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O novo Ideb e a escola pós-pandemia: aprender exige muito mais do que ensinar conteúdos, se retrata na Sigma Educação
Por SAFTEC DIGITAL

O novo Ideb e a escola pós-pandemia: aprender exige muito mais do que ensinar conteúdos, se retrata na Sigma Educação

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 26 de agosto de 2026

A melhora dos indicadores educacionais reacende o debate sobre desenvolvimento integral, aprendizagem e os desafios da escola após a pandemia.

Seis anos depois do início da pandemia de Covid-19, a educação brasileira recebe uma notícia que precisa ser analisada para além dos rankings, como se informa pela empresa referência em inovação educacional, a Sigma Educação. Os resultados do Ideb 2025, divulgados pelo Ministério da Educação e pelo Inep em agosto de 2026, mostram avanços importantes nas três etapas avaliadas e revelam um país que começa a consolidar a recomposição das aprendizagens profundamente afetadas pela maior ruptura educacional das últimas décadas.

Considerando conjuntamente as redes públicas e privadas, o Ideb dos anos iniciais do ensino fundamental passou de 6,0, em 2023, para 6,3, em 2025. Nos anos finais, avançou de 5,0 para 5,3 e, no ensino médio, de 4,3 para 4,5. Há um dado ainda mais significativo: nos anos iniciais, 1.097 municípios apresentavam Ideb abaixo de 4,9 em 2023. Em 2025, são 442. Em apenas um ciclo de avaliação, 655 municípios deixaram esse grupo, uma redução de aproximadamente 60%.

Uma geração marcada pela interrupção da escola

Para compreender a dimensão desses resultados, precisamos voltar a 2020. A pandemia fechou escolas, interrompeu rotinas, afastou crianças de professores e colegas e obrigou redes de ensino a substituir emergencialmente a experiência presencial por diferentes estratégias de ensino remoto e híbrido.

Os efeitos apareceram rapidamente. Dados do Inep mostram que, em 2019, 60,3% dos estudantes, ao final do 2º ano do ensino fundamental, estavam alfabetizados em Língua Portuguesa, segundo o critério utilizado no Saeb. Em 2021, eram 43,6%. Uma queda de 16,7 pontos percentuais.

Não perdemos apenas conteúdos. Perdemos convivência, rotina, vínculos, experiências coletivas e parte importante da relação cotidiana entre professor e aluno. A pandemia tornou visível algo que talvez a educação tradicional tenha demorado a reconhecer: uma criança não aprende apenas porque alguém lhe apresenta um conteúdo. Para aprender, ela precisa estar presente, vinculada, emocionalmente disponível, motivada e inserida em um ambiente que favoreça seu desenvolvimento.

Por isso, os resultados atuais merecem uma reflexão maior. Se houve uma perda extraordinária de aprendizagem durante o afastamento da escola e, posteriormente, uma recuperação significativa, precisamos investigar não apenas quanto os estudantes aprenderam, mas quais condições permitiram que voltassem a aprender.

Aprendizagem e habilidades socioemocionais não são mundos separados

É importante estabelecer uma diferença científica. O Ideb não mede habilidades socioemocionais e seus resultados não permitem afirmar que o desenvolvimento dessas competências foi responsável pelo crescimento observado. O indicador combina desempenho dos estudantes em Língua Portuguesa e Matemática com informações sobre aprovação escolar. Seria incorreto atribuir sua evolução a um único fator.

Entretanto, existe um conjunto consistente de pesquisas mostrando que aprendizagem acadêmica e desenvolvimento socioemocional estão relacionados. Uma ampla meta-análise envolvendo 213 programas escolares e mais de 270 mil estudantes encontrou melhora em habilidades socioemocionais, atitudes, comportamentos e desempenho acadêmico entre os participantes das intervenções analisadas. O efeito observado correspondeu, em média, a uma melhora equivalente a 11 pontos percentis no desempenho acadêmico em comparação aos estudantes dos grupos de controle.

Uma meta-análise publicada em 2023 ampliou essa dimensão: foram analisados 424 estudos, realizados em 53 países, envolvendo mais de 575 mil estudantes. Os resultados indicaram efeitos positivos de intervenções socioemocionais sobre habilidades, atitudes, comportamentos, relações entre pares, clima e segurança escolar, funcionamento escolar e desempenho acadêmico, embora os próprios pesquisadores ressaltem que contexto e qualidade da implementação interferem nos resultados.

