AMC firma parceria com Grupo Ser para formar profissionais na cadeia de minerais críticos no Brasil
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 29 de setembro de 2026
Parceria aproxima academia e setor produtivo para enfrentar o gargalo de mão de obra qualificada, ampliar pesquisas e formar novos profissionais em áreas que vão da geologia, do direito à inteligência artificial; acordo prevê ainda iniciativas voltadas à verticalização da cadeia e ao desenvolvimento de municípios mineradores.
O acordo é o primeiro celebrado pela AMC com um grupo de ensino e busca aproximar universidades das novas demandas da mineração brasileira. Foto: João Pinheiro/Minera Brasil
Por Redação – Minera Brasil
Acordo com grupo educacional presente em 26 estados e no Distrito Federal que reúne cerca de 340 mil alunos prevê pesquisas, formação e inserção da mineração em diferentes áreas acadêmicas; AMC prepara nova parceria com o Serviço Geológico do Brasil.
A Associação de Minerais Críticos (AMC) e o Grupo Ser Educacional firmaram uma parceria para desenvolver pesquisas, programas de formação e iniciativas acadêmicas voltadas à cadeia de minerais críticos no Brasil. O acordo firmado na segunda-feira 28/9, durante cerimônia em Brasília, é o primeiro celebrado pela AMC com um grupo de ensino e busca aproximar universidades das novas demandas da mineração brasileira.
A iniciativa ocorre menos de duas semanas após a sanção da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), que colocou a formação e a qualificação de mão de obra especializada entre os objetivos para o desenvolvimento das cadeias produtivas de minerais no país.
O protocolo de intenções prevê cooperação acadêmica, científica e tecnológica, com estímulo a pesquisas de pós-graduação, incluindo mestrado e doutorado. A agenda abrange desde áreas tradicionalmente ligadas à mineração até inteligência artificial, economia, direito, regulação, financiamento e desenvolvimento regional e governança.
Para Frederico Bedran, diretor-executivo da AMC, a capilaridade do Grupo Ser permite que a discussão sobre minerais críticos ultrapasse os cursos tradicionalmente associados ao setor.
“ Este é o primeiro protocolo que estamos assinando com uma instituição de ensino, mas não é somente uma instituição, é um grupo que envolve várias instituições e diversas áreas. Para nós, isso é muito importante porque a AMC está olhando para a promoção do conhecimento científico e como esse conhecimento é necessário para desenvolver a cadeia de minerais críticos no Brasil”, afirmou.
Para Bedran, a iniciativa busca enfrentar um problema que vem sendo apontado pelas empresas do setor: a necessidade de ampliar a formação e atrair novos profissionais para a mineração.
“ Nos últimos eventos, vários CEOs destacaram que um dos principais gargalos da mineração é a capacitação de mão de obra que queira realmente trabalhar no setor. Por isso, movimentos como esse são importantes”, disse.
Acordo busca desenvolver formações voltadas para atender à demanda por profissionais na cadeia de minerais críticos no Brasil. Foto: João Pinheiro/Minera Brasil
MINERAÇÃO CHEGA PARA 340 MIL ALUNOS
O Grupo Ser Educacional reúne cerca de 340 mil alunos, está presente em 26 estados e no Distrito Federal e opera instituições como UNINASSAU, UNAMA, UNG, UNINORTE, UNIFAEL e UNI7. São mais de 60 unidades presenciais e 800 polos de ensino a distância. A estratégia é aproveitar essa estrutura para inserir temas relacionados à mineração em cursos já existentes e desenvolver novas iniciativas de formação.
Para Jânyo Diniz, presidente do Grupo Ser Educacional, aproximar a academia das necessidades da mineração ganha relevância no momento em que o Brasil discute como avançar da produção e exportação de matérias-primas para outras etapas da cadeia produtiva.
“ A integração entre produção do conhecimento e produção de minerais é importante porque se começa a pensar de forma estratégica o desenvolvimento do país através de um setor que é tão crítico para o Brasil”, afirmou.
Segundo Diniz, a parceria deverá atuar nas duas frentes: incorporar a mineração aos cursos existentes e desenvolver formações voltadas especificamente para as demandas do setor.
“ Vamos trazer a mineração para cursos existentes. Como pensar o direito da mineração, que se pensa muito pouco?”, exemplificou.
Bedran destaca que a intenção é justamente aproximar uma nova geração de profissionais da atividade mineral.
“ A gente não está dialogando somente com o futuro advogado ou futuro administrador. Estamos dialogando com 340 mil profissionais que vão tocar a economia brasileira nos próximos anos. E, mais ainda, a AMC está se conectando com as novas gerações. Por isso estar próxima das universidades e faculdades é tão importante”, afirmou.

