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Como os bancos protegem o cliente idôneo na era da inteligência artificial?
Bancos ampliam proteção contra fraudes com IA. Foto: Vitaly Gariev/Pexels

Como os bancos protegem o cliente idôneo na era da inteligência artificial?

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 11 de setembro de 2026

Levantamento identifica 2,8 mil menções a manipulação de dados por IA; instituições ampliam monitoramento em tempo real com soluções robustas

A validação de documentos na abertura de uma conta deixou de ser uma garantia absoluta de segurança. A inovação dos meios de pagamento e a sofisticação das fraudes com o auxílio da inteligência artificial (IA) generativa criaram um cenário desafiador no País, exigindo das instituições financeiras uma atuação multicamadas em tempo real para proteger os clientes idôneos e preservar as transações legítimas.  

O tema foi um dos destaques da Febraban Tech 2026, maior evento de tecnologia e inovação do setor financeiro, realizado entre os dias 24 e 26 de agosto, em São Paulo. Dados atuais também ajudam a mensurar o tamanho desse desafio, como o levantamento realizado pela Certta, em parceria com a Nexus, que identificou 2,8 mil menções nas redes sociais sobre “manipulação de dados” relacionadas a tentativas de fraude. Esse montante representa 7,3% das conversas sobre os desafios de segurança enfrentados pelo consumidor, que somam 39,7 mil menções no total.

As conversas mostram como a manipulação de identidade pode provocar danos financeiros, inclusive com táticas que envolvem Pix e transações, tema que concentra 9,1 mil menções, o equivalente a 23%, de acordo com o levantamento. O receio dos usuários se traduz em desafio para os bancos, que atuam para proteger o cliente idôneo sem prejudicá-lo.

Tão doloroso quanto cair em um golpe é impactar um cliente idôneo, que está fazendo uma transação boa e eu não permitir que ele siga”, afirma Felipe Tambelini, diretor de Prevenção a Fraudes do Itaú Unibanco.

Para evitar que o cliente idôneo seja prejudicado, as empresas têm ajustado suas estruturas de verificação. “Esses processos, que historicamente eram mais robustos no onboarding, hoje evoluíram também para acompanhar validações secundárias e toda a jornada transacional do cliente. Analisamos dezenas de dados, desde fatores comportamentais, perfil e sinais digitais”, ressalta Marcelo Sousa, VP de Produto da Certta.

Essa análise de perfil, aliás, é o que torna as decisões cada vez mais personalizadas: o que é comum para um cliente pode ser um evento fora do padrão para outro. “Tem gente que entende que gastar uma alta quantia de uma vez é comum. Já para outros seria um evento de uma vida” exemplifica Tambelini.

Até pela complexidade e o volume de análises diárias, o embasamento para garantir decisões mais assertivas envolve uma atuação conjunta, cruzando sinais de origem e destino, o comportamento de quem paga, birôs de mercado e o próprio Diretório de Identificadores de Contas Transacionais (DICT) do Banco Central. 

Os atacantes estão tão bem preparados e fazendo uso intenso de contas laranja no País. Então, a gente também precisa analisar características de quem está realizando a ação. Se quem está fazendo uma transferência, Pix ou pagamento tem aquilo no seu padrão, se faz ou não sentido e por que faz sentido para ela e, a partir disso, avaliar se aquela transação é idônea ou não”, resume Tambelini.

Diante de fraudes cada vez mais sofisticadas, a resposta das instituições não está em verificações isoladas, mas na soma de camadas capazes de distinguir, em tempo real, o comportamento legítimo de possíveis fraudes. Na prática, o desafio segue sendo o mesmo: identificar movimentos fraudulentos antes que eles aconteçam, sem transformar a segurança em um obstáculo para quem só quer movimentar seus bens.

Inteligência artificial como aliada

A proteção do cliente idôneo e a aprovação assertiva das transações legítimas ganharam um outro fator: a inteligência artificial. A mesma tecnologia que amplia a sofisticação dos fraudadores, na personalização de ataques e na criação de documentos sintéticos e deepfakes, é quem tem ganhado novas funções na linha de defesa e na tomada de decisão, ajudando as instituições a identificar padrões anormais antes que o prejuízo aconteça.

Hoje, nós temos os próprios agentes de IA dentro das instituições, que utilizam também todas essas informações para alimentar os seus próprios modelos. Então, cada instituição vai usufruir dos birôs, dos dados e dos scores que as diversas ferramentas geram”, afirma Nely Freitas, especialista em Segurança digital e presidente da Risk Women

Com essa combinação de fatores, o monitoramento deixou de ser um evento pontual na abertura da conta e se transformou em um processo contínuo. Para Nely, isso garante legitimidade e idoneidade nas transações, sem comprometer a experiência dos usuários.

Para o VP de Produto da Certta, a inteligência artificial deixou de ser suporte e virou aliada estratégica do mercado financeiro. “Não faz mais sentido pensar em modelos isolados. O mercado caminha para uma verificação inteligente, integrada e em tempo real, em que diferentes sinais são analisados em conjunto para gerar uma decisão única e mais precisa. É essa arquitetura que dá escala e velocidade aos negócios sem abrir mão da segurança”, explica Sousa.

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