Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM, explica o papel das cotas mezanino na estrutura de subordinação de um FIDC
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 18 de setembro de 2026
A criação de uma camada intermediária de subordinação, segundo a ID CTVM, posicionada entre as cotas seniores e as cotas subordinadas tradicionais, permite calibrar de forma mais precisa a relação entre risco e retorno oferecida a diferentes perfis de investidor em uma mesma operação estruturada
A estrutura de subordinação de um fundo de investimento em direitos creditórios nem sempre se limita à divisão tradicional entre cotas seniores e cotas subordinadas. Em operações de maior sofisticação técnica, é comum a criação de uma camada intermediária, conhecida no mercado como cota mezanino, que assume uma posição de risco superior à das cotas seniores, mas ainda protegida pela subordinação das cotas mais júnior da estrutura, oferecendo assim um perfil de risco e retorno posicionado entre os dois extremos tradicionais dessa hierarquia.
Essa camada intermediária amplia as possibilidades de estruturação de uma operação, permitindo que o fundo capte recursos de perfis distintos de investidor dentro de uma mesma carteira de recebíveis, cada um remunerado de forma compatível com o nível de risco efetivamente assumido em razão de sua posição na hierarquia de subordinação. A cota mezanino costuma oferecer uma remuneração superior à das cotas seniores, como compensação pelo risco adicional assumido, ao mesmo tempo em que mantém um nível de proteção superior ao das cotas subordinadas tradicionais.
Calibragem do tamanho de cada camada exige análise técnica apurada
A definição do tamanho relativo de cada camada de subordinação, incluindo a eventual criação de uma camada mezanino, exige uma análise técnica apurada da qualidade histórica dos recebíveis que comporão a carteira do fundo, de forma a calibrar adequadamente a proteção oferecida a cada classe de cota em relação ao risco de crédito efetivamente observado naquele tipo específico de ativo. Uma camada mezanino subdimensionada pode não oferecer proteção suficiente para justificar sua remuneração intermediária, enquanto uma camada superdimensionada pode encarecer desnecessariamente o custo total de capital da operação para o originador dos recebíveis.
Para Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM, a estruturação de camadas intermediárias de subordinação representa um dos avanços mais relevantes na sofisticação técnica do mercado brasileiro de crédito estruturado nos últimos anos.
“A cota mezanino permite endereçar uma demanda real de mercado, que é a de investidores dispostos a assumir um nível de risco um pouco superior ao das cotas seniores tradicionais em troca de uma remuneração mais atrativa, sem necessariamente aceitar o perfil de risco mais elevado associado às cotas subordinadas. Essa segmentação mais fina da estrutura de capital de um fundo amplia o universo de investidores potenciais para uma mesma operação, o que pode se traduzir em condições de captação mais eficientes para o originador dos recebíveis”, explica o executivo.
A ID CTVM atua como administradora fiduciária de fundos estruturados com diferentes arquiteturas de subordinação, incluindo operações que incorporam camadas intermediárias de cotas mezanino, acompanhando a correta aplicação da hierarquia de pagamentos e de absorção de perdas prevista no regulamento de cada operação sob sua administração.
Absorção de perdas segue ordem inversa à hierarquia de pagamentos
Assim como ocorre na estrutura tradicional de subordinação entre cotas seniores e subordinadas, a absorção de eventuais perdas na carteira de recebíveis de um fundo com camada mezanino segue uma ordem inversa à da prioridade de pagamentos, o que significa que as cotas subordinadas tradicionais absorvem as primeiras perdas registradas na carteira, seguidas pela camada mezanino, somente restando às cotas seniores absorver perdas caso as camadas anteriores já tenham sido integralmente consumidas. Essa lógica de absorção escalonada é o que sustenta, do ponto de vista técnico, a diferenciação de risco e de remuneração entre as diferentes classes de cota emitidas por uma mesma operação.
A existência de uma camada mezanino também pode influenciar a análise de rating eventualmente atribuída às cotas seniores de uma operação, na medida em que agências especializadas na avaliação de risco de crédito estruturado costumam considerar a espessura de cada camada de proteção ao calcular a probabilidade de perda esperada para a classe de cota mais protegida da estrutura. Uma camada mezanino bem dimensionada pode, nesse sentido, contribuir para uma classificação de risco mais favorável às cotas seniores de uma operação.
Investidores institucionais avaliam cada camada de forma independente
Investidores institucionais que analisam operações estruturadas com camada mezanino costumam avaliar cada classe de cota de forma independente, considerando não apenas a remuneração oferecida, mas também a espessura relativa de cada camada de proteção em relação ao histórico de perdas observado em operações comparáveis. Essa análise segmentada exige do gestor e do estruturador da operação uma comunicação clara sobre as características específicas de cada classe de cota, de forma a permitir que cada investidor avalie com precisão o perfil de risco compatível com sua própria política de investimento.
Perspectivas para a estruturação de camadas intermediárias em FIDCs
Com a indústria brasileira de crédito estruturado ampliando sua capacidade de atender a diferentes perfis de investidor dentro de uma mesma operação, a tendência é que a utilização de camadas mezanino siga ganhando espaço como ferramenta de estruturação em fundos de maior porte e complexidade técnica. Para gestores e administradores fiduciários especializados, a calibragem precisa dessas camadas intermediárias deve continuar sendo um diferencial relevante na capacidade de atrair capital de diferentes perfis de investidor para a indústria de crédito estruturado.
Sobre a ID CTVM
A ID CTVM é uma instituição especializada em infraestrutura para o mercado de capitais, com serviços de administração fiduciária, custódia, escrituração, controladoria e distribuição de fundos de investimento. Fundada em 2020, a companhia reúne atualmente mais de 550 fundos e mais de R$ 50 bilhões sob administração e custódia, com presença relevante em estruturas como FIDCs, FIPs e FIIs. Combinando tecnologia, governança, conhecimento regulatório e eficiência operacional, a ID oferece suporte a gestores, investidores, empresas e demais participantes do mercado, contribuindo para operações mais seguras, eficientes e transparentes.
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