Inteligência artificial pode prever conflitos judiciais antes de virarem processos, segundo o advogado Gilmar Stelo
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 25 de agosto de 2026
Ferramentas de análise de dados jurídicos permitem identificar padrões de litigância e agir antes que uma disputa avance para o Judiciário, explica o fundador do Stelo Advogados.
A inteligência artificial já ultrapassou o campo da automação de tarefas e passou a ser utilizada para analisar grandes volumes de informações jurídicas. No Judiciário, ferramentas tecnológicas conseguem identificar processos semelhantes, padrões de litigância e comportamentos que dificilmente seriam percebidos por análises isoladas. Essa evolução abre uma possibilidade relevante para empresas e instituições: identificar sinais de conflitos antes que eles se transformem em novas ações judiciais.
O que significa prever um conflito judicial?
Prever um conflito não significa afirmar que determinada pessoa ou empresa necessariamente ingressará com uma ação. A proposta está relacionada à identificação de padrões que costumam anteceder determinados tipos de disputa. Reclamações recorrentes, contratos semelhantes, problemas repetidos em uma operação ou concentração de processos podem revelar situações com maior potencial de judicialização.
A inteligência artificial consegue trabalhar com grandes volumes de dados e comparar informações em uma escala difícil de alcançar por meio de análises exclusivamente manuais. Ao encontrar características que aparecem repetidamente em processos, o sistema pode indicar pontos que merecem investigação mais detalhada por profissionais do Direito.
Gilmar Stelo, advogado e fundador do Stelo Advogados, explica que essa possibilidade amplia o espaço para uma atuação jurídica preventiva. A identificação antecipada de padrões não substitui a análise profissional, mas pode oferecer informações adicionais para compreender onde determinados conflitos estão se formando e quais situações merecem atenção antes de chegar aos tribunais.
Como a tecnologia encontra padrões de litigância?
A capacidade de identificar tendências depende da análise conjunta de informações que, individualmente, podem parecer pouco relevantes. Quando milhares ou milhões de processos são observados simultaneamente, características semelhantes podem revelar comportamentos repetitivos, demandas concentradas e formas recorrentes de judicialização.
Essa aplicação já ganhou espaço no Judiciário brasileiro. Ferramentas desenvolvidas pelo Conselho Nacional de Justiça utilizam inteligência artificial para identificar demandas repetitivas e possíveis situações de litigância abusiva. A tecnologia, nesse caso, funciona como um instrumento de observação capaz de encontrar relações que poderiam passar despercebidas quando cada processo é analisado separadamente.
A IA consegue antecipar a judicialização?
A previsão jurídica dificilmente funcionará como uma resposta binária sobre determinado conflito. O potencial está em estabelecer níveis de atenção. Uma empresa que percebe crescimento de reclamações relacionadas ao mesmo procedimento, por exemplo, pode investigar a origem do problema antes que a quantidade de casos aumente e produza uma nova onda de processos. Esse acompanhamento permite identificar situações que merecem análise prioritária e direcionar recursos para pontos considerados mais sensíveis. Com isso, a tecnologia pode contribuir para uma atuação preventiva, sem substituir a avaliação necessária sobre cada circunstância.
O Doutor Gilmar Stelo destaca que esse tipo de análise pode ser especialmente relevante em operações com grande quantidade de clientes, contratos ou relações comerciais semelhantes. Quanto maior o volume de situações repetidas, maior tende a ser a quantidade de informações disponíveis para identificar padrões. A tecnologia pode ajudar a organizar esse material e indicar onde uma análise jurídica mais aprofundada deve começar. A leitura estruturada dos dados também pode facilitar a identificação de mudanças de comportamento, recorrências e situações que anteriormente poderiam permanecer dispersas entre diferentes registros.
A previsão, portanto, funciona melhor como apoio à tomada de decisão. O sistema identifica uma tendência, enquanto o profissional avalia as circunstâncias que podem confirmar, afastar ou modificar aquela indicação. Essa divisão evita que uma probabilidade estatística seja tratada como certeza jurídica e preserva a necessidade de interpretação individual de cada situação. A atuação humana continua essencial para compreender aspectos que não podem ser reduzidos a padrões de dados, especialmente quando existem elementos específicos capazes de alterar a avaliação de um conflito.
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