Infraestrutura lidera a geração de vagas na construção civil em 2026
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 21 de setembro de 2026
- Setor gerou saldo de 7.087 novos postos de trabalho no Brasil somente em julho
- No primeiro semestre, saldo de vagas em infraestrutura superou o da Construção de Edifícios pela primeira vez
- Resultado reflete a perspectiva de ampliação dos investimentos no segmento
O mercado de trabalho começou a mostrar, em números concretos, o momento vivido pelo setor de infraestrutura no Brasil. Somente em julho, a construção civil registrou saldo de 12.691 vagas formais no mercado brasileiro, o segundo melhor desempenho entre os setores da economia no mês, atrás apenas de Serviços. Dentro da construção, quem puxou o resultado não foi o segmento tradicional de edificações, mas o de obras de infraestrutura, com 7.087 novos postos.
Os dados são do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e analisado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
O acumulado do ano reforça a tendência. Entre janeiro e julho, a construção civil gerou saldo de 180.449 empregos formais no País, dos quais 71.711 — quase 40% do total — vieram de obras de infraestrutura. Essa parcela superou o resultado da Construção de Edifícios no mesmo período, de 61.589 vagas, e cresceu 25,1% em relação aos sete primeiros meses de 2025, quando o segmento havia gerado 57.308 postos.
Os cálculos são da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), com base nos dados do Novo Caged.
Vale lembrar que o saldo divulgado corresponde à diferença entre admissões e desligamentos no período, e não ao número bruto de contratações. O Novo Caged acompanha vínculos formais regidos pela CLT, inclusive contratos celetistas por prazo determinado, mas não abrange o trabalho informal, os vínculos estatutários e outras relações não celetistas.
Outra ressalva é que obras de infraestrutura constituem uma classificação de atividade econômica (CNAE) que reúne diferentes tipos e portes de empreendimentos. Portanto, os dados não permitem atribuir o crescimento das vagas a um projeto específico.

Geração de empregos funciona como termômetro
O movimento não é exatamente novo. No primeiro semestre de 2026, a infraestrutura já havia superado a Construção de Edifícios pela primeira vez desde o início da série histórica do Novo Caged, em 2020.
No período, a Construção de Edifícios apresentou saldo positivo de 60.552 postos de trabalho, resultado 2,19% inferior ao registrado nos mesmos meses do ano anterior. Apesar da queda, o segmento continuou demonstrando a força do mercado imobiliário nacional.
Também entre janeiro e junho, o saldo do Novo Caged foi positivo em 64.793 vagas no segmento de infraestrutura, alta de 30,26% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram gerados 49.741 empregos.
Para a economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, o resultado reflete a perspectiva de ampliação dos investimentos no segmento. A geração de vagas em edificações, por sua vez, continua positiva, mas avança em ritmo mais moderado diante de um cenário de juros ainda elevados.
“A infraestrutura vem se destacando na geração de novos empregos, com um aumento expressivo no número de vagas em relação ao ano passado. Esse movimento está associado à perspectiva de investimentos recordes no segmento em 2026, impulsionados por novas concessões, parcerias público-privadas e investimentos em saneamento. A Construção de Edifícios também continua gerando novos empregos, mesmo diante de um cenário de juros elevados, mas em ritmo mais moderado”, analisa Ieda.
O emprego formal funciona como um dos termômetros da passagem dos projetos de infraestrutura do papel para a economia real. Embora o Novo Caged não identifique quais empreendimentos estão por trás das contratações, o aumento das vagas é compatível com o avanço de concessões, parcerias público-privadas e obras de saneamento para a fase de execução.
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