Como a Macofren monta equipes multidisciplinares para transformar química em produto?
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 25 de setembro de 2026
Um erro comum ao descrever empresas de base tecnológica é tratá-las como se fossem só o produto que lançam. Na Macofren Tecnologias, cada nova frente de P&D nasce de uma decisão anterior ao produto: como montar uma equipe capaz de resolver, ao mesmo tempo, um problema de química analítica e um problema de engenharia.
Ao longo de 14 anos, a empresa repetiu esse modelo em parcerias com quatro instituições diferentes: Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal de Goiás (UFG), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e EMBRAPA. Cada uma dessas parcerias reúne, dentro do ambiente acadêmico, engenheiros, químicos e, quando o produto final tem interface com o usuário, designers, trabalhando lado a lado desde a concepção até o protótipo. Não se trata de um time de químicos apoiado eventualmente por engenharia. É uma equipe desenhada, desde o início, para resolver os dois problemas juntos, porque, na experiência da empresa, um método analítico validado em bancada raramente sobrevive intacto ao processo de virar produto sem que alguém pense, desde o primeiro dia, em como ele vai ser fabricado, operado e mantido em campo.
O exemplo mais recente: o MetaCan Systems
O caso mais recente desse modelo é o desenvolvimento do MetaCan Systems, equipamento para triagem de metanol em bebidas alcoólicas. A Macofren já dominava os métodos colorimétricos usados para detectar metanol; o obstáculo era de engenharia: como colocar, em um equipamento de 2,1 kg, uma câmara de destilação, sistemas de bombeamento e agitação, e uma câmera com algoritmo de visão computacional capaz de interpretar a reação automaticamente. Era um problema de miniaturização e integração, não de química pura, e é exatamente esse tipo de problema que separa um método validado em laboratório de um produto que qualquer operador consegue usar num balcão de bar.
Foi esse tipo de problema, químico na origem e mecânico na solução, que levou a empresa a montar, dentro do Laboratório Aberto da UnB, uma equipe em que um engenheiro discute limitações de reagente com um químico, e um designer pensa em como um operador sem formação técnica vai manusear o equipamento no dia a dia. Nenhuma dessas três perspectivas, isoladamente, resolveria o problema inteiro: a química garante que a reação funcione, a engenharia garante que ela caiba num dispositivo portátil, e o design garante que alguém sem formação técnica consiga operá-lo sem erro.
“O sistema reúne câmara de destilação, agitação, bombeamento e análise óptica em um dispositivo de apenas 2,1 kg. Isso permite eliminar interferências químicas e obter resultado confiável mesmo em licores densos, coquetéis e bebidas envelhecidas”, detalha João Vitor Quintiliano, engenheiro mecânico da equipe técnica.
Inovação aberta como método, não exceção de um projeto
A escolha por desenvolver produtos dentro de universidades parceiras, em vez de em um laboratório fechado da própria empresa, é uma decisão estrutural que se repete: o regime de inovação aberta dá acesso a infraestrutura de prototipagem, pesquisadores especializados e programas de fomento como o CNPq/RHAE, recursos que uma empresa de médio porte dificilmente sustentaria sozinha em uma frente de pesquisa nova. Contratar internamente uma equipe permanente de engenheiros, químicos e designers para cada nova frente de produto teria um custo fixo que poucas empresas do porte da Macofren conseguiriam sustentar entre um projeto e o próximo.
Esse modelo não nasceu com o MetaCan Systems e não termina nele. Ao formalizar parcerias distintas com UFG, UFRJ e EMBRAPA, além da UnB, a Macofren tratou a equipe multidisciplinar hospedada em ambiente acadêmico como método de trabalho replicável, não como arranjo pontual de um único projeto. Cada nova parceria acadêmica amplia o tipo de problema que a empresa consegue endereçar, sem exigir que ela internalize permanentemente toda a competência técnica necessária para isso.
Perguntas frequentes
Como a Macofren monta suas equipes de desenvolvimento de produto? Reunindo engenheiros, químicos e, quando necessário, designers dentro de universidades parceiras, em regime de inovação aberta, desde a concepção até o protótipo final.
Esse modelo de equipe é usado só no MetaCan Systems? Não. A Macofren mantém parcerias técnicas com UnB, UFG, UFRJ e EMBRAPA, aplicando a mesma lógica de equipes multidisciplinares a diferentes frentes de pesquisa.
Por que o desenvolvimento do MetaCan Systems exigiu engenheiros e não só químicos? Porque o principal obstáculo não era a reação química em si, já dominada pela empresa, mas encapsular o processo (destilação, bombeamento, agitação e leitura óptica) em um equipamento portátil de 2,1 kg operável sem contato com reagentes.
O que significa desenvolver em regime de inovação aberta? Trabalhar dentro da infraestrutura de uma universidade parceira, com acesso a pesquisadores, laboratórios e programas de fomento como o CNPq/RHAE, em vez de depender exclusivamente da estrutura interna da empresa.
Quem é João Vitor Quintiliano? Engenheiro mecânico da equipe técnica da Macofren, que participou do desenvolvimento do sistema de destilação e leitura óptica do MetaCan Systems.
Sobre a Macofren Tecnologias
A Macofren é uma empresa brasiliense de base tecnológica dedicada a soluções analíticas para controle de qualidade. Sua trajetória de P&D combina experiência prática em mercados regulados com cooperação técnica junto a universidades e institutos de pesquisa.
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