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Engenheiro Odair José Mannrich analisa como automação e manutenção podem reduzir o consumo de energia no saneamento
Por SAFTEC DIGITAL

Engenheiro Odair José Mannrich analisa como automação e manutenção podem reduzir o consumo de energia no saneamento

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 30 de setembro de 2026

Eficiência energética em estações de tratamento ganha espaço diante do peso da eletricidade nos custos operacionais do setor.

O consumo de eletricidade está entre os principais custos da operação de sistemas de saneamento no Brasil, alude Odair José Mannrich, engenheiro e fundador da Versa Engenharia Ambiental. Dados do governo federal mostram que os prestadores de serviços consumiram 12,9 TWh de energia elétrica em 2018. Naquele ano, a despesa com eletricidade chegou a R$ 6,19 bilhões.

Nesse cenário, a eficiência energética em estações de tratamento passou a ganhar relevância tanto para reduzir despesas quanto para melhorar o desempenho operacional. Nesse quesito, parte das perdas está relacionada a decisões tomadas no projeto e à forma como os equipamentos são operados.

Problemas como dimensionamento inadequado de bombas, ausência de automação e manutenção insuficiente podem fazer com que equipamentos consumam mais energia para entregar o mesmo resultado. Além disso, o acompanhamento sistemático dos indicadores permite identificar desvios antes que eles se transformem em falhas.

A busca por eficiência não depende apenas da substituição de equipamentos. O Ministério das Cidades mantém iniciativas específicas para estimular medidas de redução do consumo energético em sistemas de abastecimento, com foco em instalações de bombeamento, automação e gestão operacional.

Dimensionamento de bombas influencia o consumo energético

Entre os pontos que exigem atenção está o dimensionamento dos conjuntos motobomba. Equipamentos especificados acima da demanda real podem operar fora da faixa de maior eficiência durante parte significativa do tempo.

Em sistemas de bombeamento, o governo federal identifica o dimensionamento adequado, a escolha de equipamentos eficientes e a automação como medidas com potencial relevante de economia. Um documento do Ministério de Minas e Energia estima que intervenções desse tipo podem representar redução de pelo menos 20% do consumo atual em determinadas aplicações.

Odair José Mannrich explica que o problema pode se agravar quando a vazão é controlada por estrangulamento. Nessa situação, a energia utilizada pelo conjunto não acompanha necessariamente a necessidade real do processo. O uso de inversores de frequência permite modular a rotação dos motores conforme a demanda.

A análise das curvas de carga também é importante na definição dos equipamentos. Em vez de utilizar apenas margens genéricas de segurança, o projeto pode considerar diferentes condições de operação e a variação da demanda ao longo do dia.

Automação permite ajustar processos em tempo real

Outro fator relacionado à eficiência energética em estações de tratamento é o grau de automação dos processos. Sistemas que dependem exclusivamente de ajustes manuais podem ter dificuldade para acompanhar mudanças de vazão, nível e características da água ou do esgoto. Sensores e sistemas de supervisão permitem acompanhar parâmetros operacionais continuamente. Com essas informações, controladores podem ajustar bombas, sopradores e sistemas de dosagem de acordo com as condições efetivamente registradas.

Na avaliação do engenheiro Odair José Mannrich, a automação também contribui para reduzir a dependência de configurações definidas para situações de pico. Quando os equipamentos permanecem operando nessas condições, mesmo durante períodos de menor demanda, o consumo pode aumentar sem que exista ganho proporcional no tratamento.

A digitalização da gestão energética também permite acompanhar indicadores como consumo por volume tratado, demanda elétrica e desempenho individual dos equipamentos. O Ministério das Cidades destaca justamente o monitoramento e a gestão de energia como instrumentos para identificar oportunidades de economia no saneamento.

Manutenção evita perda gradual de eficiência

A manutenção é outro componente da eficiência operacional. Bombas, motores e sopradores sujeitos a desgaste podem perder desempenho ao longo do tempo. Sem acompanhamento, o aumento do consumo pode ser percebido apenas quando surge uma falha.

Programas de manutenção preventiva e preditiva permitem acompanhar as condições dos equipamentos antes de uma parada. Análise de vibração, termografia e monitoramento do consumo elétrico estão entre as ferramentas utilizadas para identificar alterações de funcionamento.

Esse acompanhamento muda a lógica de manutenção baseada apenas na correção de falhas. A identificação antecipada de componentes desgastados permite programar intervenções e evitar que um equipamento permaneça por longos períodos trabalhando em condições inadequadas.

O tema também ganha importância porque parte dos equipamentos de sistemas de saneamento brasileiros possui longo tempo de utilização. Documento do Ministério de Minas e Energia destaca que instalações mais antigas podem apresentar menor rendimento e exigir manutenção mais frequente, com impacto sobre o consumo de eletricidade.

Gestão energética amplia oportunidades de economia

A eficiência energética em estações de tratamento não depende de uma única intervenção. O resultado tende a ser maior quando dimensionamento, automação, manutenção e gestão de dados são tratados de forma integrada. De maneira adicional, algumas instalações podem avaliar alternativas de recuperação energética. O aproveitamento de biogás em estações de tratamento de esgoto e a geração associada a determinados fluxos podem complementar medidas de redução do consumo, desde que exista viabilidade técnica e econômica.

Nesse contexto, Odair José Mannrich ressalta a importância de acompanhar o consumo específico, relacionando a energia utilizada ao volume efetivamente tratado. O indicador permite comparar diferentes períodos e identificar se uma intervenção produziu o resultado esperado. O acompanhamento contínuo também ajuda a transformar ganhos pontuais em uma rotina de gestão. Sem indicadores e procedimentos definidos, uma economia obtida após uma intervenção pode diminuir com o passar do tempo.

Eficiência ganha importância na operação do saneamento

A eficiência energética em estações de tratamento está relacionada não apenas à redução de despesas, mas também à sustentabilidade econômica da prestação dos serviços. A legislação brasileira de saneamento estabelece a eficiência e a sustentabilidade econômica como princípios dos serviços públicos do setor. A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico também estabeleceu normas de referência relacionadas a indicadores operacionais dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário. Entre as atribuições da agência está a definição de referências para qualidade e eficiência na prestação, manutenção e operação dos sistemas.

Nesse cenário, decisões tomadas na etapa de projeto podem influenciar os custos durante toda a vida útil de uma estação. Ao mesmo tempo, automação e manutenção criam oportunidades para corrigir desvios em instalações já existentes. A combinação entre engenharia, monitoramento e capacitação das equipes é fundamental para preservar os resultados. A eficiência deixa, assim, de depender de uma ação isolada e passa a fazer parte da gestão cotidiana das instalações de saneamento.

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