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A demora na Justiça analisada pelo Doutor Valdemir Ferreira Santos
Por SAFTEC DIGITAL

A demora na Justiça analisada pelo Doutor Valdemir Ferreira Santos

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 2 de outubro de 2026

Estrutura administrativa, complexidade das ações, recursos humanos, tecnologia e organização ajudam a explicar por que o volume de processos não determina sozinho o tempo da Justiça.

A demora da Justiça costuma ser relacionada imediatamente ao grande volume de processos em tramitação. Para o Doutor Valdemir Ferreira Santos, porém, compreender a questão exige observar diferentes fatores que interferem no funcionamento do sistema. A complexidade das demandas, a estrutura das unidades, a disponibilidade de equipes, os procedimentos previstos em lei e o uso da tecnologia influenciam o tempo necessário para que cada caso avance.

Por que o número de processos não explica toda a demora?

A quantidade de ações recebidas pelos tribunais exerce pressão sobre a estrutura disponível, mas processos diferentes exigem esforços distintos. Uma demanda simples pode depender de poucas etapas, enquanto outra necessita de perícias, produção de provas, manifestações das partes e análise de questões jurídicas complexas. Portanto, dois processos iniciados no mesmo período não necessariamente chegarão ao fim no mesmo momento.

Além disso, existem procedimentos que dependem do cumprimento de prazos e de providências externas à atuação direta do magistrado. Intimações, avaliações técnicas, localização das partes e produção de documentos são exemplos de etapas capazes de interferir no andamento. Nesses casos, acelerar apenas a análise judicial não elimina todos os intervalos existentes durante a tramitação.

Conforme examina o Doutor Valdemir Ferreira Santos, observar a natureza das demandas ajuda a compreender melhor a morosidade judicial. Um grande estoque de processos pode reunir situações muito diferentes entre si. Por isso, avaliar eficiência exige identificar em quais etapas o tempo está sendo consumido e quais obstáculos podem ser efetivamente enfrentados pela gestão.

Como a estrutura administrativa interfere na Justiça?

O funcionamento de uma unidade judicial não depende exclusivamente do juiz. Servidores, assessorias, equipes técnicas e setores administrativos participam de diversas etapas necessárias para movimentar os processos. Quando existe desequilíbrio entre demanda e capacidade operacional, tarefas podem se acumular mesmo quando há esforço para ampliar a produtividade.

Valdemir Ferreira Santos explicita que a organização interna também interfere nesse cenário. Distribuição inadequada de atividades, procedimentos redundantes e dificuldades de comunicação podem consumir recursos que poderiam ser direcionados às etapas essenciais. Assim, políticas voltadas à eficiência precisam considerar não apenas quantas pessoas trabalham em determinada unidade, mas também como o trabalho está estruturado.

Tecnologia é suficiente para acelerar os processos?

A digitalização transformou significativamente a rotina do sistema de Justiça. Processos eletrônicos facilitaram consultas, comunicações e movimentações que anteriormente dependiam de documentos físicos. Sistemas digitais também permitem organizar informações e automatizar determinadas tarefas administrativas, reduzindo atividades repetitivas em diferentes etapas. Com isso, equipes podem concentrar parte maior do trabalho em atividades que exigem análise e acompanhamento específicos.

Entretanto, tecnologia não corrige automaticamente problemas de fluxo. Digitalizar um procedimento excessivamente complexo pode apenas transferir suas dificuldades para o ambiente eletrônico. Por essa razão, modernização tecnológica e revisão dos processos de trabalho precisam caminhar juntas. O objetivo não deve ser somente executar digitalmente uma rotina antiga, mas avaliar se cada etapa continua necessária. Essa revisão pode revelar procedimentos redundantes ou pontos que dificultam o avanço das demandas.

Nesse contexto, o Doutor Valdemir Ferreira Santos nota ser relevante observar a tecnologia como parte de uma estrutura maior. Ferramentas digitais podem apoiar equipes e ampliar a capacidade operacional, mas permanecem dependentes de organização, critérios de utilização e supervisão humana. A eficiência surge da combinação entre recursos tecnológicos e processos institucionais bem definidos. Assim, a modernização precisa estar vinculada às necessidades concretas das unidades e à qualidade da prestação jurisdicional.

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