PESQUISA VAI DE GEOLOGIA À INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
A agenda da parceria inclui geologia econômica, mineração sustentável, processamento mineral, materiais avançados, economia mineral, inteligência artificial aplicada à mineração, digitalização, automação e economia circular.
Também estão contemplados reciclagem de minerais críticos, transição energética, ESG, direito minerário, regulação, licenciamento ambiental, financiamento de empreendimentos, políticas públicas, desenvolvimento regional, geopolítica e agregação de valor às cadeias produtivas.
A cooperação poderá resultar ainda na criação de grupos de estudos, observatórios, centros de pesquisa, programas de educação continuada e extensão universitária, além de congressos, seminários, missões técnicas, dissertações, teses, livros, artigos científicos, relatórios e estudos estratégicos.
Outro eixo será dedicado aos municípios mineradores. O protocolo prevê pesquisas sobre gestão pública e fortalecimento da governança local, com atenção à diversificação das cadeias produtivas e da base econômica para reduzir a dependência exclusiva da atividade mineral.

ANM TEVE PAPEL FUNDAMENTAL NA PARCERIA ENTRE AMC E GRUPO SER
A assinatura do protocolo contou com a participação de José Fernando Gomes, diretor da Agência Nacional de Mineração (ANM), que participou ativamente da articulação que aproximou a AMC e o Grupo Ser. Para o diretor, a parceria dialoga diretamente com a nova política brasileira para minerais críticos e estratégicos.
“ É um marco histórico. Há menos de 15 dias, o presidente Lula sancionou a política de minerais críticos e estratégicos, falando justamente da formação e capacitação de mão de obra. É isso que nós estamos entregando hoje aqui, junto com todos esses entes, levando o desenvolvimento para a sociedade brasileira nos quatro cantos do Brasil”, afirmou Gomes.
A Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos foi sancionada em 16 de setembro. Entre seus objetivos estão a formação e qualificação de mão de obra especializada e o estímulo à pesquisa, ao desenvolvimento tecnológico, à inovação e à agregação de valor às cadeias minerais.
A solenidade contou ainda com a presença da embaixadora da República Tcheca no Brasil, Pavla Havrlíková, que ressaltou o potencial de internacionalização da colaboração acadêmica e de aproximação entre universidades brasileiras e tchecas.
PRIMEIRA INICIATIVA PREVISTA PARA DEZEMBRO
Uma das primeiras iniciativas decorrentes da aproximação entre a AMC e o Gr u po Ser já está sendo planejada.
Segundo Jânyo Diniz, o Grupo Ser pretende realizar nos dias 10 e 11 de dezembro o primeiro Simpósio de Minerais Críticos, em parceria com a AMC.
“ Essa ligação muito maior da academia e da universidade com o mercado, com a ANM, é importante para que se comece a desenvolver pessoal para toda a cadeia produtiva”, afirmou.

AMC PREPARA PARCERIA COM SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL
A aproximação com o Grupo Ser será a primeira de uma agenda de cooperação que a AMC pretende ampliar com instituições ligadas à pesquisa e à produção de conhecimento no país.
Bedran antecipou que, no dia 30, durante o encontro ‘Minerais Críticos – Agenda 2030’, que será realizado pela AMC em São Paulo, será assinado um novo protocolo de intenções, desta vez com o Serviço Geológico do Brasil (SGB).
“ Essas iniciativas reforçam ainda mais a importância da AMC na sua conexão entre setor privado, academia e pesquisa científica”, afirmou.
Bedran avalia, que apesar de os minerais críticos estarem atualmente no centro das discussões sobre transição energética e novas cadeias industriais, o esforço de capacitação poderá beneficiar o setor mineral brasileiro de forma mais ampla.
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