Dia do Empreendedor: 11 negócios que enxergaram oportunidades e transformaram ideias em empresas
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 5 de outubro de 2026
Número de empresas com CNPJ cresceu 41% em dez anos, enquanto o Brasil ocupa a 6ª posição mundial em taxa de empreendedores estabelecidos
O empreendedorismo segue ganhando espaço no Brasil, impulsionado pelo aumento da formalização e pela consolidação de negócios criados por quem enxergou oportunidades em diferentes mercados. Segundo dados da pesquisa Empreendedorismo Informal Sob a Ótica da PNAD Contínua, analisados pelo Sebrae, o número de empresas com CNPJ cresceu 41% entre 2015 e 2025, passando de 7,45 milhões para 10,5 milhões. O cenário não se resume à abertura de novos negócios: a consolidação de empresas também ganha destaque. Pesquisa do Monitor Global de Empreendedorismo (GEM 2025) mostra que o país ocupa a 6ª posição mundial em taxa de empreendedores estabelecidos, com 12,4% da população adulta mantendo negócios há mais de 3,5 anos.
Celebrado em 5 de outubro, o Dia do Empreendedor coloca em evidência justamente as trajetórias de quem transforma oportunidades em negócios e encontra diferentes caminhos para crescer em mercados competitivos. O empreendedorismo vai além da decisão de abrir uma empresa: em muitos casos, a jornada passa por identificar necessidades pouco atendidas, desenvolver soluções e adaptar o modelo de negócio conforme novas demandas surgem.
É esse movimento que aparece em cases de empreendedores que encontraram diferentes caminhos para estruturar, expandir e diversificar seus negócios, confira:

Um exemplo é a Saúde Livre Vacinas, rede especialista em imunização, que nasceu da necessidade pessoal do casal Fábio Argenta e Rosane Orth Argenta, que enfrentaram dificuldades para encontrar vacinas complementares para os próprios filhos. Com investimento inicial de R$ 30 mil, abriram a primeira unidade em 2012 em Lucas do Rio Verde (MT) e entraram para o franchising em 2017. Hoje, a rede conta com mais de 200 unidades entre abertas e em implantação pelo Brasil, e registra cerca de 240 mil doses aplicadas por ano, além de faturamento médio de R$ 90 mil por unidade. A meta é chegar a 254 operações até o fim deste ano e alcançar uma média de 500 aplicações mensais por clínica com a maturação das novas operações. Em 2025, a empresa faturou R$ 110,2 milhões e projeta chegar a R$ 172 milhões neste ano, um crescimento de 70%. “Somos muito claros quanto ao potencial do negócio. Pensamos que a verdade e a clareza são importantes para o alinhamento de expectativas de ambas as partes”, comenta Rosane, CEO da rede.

Quando se pensa em adaptação a uma demanda de mercado, destaca-se o Emagrecentro, rede especializada em emagrecimento e estética corporal. Fundada pelo médico Edson Ramuth em 1986, em São Bernardo do Campo (SP), a empresa começou como um centro médico e incorporou tratamentos de estética e emagrecimento depois de perceber que havia uma procura crescente por esse tipo de serviço. A mudança ajudou a ampliar a clientela e, em 1994, o Dr. Ramuth transformou a clínica em uma rede de franquias. Anos depois, outra mudança veio da própria operação, ao perceber que conhecimento médico não significava necessariamente habilidade para administrar uma unidade, o fundador ampliou o perfil dos franqueados e passou a separar a gestão do atendimento médico. “Hoje, temos orgulho de ter atendido e transformado a vida de mais de 5 milhões de pessoas, com mais de 450 unidades no Brasil e operações em outros países, como Estados Unidos e Paraguai. Para este ano, prevemos crescer cerca de 20% e inaugurar 60 novas clínicas, além de continuar avançando internacionalmente”, conta o Dr. Ramuth, fundador e CEO da rede.