Assim como se acredita pela perspectiva da Sigma Educação, isso nos obriga a superar uma falsa escolha. Desenvolver habilidades socioemocionais não significa ensinar menos Português, Matemática ou Ciências. Significa criar melhores condições para que a criança consiga aprender Português, Matemática, Ciências e todo o restante do currículo.

Persistência, responsabilidade, autocontrole, empatia, capacidade de enfrentar frustrações, cooperação, autonomia e motivação não competem com o conhecimento acadêmico. Elas participam das condições que sustentam a aprendizagem.

A criança mudou. A escola precisa mudar também

A escola de 2026 recebe uma criança diferente daquela para a qual grande parte de sua arquitetura pedagógica foi concebida. É uma geração que cresceu cercada por telas, redes sociais, inteligência artificial, estímulos constantes e uma quantidade de informação sem precedentes. Parte dela também atravessou, em um período decisivo do desenvolvimento, isolamento social e ruptura das rotinas escolares.

Diante dessa realidade, uma escola baseada predominantemente na transmissão de conteúdo, na passividade do estudante e na avaliação como finalidade encontra limites cada vez mais evidentes. Isso não significa abandonar conhecimento, disciplina, currículo ou avaliação. Significa compreender que eles já não são suficientes quando tratados isoladamente.

A própria Base Nacional Comum Curricular reconhece essa necessidade ao incorporar competências relacionadas a autoconhecimento, autocuidado, empatia, cooperação, responsabilidade, cidadania, autonomia, resiliência e determinação.

Educação integral, portanto, não significa simplesmente aumentar o número de horas que uma criança permanece na escola. Significa enxergá-la em suas dimensões cognitiva, emocional, social, cultural e física. Uma escola pode manter um estudante durante nove horas dentro de seus muros e continuar oferecendo uma educação fragmentada. Tempo importa, mas aquilo que fazemos com esse tempo importa ainda mais.

A próxima década precisa ser construída com evidências

O Ideb 2025 chega em um momento especialmente importante para o planejamento educacional brasileiro. Municípios e redes precisam pensar seus próximos anos não como uma repetição automática do que fizeram no passado, mas como uma oportunidade de reconstruir políticas educacionais a partir daquilo que efetivamente produz resultados.

Isso significa perguntar quais práticas melhoram a alfabetização, quais reduzem desigualdades, quais fortalecem a permanência escolar, quais apoiam professores, quais melhoram o clima escolar, quais previnem bullying e violência e quais favorecem o desenvolvimento socioemocional. E significa, principalmente, medir resultados.

Não precisamos importar modelos simplesmente porque funcionaram em outros países, nem rejeitá-los porque foram desenvolvidos fora do Brasil. Da mesma maneira, precisamos identificar experiências brasileiras bem-sucedidas, estudá-las e verificar em quais contextos podem ser replicadas. O critério deve ser a evidência.

Os números recentes mostram que o Brasil possui capacidade de recuperação. Sair de 1.097 para 442 municípios abaixo de 4,9 nos anos iniciais em apenas um ciclo de avaliação é um resultado que merece reconhecimento. Mas talvez o maior erro que possamos cometer seja interpretar essa recuperação como autorização para simplesmente retornar à escola que existia antes da pandemia.

A escola que precisamos construir

A pandemia mostrou de maneira dolorosa a importância da escola como espaço de aprendizagem, convivência e desenvolvimento. A recuperação posterior revelou a capacidade de professores, gestores, famílias e estudantes de reconstruírem trajetórias interrompidas. E as evidências científicas vêm reforçando que cognição, emoção, comportamento, relações sociais e ambiente escolar interagem no processo de aprender.

Segundo o que se demonstra na trajetória e missão da Sigma Educação, a escola do futuro não precisa ensinar menos conteúdo. Precisa compreender mais sobre quem aprende. Precisa compreender desenvolvimento infantil, relações humanas, diferenças individuais, formação docente, impacto das emoções, pertencimento, tecnologia e as condições necessárias para transformar informação em conhecimento.

O Ideb 2025 nos mostra que o Brasil é capaz de avançar. A pergunta para a próxima década, portanto, não deve ser como retornar à escola que tínhamos antes de 2020. A pergunta precisa ser mais ambiciosa: “Que escola precisamos construir para a criança que chegou a 2026?”

Se respondermos a essa questão com ciência, evidências, inovação, formação docente e compromisso com o desenvolvimento integral, talvez uma das maiores lições deixadas pela pandemia seja finalmente compreender que não existe educação de qualidade sem aprendizagem, mas também não existe aprendizagem consistente sem olhar para quem aprende.

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