Do software aos data centers: como a tecnologia sustenta a nova economia
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 9 de setembro de 2026
A tecnologia passou por rápidas transformações nas últimas décadas e deixou de ser um segmento isolado da economia para se tornar uma infraestrutura transversal às atividades humanas e corporativas. O setor engloba o desenvolvimento de software, equipamentos de hardware, serviços de computação em nuvem, redes de telecomunicações e cibersegurança, além dos avanços em inteligência artificial.
Sua relevância está na capacidade de atuar como um dos principais vetores de produtividade, eficiência e inovação, seja na automação da produção agrícola, na gestão de redes de energia, na otimização da logística global ou na prestação de serviços financeiros instantâneos.
Hoje, a tecnologia é a engrenagem que viabiliza a transformação digital e permite que governos e empresas reduzam custos operacionais e ampliem o acesso a serviços essenciais.
Origem, expansão e aceleração do setor
A trajetória do setor de tecnologia da informação teve início na segunda metade do século 20, impulsionada pelo surgimento dos semicondutores, pela popularização dos computadores pessoais e pelo advento da internet comercial nos anos 1990. No Brasil, a consolidação desse mercado ganhou força com a privatização do sistema de telecomunicações no final da década de 1990 e com a expansão da telefonia móvel, processo que abriu caminho para a criação de um dinâmico ecossistema de software e serviços de TI no País.
O avanço acelerou significativamente na última década com a adoção em massa dos smartphones, a interiorização das redes de fibra óptica e a digitalização do setor financeiro, que levaram posteriormente ao surgimento de fintechs de projeção internacional e à criação do Pix pelo Banco Central.
Atualmente, os indicadores econômicos confirmam o peso estratégico dessa indústria no PIB global e nacional. No cenário internacional, as empresas de tecnologia lideram a geração de valor nas bolsas globais, impulsionadas pelos investimentos na infraestrutura de inteligência artificial generativa e na expansão da nuvem. No Brasil, o macrossetor de tecnologia da informação e comunicação movimentou R$ 919,7 bilhões em 2025, o equivalente a 7,2% do Produto Interno Bruto nacional, segundo a Brasscom, associação que representa empresas de tecnologia da informação e comunicação e de tecnologias digitais. O recorte inclui o setor de TIC, as telecomunicações e a tecnologia produzida internamente por empresas de outros setores.
Vale ressaltar que o País é o maior mercado de TI da América Latina e um dos principais polos mundiais em adoção de bancos digitais, automação bancária e digitalização dos serviços públicos. Em 2025, o mercado de nuvem cresceu 35,5%, enquanto o de software avançou 15,6%, de acordo com a Brasscom.
Desafios estruturais e as perspectivas de futuro do setor
Apesar da expansão acelerada, a consolidação do setor de tecnologia enfrenta gargalos estruturais relevantes no Brasil e no mundo. O desafio mais crítico no mercado doméstico é a escassez de mão de obra qualificada. O ritmo de formação e qualificação de engenheiros de software, cientistas de dados e especialistas em cibersegurança e inteligência artificial não acompanha a demanda das empresas. Segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o Brasil tem uma demanda reprimida de aproximadamente 159 mil profissionais de tecnologia da informação por ano, com foco crescente em defesa cibernética. Essa escassez eleva os custos de contratação e pode ampliar os prazos de desenvolvimento dos projetos.
A isso somam-se os altos custos tributários para importação de componentes de hardware, os desafios de infraestrutura para ampliação da cobertura 5G e redução das desigualdades regionais de conectividade e as exigências regulatórias relativas à privacidade de dados, segurança cibernética e soberania de dados em redes de nuvem.
Para os próximos anos, as perspectivas para o setor são promissoras e impulsionadas por novas transformações tecnológicas. O avanço da inteligência artificial aplicada aos negócios, a automação industrial baseada em computação de borda (edge computing) e a transição para ambientes de nuvem híbrida devem continuar atraindo investimentos privados. A Brasscom projeta que o Brasil mobilize R$ 2 trilhões em tecnologias entre 2026 e 2029, dos quais R$ 765,6 bilhões em nuvem, R$ 736,6 bilhões em inteligência artificial e R$ 252,4 bilhões em data centers.
A expansão dessas tecnologias também aumenta a demanda por capital de longo prazo para a construção da infraestrutura física que sustenta a economia digital. O Patria inclui a infraestrutura de dados entre os segmentos prioritários de sua estratégia de investimentos na América Latina. A gestora também acumula experiência direta no setor com a criação e o desenvolvimento da Odata, plataforma de data centers posteriormente vendida a um grupo internacional.
No Brasil, a integração da tecnologia com setores de ponta da economia real, como a agricultura de precisão (agtechs), as finanças digitais (fintechs) e a saúde digital, posiciona o mercado de TI não apenas como um fornecedor de soluções, mas como uma das principais alavancas para o ganho de produtividade, competitividade e crescimento sustentável do País.

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