado em 2026, o Espaço Cultural Mario Santos reúne conteúdos históricos, tecnológicos e artísticos sobre a evolução da operação do Sistema Interligado Nacional (SIN).

Com curadoria da Memória da Eletricidade, o espaço homenageia em vida o engenheiro Mario Santos, primeiro diretor-geral do ONS, e abriga a exposição “Energia que Conecta”, composta por painéis interativos, conteúdos audiovisuais e outras experiências.

As trajetórias individuais também encontraram novas formas de serem preservadas e compartilhadas. Em 2022, ano em que o engenheiro Mario Bhering (1922–2009), ex-presidente da Eletrobras e fundador da Memória da Eletricidade, completaria 100 anos, a instituição publicou o livro de arte “100 anos de Mario Bhering”, que em 2026 ganhou uma segunda edição bilíngue (português-inglês).

A publicação reúne mais de 40 aquarelas produzidas pelo engenheiro, que também se dedicava à pintura. Em paralelo, uma exposição virtual reuniu 59 de suas obras mais expressivas.

Além disso, as trajetórias de José Antonio Muniz e José Luiz Alquéres, importantes engenheiros e dirigentes do setor, deram origem a dois volumes da coleção “Depoimento Biográfico”, publicados em 2023 e 2024, respectivamente.

O próximo título da coleção será dedicado ao engenheiro Altino Ventura, ex-presidente da Eletrobras, ex-diretor-técnico executivo da Itaipu Binacional e ex-secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia (MME).

“O que encanta em nosso trabalho é perceber que, por trás de cada grande transformação do setor elétrico, existem pessoas com histórias incríveis. Quando criamos um espaço multifuncional como o Espaço Cultural Mario Santos ou transformamos trajetórias em livros, estamos dando rostos para essa história, mostrando quem foram essas pessoas, o que elas viveram e o quanto contribuíram para o setor. Poder reunir essas memórias e fazer com que elas circulem e cheguem a novas pessoas é especial”, celebra Claudia Trigueiro, diretora-executiva da Memória da Eletricidade.

Mais recentemente, a expansão alcançou outro campo da infraestrutura brasileira. Em junho de 2026, a Memória da Eletricidade firmou uma parceria com a Fundação Memória do Transporte (FuMTran), aproximando acervos dedicados às histórias da energia elétrica e do transporte e prevendo o desenvolvimento de iniciativas conjuntas.

Caminhos para preservar o presente

Se novas formas de acesso permitem revisitar o passado, as transformações em curso também colocam o desafio de preservar o que está sendo produzido atualmente e preparar o acervo para as próximas décadas.

Em 2025, a Memória da Eletricidade deu mais um passo nesse sentido com o projeto “Energia para o Futuro: Preservação e Difusão da História da Eletricidade no Brasil”. Selecionada pelo edital de Recuperação e Preservação de Acervos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), a iniciativa recebeu um aporte para a condução de ações de tratamento, digitalização e disponibilização de documentos históricos.

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Trabalho de organização de mapas realizado pela equipe de acervo e pesquisa. Foto: Leila Guimarães / Acervo Memória da Eletricidade

Desde então, o trabalho tem levado ao ambiente digital documentos raros, fotografias, mapas, vídeos e registros técnicos que ajudam a compreender a evolução do setor. Até o encerramento do projeto, previsto para 2028, a expectativa é que sejam organizadas e acondicionadas 918.900 páginas de documentação textual, além de milhares de itens iconográficos, sonoros e audiovisuais.

“Para os próximos anos, em razão da tendência de constantes transformações do setor, é importante que a Memória renove seu compromisso principal de preservação e disseminação desta trajetória. Acredito que o principal caminho seja impulsionar iniciativas de história oral, publicações editoriais, como os depoimentos biográficos, e retomar atividades de pesquisa científica. É o papel da Memória da Eletricidade ter essa história registrada e pronta para consulta”, define o historiador Paulo Brandi, pesquisador da instituição desde 1987.

É nesse encontro entre tempos que a Memória da Eletricidade projeta os próximos anos: preservando o passado, acompanhando as mudanças do presente e criando formas de fazer esse conhecimento chegar à sociedade. Porque a história do setor elétrico não está apenas nos documentos de décadas atrás. Ela continua sendo construída todos os dias e basta o passar de um segundo para que o agora também se torne memória.

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