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Fusões e aquisições movimentam mais de R$ 47 bilhões na mineração no primeiro semestre
Por Agência Minera Brasil

Fusões e aquisições movimentam mais de R$ 47 bilhões na mineração no primeiro semestre

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 11 de setembro de 2026

Setor registrou 14 operações entre janeiro e junho, ante nove no mesmo período de 2025, com alta puxada por negócios de maior porte.

Imagem: Adobe / Reprodução.

O setor de mineração movimentou mais de R$ 47 bilhões (US$ 9,2 bilhões) em operações de fusões e aquisições (M&A) no Brasil entre janeiro e junho de 2026, segundo dados compilados pela KPMG. O valor representa um salto em relação aos cerca de R$ 4 bilhões registrados no mesmo período de 2025. Informações segundo a Bnamericas.

Ao todo, foram realizadas 14 operações no primeiro semestre, contra nove no mesmo período do ano passado. Apesar do aumento moderado no número de transações, a alta expressiva no valor movimentado foi impulsionada por negócios de maior porte.

“O mercado de mineração apresenta, no primeiro semestre, um movimento bastante diferente de outros segmentos: mesmo com um crescimento moderado no número de transações, o valor financeiro negociado avançou de forma expressiva. Isso indica que o resultado foi fortemente influenciado por operações de maior porte, evidenciando o apetite por ativos estratégicos e pela consolidação de posições em um setor relevante para a economia brasileira”, afirmou Paulo Guilherme Coimbra, sócio da KPMG.

Segundo Coimbra, o avanço do capital direcionado ao setor ocorre mesmo diante de um ambiente mais restritivo para investimentos de menor escala.

“O salto no valor movimentado, de cerca de R$ 4 bilhões para mais de R$ 47 bilhões, demonstra que o mercado está disposto a direcionar volumes significativos de capital para oportunidades consideradas estratégicas, ainda que o ambiente permaneça mais restritivo para investimentos de menor escala”, ressaltou.

Das 14 operações concluídas no primeiro semestre, duas foram domésticas, envolvendo empresas do mesmo país, enquanto 12 foram classificadas como cross-border, com empresas sediadas em países diferentes envolvendo operações e ativos.

Entre os principais negócios anunciados no período está a aquisição, pela Alcoa, de ativos de mineração e refino da South32, por aproximadamente R$ 28,5 bilhões. A USA Rare Earth também adquiriu a Serra Verde de fundos como Denham Capital, Energy and Minerals Group e Vision Blue, em uma operação estimada em R$ 14 bilhões.

Outro negócio foi realizado pela Votorantim Cimentos, que adquiriu do Grupo João Santos direitos minerários de uma jazida localizada em Ribeirão Grande, por R$ 250 milhões.

Operações em andamento

O volume de operações pode aumentar no segundo semestre, com negócios ainda em fase de conclusão e acordos anunciados preliminarmente que dependem da finalização das etapas necessárias.

Entre as transações em andamento está a aquisição da Bahia Mineração (Bamin), controlada pelo grupo Eurasian Resources Group (ERG), pela portuguesa Mota-Engil. A empresa europeia está envolvida na conclusão do negócio, que pode ampliar seu acesso a ativos de minério de ferro e à infraestrutura associada no Nordeste brasileiro.

Caso seja concluída, a aquisição dará à Mota-Engil acesso ao projeto Pedra de Ferro, na Bahia, cuja capacidade estimada é de 26 milhões de toneladas de minério de ferro por ano.

No segmento de lítio, a canadense Lithium Ionic concluiu recentemente a venda do projeto Salinas, no Brasil, para a australiana PLS Group Limited, em uma operação de US$ 37,5 milhões.

Em agosto, a sueca Boliden AB também chegou a um acordo para adquirir a Nexa Resources, controlada pelo conglomerado brasileiro Votorantim S.A. A operação prevê uma mudança no controle de uma das principais produtoras de zinco das Américas, com ativos da companhia no Brasil e no Peru.

O mercado de terras raras também registrou movimentação. A Harvest Minerals, produtora brasileira de fertilizantes listada em Londres, firmou em meados de julho um acordo vinculante para adquirir 100% da Serra Verde Mineração Ltda., subsidiária integral da Union Star Metals Limited.

O negócio envolve um portfólio de oito projetos de terras raras em argilas iônicas, distribuídos por 27 áreas de exploração no Brasil.

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