Engenheiro Odair José Mannrich evidencia como compostagem pode transformar resíduos urbanos em insumo
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 30 de setembro de 2026
Separação da matéria orgânica e criação de estruturas de processamento podem reduzir a pressão sobre aterros e ampliar a recuperação de nutrientes.
Cerca de metade dos resíduos urbanos gerados no Brasil é formada por matéria orgânica, segundo publicação do governo federal. Segundo Odair José Mannrich, engenheiro e fundador da Versa Engenharia Ambiental, esse material inclui restos de alimentos, podas e outros resíduos biodegradáveis que podem retornar ao ciclo produtivo por meio da compostagem.
Apesar desse potencial, grande parte dos resíduos orgânicos ainda segue para unidades de disposição final. O Plano Nacional de Resíduos Sólidos destaca que ampliar a reciclagem dessa fração pode aumentar a vida útil dos aterros e contribuir para a redução das emissões de gases de efeito estufa. A mudança depende de estruturar uma cadeia capaz de separar, tratar e aproveitar esse material em escala. Nesse modelo, a compostagem deixa de ser apenas uma alternativa doméstica e passa a integrar a gestão urbana de resíduos.
O processo transforma matéria orgânica em composto e permite recuperar nutrientes para uso no solo. Além disso, reduz o volume encaminhado à disposição final e cria uma rota de valorização para uma parcela relevante dos resíduos gerados nas cidades.
Escala é determinante para ampliar a compostagem urbana
A compostagem pode ocorrer em diferentes escalas, desde sistemas domésticos e comunitários até unidades industriais. O próprio governo federal reconhece essa diversidade de modelos e aponta a possibilidade de aplicação da técnica em diferentes contextos.
Em municípios de maior porte, entretanto, o volume de resíduos exige estruturas compatíveis com a quantidade recebida. Áreas de processamento, sistemas de aeração, equipamentos para revolvimento e espaços de maturação precisam ser dimensionados de acordo com a capacidade da operação.
Odair José Mannrich aduz que o controle de fatores como umidade, temperatura e disponibilidade de oxigênio é essencial para o desempenho do processo. O objetivo é criar condições adequadas para a atividade dos microrganismos responsáveis pela decomposição da matéria orgânica.
Entre as alternativas utilizadas estão leiras com revolvimento mecânico, pilhas estáticas com aeração forçada e sistemas fechados. A escolha depende das características do resíduo, da área disponível, da escala da operação e dos requisitos ambientais.
Separação na origem influencia a qualidade do composto
A qualidade do material que chega à unidade de compostagem é um dos principais fatores para a eficiência do sistema. Resíduos orgânicos misturados a plásticos, vidros, metais e outros rejeitos exigem etapas adicionais de triagem e podem comprometer o aproveitamento do composto.
Por isso, a separação na origem ocupa papel central na estruturação da cadeia. A Resolução nº 187 da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico estabelece a segregação entre resíduos secos, orgânicos e rejeitos nos sistemas de coleta seletiva, além de prever o encaminhamento dos orgânicos para unidades de tratamento, incluindo instalações de compostagem.
Na avaliação de Odair José Mannrich, a participação dos geradores é parte importante desse processo. A separação correta reduz a contaminação e facilita o processamento posterior, enquanto campanhas permanentes de orientação ajudam a manter a qualidade do material coletado.
A organização da coleta também interfere na viabilidade econômica. Rotas específicas, recipientes adequados e frequência compatível com a geração dos resíduos podem reduzir perdas e melhorar o aproveitamento da fração orgânica.
Mercado amplia o valor do composto produzido
A transformação do resíduo em composto cria uma segunda etapa para a cadeia: encontrar aplicações e compradores para o material produzido. Agricultura, paisagismo, recuperação de áreas e produção de mudas estão entre os possíveis destinos, desde que o produto atenda aos requisitos aplicáveis.
A legislação do Ministério da Agricultura estabelece regras para definição, classificação, especificações, garantias, registro, embalagem e rotulagem dos fertilizantes orgânicos e biofertilizantes. A norma também diferencia os produtos de acordo com as matérias-primas utilizadas em sua produção. Por isso, o aproveitamento agrícola exige controle da origem dos resíduos e das características do composto. A segregação na fonte pode ser particularmente relevante para assegurar maior previsibilidade da matéria-prima e reduzir riscos de contaminação.
Odair José Mannrich observa, dentre sua experiência como engenheiro, que a criação de mercados locais pode aproximar os pontos de geração dos consumidores do composto. Agricultores, viveiros, empresas de paisagismo e iniciativas de recuperação de solos podem formar parte dessa demanda, dependendo da qualidade e das características do produto.
Compostagem reduz pressão sobre aterros
A destinação dos resíduos orgânicos também tem impacto sobre a capacidade das estruturas de disposição final. O Plano Nacional de Resíduos Sólidos aponta a valorização dos orgânicos como estratégia para ampliar a vida útil dos aterros e reduzir emissões associadas à sua decomposição.
Quando a matéria orgânica é encaminhada para compostagem, ocorre um processo biológico aeróbio controlado. O resultado é diferente da decomposição que ocorre em condições anaeróbias, característica dos resíduos depositados em aterros.
A redução da quantidade de matéria orgânica enviada aos aterros pode contribuir para diminuir a geração de metano. O gás possui potencial de aquecimento global significativamente superior ao dióxido de carbono, sendo considerado um dos principais gases associados à decomposição de resíduos.
Nesse contexto, a compostagem passa a ter uma função que vai além da destinação de resíduos. Ela pode integrar estratégias municipais de redução de emissões, recuperação de nutrientes e aproveitamento de materiais que antes seriam encaminhados para disposição final.
Gestão integrada define o avanço da compostagem
A expansão da compostagem urbana depende da articulação entre coleta, tratamento e utilização do composto. Não basta instalar uma unidade de processamento se a matéria-prima chegar contaminada ou se não houver destinação adequada para o produto final. A Política Nacional de Resíduos Sólidos já estabelece responsabilidades relacionadas à implantação de sistemas de compostagem e à busca de formas de utilização do composto produzido.
Para o engenheiro e fundador da Versa Engenharia Ambiental, Odair José Mannrich, o desafio está em tratar a fração orgânica como parte de uma cadeia de valorização, e não apenas como resíduo a ser descartado. Isso exige planejamento, infraestrutura, controle operacional e conexão com os setores que podem utilizar o produto.
A compostagem urbana, portanto, representa uma alternativa de gestão capaz de aproximar as cidades do conceito de economia circular. Ao separar a matéria orgânica, processá-la de forma controlada e devolver seus nutrientes ao solo, os municípios podem reduzir a quantidade destinada a aterros e criar novas possibilidades de aproveitamento dos resíduos.
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