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Fernando Alves Vieira avalia por que hospitais estão substituindo indicadores de produtividade por métricas de valor assistencial
Por PressWorks

Fernando Alves Vieira avalia por que hospitais estão substituindo indicadores de produtividade por métricas de valor assistencial

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 27 de agosto de 2026

Qualidade clínica, experiência do paciente e sustentabilidade financeira passam a orientar a gestão das instituições de saúde

Durante décadas, a eficiência hospitalar foi medida principalmente por indicadores operacionais, como taxa de ocupação de leitos, número de procedimentos realizados, tempo médio de permanência e produtividade das equipes. Embora esses parâmetros continuem relevantes para a gestão, eles já não são suficientes para avaliar o desempenho das instituições diante de um cenário marcado pelo envelhecimento da população, pelo aumento das doenças crônicas e pela necessidade de garantir maior sustentabilidade financeira ao sistema de saúde.

Nesse contexto, hospitais no Brasil e no exterior vêm ampliando o uso de métricas baseadas em valor assistencial, que consideram não apenas o volume de atendimentos, mas também a qualidade clínica, os desfechos obtidos pelos pacientes, a segurança assistencial, a experiência durante o cuidado e a eficiência na utilização dos recursos disponíveis. A mudança acompanha a consolidação do conceito de Value-Based Health Care (VBHC), modelo que busca alinhar resultados clínicos e sustentabilidade econômica.

Para Fernando Alves Vieira, executivo, investidor e conselheiro com atuação em saúde suplementar e administração hospitalar, essa evolução representa uma transformação estrutural na forma como as organizações avaliam seu desempenho.

“Os indicadores operacionais continuam importantes para acompanhar a eficiência das instituições, mas deixaram de ser suficientes para orientar decisões estratégicas. Hoje, a qualidade do cuidado, os resultados clínicos e a experiência do paciente passaram a representar indicadores igualmente relevantes para medir o valor efetivamente entregue pelas organizações de saúde”, destaca ele .

Qualidade clínica passa a orientar a gestão hospitalar

O movimento acompanha uma tendência internacional. O modelo de saúde baseada em valor, desenvolvido por pesquisadores da Harvard Business School e adotado progressivamente por sistemas de saúde em diversos países, propõe que o desempenho das instituições seja avaliado pelos resultados obtidos pelos pacientes em relação aos recursos utilizados ao longo de toda a jornada assistencial.

Na prática, isso significa ampliar o acompanhamento de indicadores como taxas de infecção hospitalar, readmissões, complicações clínicas, tempo de recuperação, segurança do paciente, adesão a protocolos assistenciais e qualidade dos desfechos alcançados.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) também defende que sistemas de saúde orientados pela qualidade devem priorizar cuidados seguros, eficazes, centrados nas pessoas, oportunos, eficientes e equitativos, reforçando que a melhoria contínua da assistência deve estar no centro das políticas e da gestão hospitalar.

Segundo Fernando Alves Vieira, essa mudança amplia a capacidade das instituições de compreender o impacto real dos serviços prestados: “A principal transformação é deixar de medir apenas aquilo que o hospital produz para avaliar aquilo que realmente entrega ao paciente. Esse modelo favorece decisões mais qualificadas, melhora a gestão dos recursos e fortalece o compromisso institucional com resultados assistenciais consistentes”.

Além de contribuir para a qualidade clínica, esse conjunto de indicadores permite identificar oportunidades de melhoria contínua, apoiar programas de acreditação hospitalar e fortalecer processos de governança assistencial.

Experiência do paciente e sustentabilidade financeira tornam-se indicadores complementares

A evolução dos modelos de gestão também tem aproximado qualidade assistencial e sustentabilidade financeira. Em vez de objetivos concorrentes, esses fatores passam a ser tratados como componentes complementares de uma mesma estratégia institucional.

Instituições que reduzem eventos adversos, evitam reinternações desnecessárias, melhoram a coordenação do cuidado e ampliam a adesão aos protocolos clínicos tendem a utilizar seus recursos de forma mais eficiente, reduzindo desperdícios e aumentando a previsibilidade operacional.

Ao mesmo tempo, cresce a importância da experiência do paciente como indicador de desempenho. Aspectos relacionados à comunicação das equipes, participação nas decisões terapêuticas, acolhimento e continuidade do cuidado passaram a integrar avaliações utilizadas por organizações de saúde em diferentes países como instrumentos para medir qualidade assistencial.

Na avaliação de Fernando Alves Vieira, essa integração modifica a lógica tradicional da administração hospitalar: “Quando qualidade assistencial, experiência do paciente e eficiência financeira passam a ser analisadas de forma integrada , a gestão deixa de buscar apenas produtividade e passa a construir valor para todos os envolvidos: pacientes, profissionais, operadoras e para a própria sustentabilidade da instituição.”

Essa abordagem também fortalece o planejamento estratégico das organizações, permitindo que investimentos em tecnologia, capacitação profissional e melhoria dos processos assistenciais sejam direcionados com base em indicadores que refletem resultados concretos.

Gestão baseada em valor deve orientar o futuro das organizações de saúde

A incorporação de ferramentas de inteligência artificial, análise de dados, interoperabilidade entre sistemas e monitoramento contínuo amplia ainda mais a capacidade dos hospitais de acompanhar indicadores clínicos em tempo real e desenvolver estratégias de melhoria baseadas em evidências.

Paralelamente, especialistas apontam que modelos de remuneração baseados em valor tendem a ganhar espaço nos próximos anos, estimulando instituições a concentrar esforços na prevenção de complicações, na coordenação do cuidado e na obtenção de melhores desfechos clínicos.

Para Fernando Alves Vieira, esse processo representa uma evolução natural da gestão hospitalar contemporânea: “Os hospitais que conseguirem integrar indicadores assistenciais, governança clínica, gestão financeira e tecnologia estarão mais preparados para responder aos desafios do setor. O futuro da saúde passa pela capacidade de gerar melhores resultados para os pacientes sem perder de vista a eficiência e a sustentabilidade das organizações”.

À medida que o setor de saúde enfrenta desafios crescentes relacionados à demanda assistencial, ao envelhecimento populacional e à incorporação de novas tecnologias, a tendência é que os indicadores de valor assumam papel cada vez mais estratégico. Mais do que medir produtividade, hospitais passam a ser avaliados pela capacidade de entregar cuidado de qualidade, promover melhores desfechos clínicos e utilizar os recursos disponíveis de forma responsável, consolidando um modelo de gestão orientado por valor e centrado no paciente.

Sobre Fernando Alves Vieira

Fernando Alves Vieira é executivo, investidor e conselheiro com mais de 20 anos de experiência em saúde suplementar, administração hospitalar, governança corporativa e desenvolvimento de negócios. Especialista em fusões e aquisições (M&A), reestruturação empresarial e estratégia corporativa, atua na liderança de operações complexas. Atualmente preside o Conselho de Administração da ESB Corp e integra conselhos de organizações dos segmentos de saúde, além de liderar iniciativas de investimento e expansão internacional por meio da Tessera Partners, plataforma privada de investimentos sediada em Dubai.

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