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Governo quer mineração dentro da política industrial
Por Agência Minera Brasil

Governo quer mineração dentro da política industrial

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 26 de agosto de 2026

Na Exposibram, Pedro Guerra, chefe de gabinete do vice-presidente Geraldo Alckmin, afirma que minerais se tornaram “ativo de barganha” na disputa global e defende agregação de valor, novas parcerias e mineração integrada à política industrial brasileira.

Foto: Ibram / Divulgação.

Por Warley Pereira | Minera Brasil

O Brasil pretende utilizar suas reservas de minerais críticos para se reposicionar nas cadeias globais de suprimento sem aderir à disputa entre as grandes potências pelo controle desses recursos. A estratégia passa pela diversificação de parceiros comerciais, atração de investimentos e agregação de valor à produção mineral brasileira.

A posição foi defendida por Pedro Guerra, chefe de gabinete do vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, durante a Exposibram, em Belo Horizonte.

Para Guerra, a mineração ganhou importância ainda maior para o governo diante da reorganização das cadeias globais e do papel assumido pelos minerais críticos na disputa econômica e geopolítica internacional.

“ A gente vive num período bastante complexo. O mundo passa por profundas tensões, guerras, mas também com uma certa beligerância do comércio, com o uso, inclusive, dos próprios minerais críticos como um ativo de barganha.”

Nesse cenário, segundo ele, a orientação do governo é evitar que o Brasil fique condicionado a um único bloco ou parceiro.

“ O Brasil, nós acreditamos — e o presidente Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin têm deixado isso muito claro —, tem que se manter distante desses conflitos. Esse é o primeiro passo. O Brasil tem que buscar diversificar os seus parceiros, trazer credibilidade e objetividade.”

MINERAIS COMO ATIVO ESTRATÉGICO

A estratégia ganha relevância diante da posição estratégica brasileira. Guerra citou as reservas de terras raras, grafite, lítio, ferro, cobre e ouro, além do esforço para ampliar a produção nacional de fertilizantes.

Para o governo, essa diversidade mineral pode permitir ao Brasil ocupar uma posição diferenciada na reorganização das cadeias internacionais.

A estratégia, segundo Guerra, não é estabelecer previamente parceiros preferenciais, mas ampliar as possibilidades de negócios.

“ O nosso objetivo é desenvolver parcerias sem preconceitos, sempre com foco na geração de negócios, na visão de longo prazo. É por aí que o governo está caminhando.”

MINERAÇÃO DENTRO DA POLÍTICA INDUSTRIAL

Mas o reposicionamento pretendido pelo governo não passa apenas pelo aumento das exportações minerais.

Um dos pontos centrais da manifestação de Guerra foi a necessidade de conectar mineração e política industrial para ampliar a parcela de valor gerada dentro do próprio país.

Segundo ele, a atividade mineral está presente, direta ou indiretamente, em todas as seis missões da Nova Indústria Brasil, que envolvem agroindústria, saúde, infraestrutura, transformação digital, bioeconomia, descarbonização e defesa.

“ Do agro, passando pela saúde, infraestrutura, transformação digital, até a bioeconomia e a defesa, a gente tem mineração em todas elas. Então, o esforço agora é desenvolver parcerias, aprimorar processos e atrair mais pessoas para a gente conseguir desenvolver essas cadeias.”

A visão defendida pelo governo coloca a mineração como infraestrutura básica para diferentes setores da nova economia, especialmente aqueles associados à transição energética e tecnológica.

PARCEIRO ESTRATÉGICO E CONFIÁVEL”

Guerra afirmou que o governo está dando “um enfoque muito especial” à atividade mineral pelo peso do setor na geração de empregos, entrada de divisas e desenvolvimento econômico.

Mas destacou que o momento é de buscar uma nova posição para o Brasil nas cadeias internacionais.

“ Agora quer se reposicionar nas cadeias globais de suprimento como um parceiro estratégico, confiável, mas também como parceiro que contribui para o processo de descarbonização.”

Para isso, acrescentou, Estado e iniciativa privada precisarão atuar conjuntamente.

“ O Brasil tem esses ativos e agora é nosso dever, como Estado, ajudar, em parceria com a iniciativa privada, a articular essas nossas capacidades.”

FERTILIZANTES ENTRAM NA ESTRATÉGIA

A redução da dependência externa de fertilizantes também está entre as prioridades.

Guerra reconheceu que a produção brasileira precisa superar desvantagens competitivas em relação ao produto importado e apontou três questões centrais: tributação e licenciamento ambiental.

“ Para o fertilizante ter competitividade interna, ele tem que ter alguns fatores que ajudem a concorrer com os seus análogos importados. Precisamos ter uma isonomia tributária, precisamos ter gás mais barato, precisamos ter licenciamentos ambientais expeditos.”

Foto: Ibram / Divulgação.

Divulgação 1
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Questionado sobre novos mecanismos de apoio ao setor, Guerra afirmou que existem limitações impostas pelo espaço fiscal, mas indicou que o governo estuda diferentes instrumentos.

Segundo ele, os caminhos podem ser tributários, creditícios ou regulatórios.

“ Se vai ser na linha do subsídio, do apoio, nós veremos nos próximos dias, mas certamente o governo vai ter um olhar muito atento para isso”, afirmou.

A justificativa é estratégica. Para o governo, ampliar a produção doméstica de fertilizantes está diretamente relacionado à segurança alimentar, uma das prioridades da administração federal.

DO MINÉRIO À TECNOLOGIA

A passagem de Guerra pela Exposibram também reforçou uma percepção defendida pelo governo: não basta ter reservas , mas construir uma cadeia que envolva também equipamentos, tecnologia e empregos de maior qualificação.

Após visitar a Exposibram pela primeira vez, Guerra disse ter ficado impressionado com o tamanho e o grau de desenvolvimento tecnológico da indústria mineral brasileira.

“ Fiquei impressionado com a quantidade de expositores, com a sofisticação dos empresários e como o Brasil tem potencial para não só atuar na exploração, mas inclusive para gerar tecnologia, produzir máquinas e gerar empregos de alta qualidade.”

E encerrou com uma projeção:

“ Estou muito otimista e tenho certeza de que a nossa mineração vai se reposicionar de maneira ainda mais estratégica nos próximos anos.”

A mensagem levada pelo governo à Exposibram indica, portanto, uma ambição que vai além de ampliar a produção mineral, mas de agregação de valor.

Em um mundo no qual terras raras, lítio, grafite, cobre e outros minerais passaram de commodities industriais a instrumentos de poder econômico e geopolítico, o governo quer usar a diversidade geológica brasileira para ampliar parcerias sem ficar preso à disputa entre blocos.

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