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Do bisturi ao alvo: a nova lógica da uro-oncologia
Por PressWorks

Do bisturi ao alvo: a nova lógica da uro-oncologia

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 9 de outubro de 2026

Durante décadas, a cirurgia ocupou o centro do tratamento de boa parte dos tumores urológicos, muitas vezes com a retirada do órgão afetado. Com o avanço das opções terapêuticas, a decisão passou a considerar uma equação mais ampla: como controlar a doença, preservar funções e manter a qualidade de vida, sem abrir mão da segurança oncológica.

“O futuro da uro-oncologia não é tratar mais, é tratar melhor, escolhendo para cada paciente o tratamento correto, no momento certo, sem abrir mão do controle da doença”, resume o uro-oncologista Renato Mariano.

É no câncer de bexiga que essa mudança se mostra mais evidente hoje, na avaliação do médico. “Acredito que os avanços no tratamento do câncer de bexiga sejam hoje o grande destaque da uro-oncologia, especialmente com a chegada de novas terapias sistêmicas”, afirma. A incorporação de novas combinações de tratamentos tem ampliado as possibilidades de controle da doença em diferentes cenários. Paralelamente, estratégias de preservação vesical vêm ganhando espaço em pacientes cuidadosamente selecionados, permitindo, em situações específicas, tratar o tumor sem a retirada da bexiga. São frentes distintas, que refletem uma mesma evolução: oferecer alternativas cada vez mais individualizadas, de acordo com as características da doença e do paciente.

Essa mudança de paradigma também aparece de forma clara no câncer de próstata, embora por caminhos diferentes. Pacientes com tumores de baixo risco podem hoje permanecer em vigilância ativa, com acompanhamento rigoroso, sem cirurgia nem radioterapia imediatas. Quando o tratamento é necessário, terapias focais podem tratar de forma mais localizada a região comprometida, preservando o restante da glândula em pacientes selecionados. Já na doença avançada, o lutécio-177 ligado ao PSMA trouxe uma nova maneira de levar o tratamento diretamente às células do câncer. O que chama atenção agora é que essa estratégia, inicialmente utilizada em fases mais avançadas da doença, vem sendo estudada e incorporada cada vez mais cedo, em momentos em que a doença ainda pode ser melhor controlada. Essa tendência de antecipar tratamentos mais precisos é um dos exemplos de como a uro-oncologia vem mudando sua forma de tratar o câncer.

Essa transformação é impulsionada, na avaliação de Renato Mariano, pela rapidez com que novos conhecimentos se traduzem em tratamentos disponíveis na prática clínica. “O mais importante é a velocidade com que esses avanços estão chegando aos pacientes. Estamos vivendo um momento em que descobertas que antes levavam anos para mudar a prática começam a fazer parte das decisões clínicas em um intervalo cada vez menor”, afirma.

Esse mesmo avanço esbarra, no entanto, em uma percepção que o médico faz questão de desfazer, a de que tratamento mais agressivo é sinônimo de tratamento mais eficaz. “Um tratamento mais mutilante não precisa ser sempre a regra. O objetivo é controlar ou curar o câncer, preservando, sempre que possível, a função e a qualidade de vida”, afirma.

Na prática clínica, isso se traduz em uma decisão cada vez menos padronizada. “Temos terapias sistêmicas mais efetivas e exames mais precisos, o que permite individualizar melhor a decisão para cada paciente”, explica Renato Mariano. A cirurgia continua sendo fundamental na uro-oncologia, mas hoje faz parte de um conjunto mais amplo de possibilidades, que inclui vigilância ativa, terapias focais, estratégias de preservação de órgãos e novos tratamentos sistêmicos. A escolha da estratégia depende do tipo de tumor, do estágio da doença e das características de cada paciente.

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