Para além de um negócio tradicional, empresas como a Baunny, confecção especializada em moda fitness premium e produção em modelo White Label, mostram como uma mudança de rota pode acontecer ainda no início de uma marca. Fundada em 2025 pelas amigas Camila Hathy e Raissa de Albuquerque, a empresa nasceu com foco no consumidor final, mas começou a receber pedidos de outras marcas interessadas em suas peças e modelagens. “Começamos pensando no consumidor final, mas percebemos que outras marcas estavam procurando a gente pelas nossas peças e modelagens. Quando esses pedidos começaram a se repetir, entendemos que existia uma oportunidade ali e decidimos redirecionar o negócio para atender também outras empresas, entrando de vez no mercado B2B”, afirma Camila Hathy, cofundadora e diretora de Comunicação da Baunny. Hoje, a empresa já produziu para cerca de 300 marcas no Brasil e no exterior e projeta faturar R$ 10 milhões em 2026, mostrando como a identificação de uma nova demanda pode abrir caminhos de crescimento para negócios em fase inicial.

A percepção de uma dor de mercado também está na origem da Yungas, plataforma especializada na gestão de grandes marcas, que conecta mais de 32 mil unidades e atende mais de 200 redes no Brasil e no exterior. Criada por Guilherme Reitz em 2018, a empresa surgiu para solucionar um desafio que ele identificou no setor de franquias: organizar informações e transformar dados de milhares de operações em decisões mais eficientes. A experiência anterior de Reitz no empreendedorismo de tecnologia, incluindo a venda de uma startup para uma das maiores plataformas de comércio eletrônico da América Latina, contribuiu para a construção do negócio. “A nossa plataforma centraliza a comunicação, treinamentos, auditorias, checklists, indicadores e recursos de inteligência artificial em um único ambiente, substituindo processos antes espalhados por planilhas, e-mails e aplicativos de mensagens. Hoje, na Yungas ampliamos o uso de inteligência artificial para apoiar a gestão e a tomada de decisões dessas redes”, compartilha Guilherme Reitz, sócio-fundador e CEO da Yungas.

A experiência acumulada antes de empreender também pode ser o ponto de partida de um negócio. É o caso de Samara Perez, fundadora da Markable, agência de comunicação especializada no setor de franquias. Jornalista com passagens por áreas como varejo, turismo e grandes agências de assessoria de imprensa, ela decidiu abrir o próprio negócio em 2009, ano em que seu filho nasceu, começando na sala de casa com uma estrutura enxuta e os contatos conquistados na profissão. Depois de uma primeira sociedade que não correspondia aos seus planos, criou a Markable em 2011. As indicações espontâneas de clientes levaram a agência naturalmente à especialização em franquias e, desde 2016, Samara comanda a operação a distância, dos Estados Unidos, apoiada em processos claros e em uma cultura de autonomia. Em 15 anos, a Markable já atendeu mais de 300 clientes e cresceu mais de 500% em uma década. “Sempre acreditei que cuidar das pessoas e entregar com excelência em cada detalhe era o melhor caminho para crescer. Agora, com a inteligência artificial, estamos reformulando nossos processos e preparando nos tornar uma agência 360°”, afirma Samara Perez, fundadora e CEO da Markable.

Em mercados mais tradicionais, uma oportunidade de negócio também pode surgir da experiência de quem identifica um potencial ainda pouco explorado. Foi assim com Cleber Gomes, fundador da Maestria, empresa especializada em consórcios e produtos financeiros no B2B, criada em sociedade com Márcio Müller. Durante a faculdade, Cleber teve o primeiro contato com o mercado de consórcios e, depois de ser contemplado em uma operação, passou a utilizar o crédito de forma estratégica, dando os primeiros passos no segmento. A experiência despertou seu interesse pelo setor e o levou a empreender, mas uma sociedade mal sucedida trouxe dificuldades financeiras e o obrigou a reconstruir a trajetória profissional. Foi nesse momento que surgiu a parceria com Márcio, que também buscava construir seu próprio negócio e, ao conhecer o projeto, identificou no mercado de consórcios uma oportunidade de crescimento e decidiu se juntar à empreitada. Juntos, fundaram a Maestria em 2014, em Porto Alegre (RS), inicialmente sem capital próprio e enfrentando dificuldades financeiras nos primeiros anos. “Mais de uma década depois, já movimentamos mais de R$ 5 bilhões em vendas de consórcio desde a fundação, sendo R$ 1,6 bilhão somente em 2025. Para 2026, a nossa expectativa é alcançar R$ 3 bilhões em vendas e ampliar a rede para 300 operações”, afirma Cleber Gomes.

