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O perfil do tumor orienta o tratamento
Paulo Hoff, oncologista clínico, presidente da Oncologia D’Or e professor titular da Faculdade de Medicina da USP Foto: Divulgação/Rede D'or

O perfil do tumor orienta o tratamento

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 24 de setembro de 2026

Exames mais precisos e novas opções terapêuticas ajudam a definir a conduta mais adequada para cada caso de câncer de pulmão

Novas classes de medicamentos e exames moleculares mudaram o tratamento do câncer de pulmão. Cirurgia, radioterapia, quimioterapia, imunoterapia e terapias-alvo podem ser combinadas de acordo com cada caso.

“Nunca tivemos tantas ferramentas para tratar o câncer de pulmão, e nunca foi tão importante escolher bem entre elas. O papel de um grande serviço de oncologia é reduzir ao mínimo o intervalo entre o diagnóstico e o início do tratamento certo para cada paciente”, afirma Paulo Hoff, oncologista clínico, presidente da Oncologia D’Or e professor titular da Faculdade de Medicina da USP. A estrutura dá dimensão a esse trabalho: a Oncologia D’Or reúne mais de 65 centros integrados aos hospitais da rede, com presença em 12 Estados e no Distrito Federal, cerca de 50 mil atendimentos por mês e estudos clínicos conduzidos em parceria com o Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR).

Medicina de precisão

“Conseguimos diagnosticar melhor, identificar diferentes tipos de câncer de pulmão e personalizar muito mais a terapia, o que trouxe ganhos importantes tanto para o controle da doença quanto à qualidade de vida”, afirma Clarissa Baldotto, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) e oncologista clínica da Oncologia D’Or.

Uma das principais mudanças ocorreu nas terapias sistêmicas, com a adoção da medicina de precisão. Definir o tratamento exige reunir informações sobre o paciente e o próprio tumor. O estadiamento identifica a extensão da doença no organismo, enquanto a análise molecular do tumor é obtida por meio da biópsia. Exames de imagem, como PET Scan e ressonância magnética, ajudam a mapear as áreas acometidas. Já os testes moleculares identificam alterações genéticas e biomarcadores capazes de orientar a escolha da terapia.

“Cada paciente é único. A partir da biópsia e dos testes moleculares, conseguimos sequenciar alterações no DNA da célula tumoral e identificar quais medicamentos têm maior chance de funcionar para aquele caso”, explica Clarissa. Entre os biomarcadores avaliados, está a proteína PD-L1, utilizada para estimar a probabilidade de resposta à imunoterapia. Em algumas situações, a biópsia líquida, feita por exame de sangue, identifica alterações genéticas de forma menos invasiva.

Clarissa Baldotto, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) e oncologista clínica da Oncologia D’Or Foto: Marco Ankosqui, SP/BRA

Decisão compartilhada

O tratamento também envolve cirurgiões torácicos, pneumologistas, rádio-oncologistas, radiologistas, patologistas e equipes multiprofissionais. Casos que exigem mais de uma especialidade são levados ao Tumor Board, em que o plano terapêutico é definido em conjunto. Em estudos, o modelo está associado a melhores resultados.

O acesso a essas tecnologias ainda é um dos principais desafios no Brasil. A demora para realizar exames de imagem, biópsias, testes moleculares ou iniciar o tratamento pode comprometer as possibilidades terapêuticas, especialmente porque alguns tumores apresentam crescimento rápido. “O tempo é um fator muito importante.

Frequentemente, o médico precisa iniciar o tratamento de um paciente antes mesmo de ter todas as informações que o ajudariam a escolher a melhor estratégia”, reforça Clarissa.

Uma das formas de ampliar esse acesso é a pesquisa. “A participação em estudos clínicos antecipa o acesso a novas terapias e fortalece a produção científica nacional. É um caminho que os grandes centros brasileiros têm a responsabilidade de expandir”, conclui Hoff.

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