A lógica de identificar um gargalo e criar uma solução também aparece no mercado de investimentos. A Arara Seed, plataforma de equity crowdfunding criada por Henrique Galvani em 2022, nasceu da experiência do empreendedor acompanhando de perto empresas do agronegócio e startups e percebendo que, além de desenvolver boas soluções, muitos negócios enfrentavam dificuldades para encontrar capital e crescer. “Ao conhecer mais de perto o ecossistema de startups e venture capital, percebi que existia uma oportunidade de aproximar investidores de empresas que estavam criando soluções importantes para o agro, mas ainda tinham poucas alternativas para captar recursos”, afirma Galvani. A percepção ganhou força durante uma temporada nos Estados Unidos, quando o empreendedor teve contato com modelos alternativos de investimento e voltou ao Brasil decidido a desenvolver uma solução voltada ao setor. Hoje, a Arara Seed conecta investidores a startups de agro, food e climate tech e trabalha com a meta de chegar a R$ 120 milhões investidos em 100 startups até 2030.

Empreender é estar atento às mudanças da sociedade. Foi nesse contexto que Leonildo e Roseli Aguiar criaram, em 2002, um serviço com funcionamento ininterrupto em São Paulo, acompanhando o ritmo da população. Pioneira no segmento, a Academia Gaviões 24h permitiu que os alunos treinassem a qualquer hora, sete dias por semana. Atualmente, a marca promove saúde e bem-estar para mais de 400 mil alunos em mais de 120 unidades, com planos de expansão para encerrar o ano com 300 unidades em operação e implantação. “Nossa visão de empreendedorismo sempre esteve ligada à capacidade de antecipar movimentos e entender como as mudanças na rotina das pessoas podem abrir espaço para novos modelos de negócio”, destaca Priscila Aguiar, CEO à frente da Academia Gaviões 24h.

Essa mesma leitura de mercado orientou Guilherme Mauri e Douglas Pena, sócios da Minha Quitandinha, startup de tecnologia em varejo que atua com franquias de minimercados autônomos. Em 2020, durante a pandemia, os empreendedores apostaram em um formato que oferecia acesso contínuo a produtos e compras sem intermediários, acompanhando a busca dos consumidores por mais conveniência e praticidade. A proposta ganhou força nos anos seguintes, impulsionada pela expansão do varejo de superproximidade. Hoje, a Minha Quitandinha já soma mais de 870 unidades no Brasil e projeta faturar R$ 170 milhões em 2026, crescimento de 37% no número de lojas e de 70% na receita. “O maior reconhecimento do nosso crescimento foi a estreia, neste ano, no ranking das 20 maiores microfranquias do Brasil, elaborado pela Associação Brasileira de Franchising”, destaca Guilherme Mauri, CEO da rede.

Na mesma direção, acompanhando a busca por mais flexibilidade no dia a dia, Gustavo Guedes e Rowena Miller identificaram a oportunidade de adaptar os serviços à rotina dos clientes. Criada em 2023, a Spazzio Beauty foi pioneira no conceito de fast beauty no Espírito Santo, oferecendo atendimento sem hora marcada. Atualmente, com dez unidades em operação no Espírito Santo, segue um plano estruturado de crescimento para todo o Sudeste, com projeção de encerrar 2026 com 15 operações, alcançando o faturamento de R$ 12 milhões. “A nossa oportunidade estava em olhar para um hábito tradicional por uma perspectiva diferente, mudando a lógica, criando um modelo em que o cliente não precisa adaptar sua rotina ao salão, mas o salão se adapta à rotina dele”, pontua Gustavo Guedes, sócio e diretor comercial da empresa.

Seguindo a tendência de soluções voltadas à agilidade e à proximidade, Leandro Aguiar criou, em 2026, a Fast Treino. A rede de academias inteligentes combina tecnologia e automação em circuitos full body, com treinos de força e cardio concluídos em até 36 minutos. Os aparelhos tecnológicos, o sistema próprio de check-in e os espaços compactos foram desenvolvidos para atender especialmente ao perfil do público de São Paulo, onde a marca nasceu. Presente no franchising desde abril, a marca já soma 10 unidades entre comercializadas e em implantação. “O segmento de academias reúne uma demanda recorrente e um consumidor cada vez mais atento à experiência. Foi justamente essa combinação que me motivou a empreender no setor e criar um modelo inovador”, afirma Leandro Aguiar, CEO da rede.
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