Flacidez facial pós-canetas emagrecedoras: o que fazer quando o caso não justifica uma cirurgia plástica?
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 21 de agosto de 2026
Entre os cuidados diários e os tratamentos estéticos, o que realmente tem eficácia para flacidez de leve a moderada?
O avanço dos análogos de GLP-1, chamados popularmente de “canetas emagrecedoras”, trouxe um novo fenômeno aos consultórios dermatológicos: o aumento expressivo na procura por tratamentos voltados à flacidez facial após perdas rápidas de peso, principalmente em pacientes que não querem ou não têm indicação para cirurgia plástica. “Quando alguém perde muito peso em pouco tempo, o rosto perde os ‘coxins’ de gordura profunda, que funcionam como pilares de sustentação da face. Sem essa base, a pele sobra”, explica a dermatologista Dra. Glauce Eiko, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). “Além disso, o estiramento prévio da pele e o processo rápido de emagrecimento podem comprometer a qualidade das fibras de colágeno e elastina, deixando o tecido com aspecto murcho, desidratado e menos elástico. Quando o paciente não tem indicação ou não quer realizar a cirurgia plástica, existem tecnologias e injetáveis que podem ajudar nos consultórios, em associação aos cuidados diários com dermocosméticos”, acrescenta o Dr. Abdo Salomão Jr., membro da SBD. Mas o mais importante é que esse tratamento seja iniciado o quanto antes. “Hoje, entendemos que o Mounjaro pode agir em receptores hormonais da pele, diminuindo ou dificultando a produção de colágeno. E por isso as peles têm apresentado um grau de flacidez superior ao observado nos emagrecimentos que ocorriam anteriormente, sem o uso dos análogos de GLP-1. Por isso, quanto antes iniciarmos os tratamentos, melhor o resultado”, explica a dermatologista Dra. Flávia Brasileiro, membro da SBD.
A dermatologista Dra. Sylvia Ypiranga, diretora da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional São Paulo (SBD-RESP), explica que a velocidade da perda de peso interfere na flacidez. “Quanto mais rápida a perda de peso, mais rápida é a perda volumétrica e consumo de colágeno e elastina, com menor tempo para recuperação natural. A idade pode interferir, pois em pacientes que já iniciaram um processo de envelhecimento, a perda de peso pode intensificar os sinais”, diz a diretora. Segundo a SBD-RESP, não há evidências sobre fatores genéticos envolvidos. “Quanto à qualidade prévia da pele, se considerarmos procedimentos realizados previamente, que induzem a produção de colágeno, o efeito dos análogos de GLP-1 e GIP podem ser menos evidentes”, completa a Dra. Sylvia.
Dentre os procedimentos, o dermatologista Dr. Abdo ressalta que Atria II pode ajudar, justamente por unir tecnologias como ultrassom microfocado, radiofrequência monopolar e campo eletromagnético na mesma ponteira. “O Atria II entrega pontos de coagulação que ajudam na formação do colágeno por meio do ultrassom microfocado. A radiofrequência bipolar atua superficialmente, o ultrassom trabalha as camadas médias e profundas e o campo eletromagnético vai trabalhar a musculatura. Isso traz um resultado impactante para a flacidez”, diz o Dr. Abdo Salomão. “O procedimento pode ser associado com toxina botulínica, bioestimuladores e preenchedores”, acrescenta. “Tecnologias capazes de aumentar a densidade da pele, como o Xerf, são interessantes. Xerf é uma tecnologia de radiofrequência de segunda geração e que age na superfície e na profundidade dos ligamentos. Também, as novas gerações de ultrassom microfocado, como o Linear Z, que tem a capacidade de estimular células-tronco de gordura e melhorar o suporte de gordura da pele, além de o laser Fotona, que age nos ligamentos e na firmeza. E entre os injetáveis, os bioestimuladores de colágeno são os escolhidos para melhorar a firmeza e o volume perdido com o uso de Mounjaro e Ozempic”, diz a Dra. Flávia Brasileiro.
Com relação às linhas e sulcos, que também aparecem com a repetição de expressões faciais e com a perda natural de colágeno e elastina, as proteínas que sustentam a pele, tratamentos combinados podem ajudar. “As depressões que se formam na pele prejudicam a reflectância da luz, o que compromete a luminosidade da pele. Nesse caso, o uso do biorremodelador Profhilo regenera a qualidade da pele de forma difusa e pode ser usado em associação ao Sofiderm Fine Lines e Derm, para preencher sulcos e linhas específicas; a aplicação tópica de Bella Dama Revital estimula a síntese de colágeno; e, por fim, o laser Zye reforça esse estímulo pela via térmica”, destaca o médico Dr. Victor Secomandi, com pós-graduação em Dermatologia.
Segundo a Dra. Glauce, embora esses procedimentos ainda sejam considerados os recursos mais efetivos para casos mais intensos, os dermocosméticos passaram a ocupar um espaço importante na rotina de cuidados diários. “Os cremes não substituem os procedimentos injetáveis ou cirúrgicos, pois atuam principalmente na epiderme e na derme superficial. Mas eles funcionam como verdadeiros arquitetos da superfície da pele”, afirma a médica. Entre os benefícios possíveis, ela destaca melhora da barreira cutânea, redução da perda de água, estímulo superficial dos fibroblastos para produção de colágeno e elastina, além de ação antiglicação, protegendo as fibras já existentes contra rigidez e quebra. “Podemos falar em efeito ‘solo e semente’: o Sculptra (ácido polilático) ou o Radiesse (hidroxiapatita de cálcio) são as sementes que estimulam o colágeno na derme; o dermocosmético é o fertilizante que prepara a derme superficial”, completa a Dra. Glauce. Entre os lançamentos do mercado, há dermocosméticos com atuação específica para combater o ‘derretimento facial’ provocado pelas canetas, como o PDRN DNA Concentrate, da Ada Tina. Segundo o farmacêutico Dr. Maurizio Pupo, especialista em cosmetologia e CEO da marca, o produto conta com PDRN vegano que vai além da superfície da pele graças a uma tecnologia exclusiva que age como um verdadeiro adesivo biológico, reforçando a união entre derme e epiderme. “Assim, o sérum é capaz de combater o fenômeno conhecido como derretimento facial ou ‘Ozempic Face’, causado pela perda de sustentação da pele após emagrecimento rápido ou envelhecimento”, acrescenta o Dr. Maurizio.
Para a qualidade da pele, produtos com ácidos como glicólico e salicílico ajudam. É o caso do sérum Facial Sleep Essentials, da BURB, que atua no controle da oleosidade e no fortalecimento da barreira cutânea, auxiliando na redução da vermelhidão e na melhora da textura da pele, por contar com o ácido glicólico e ácido salicílico. “A melhora da pele é obtida principalmente com tecnologias como o laser Fotona e o laser fracionado de CO₂, que estimulam a produção de colágeno, melhoram a textura, a firmeza e a qualidade da pele. Também contamos com produtos que restauram a função da pele e promovem hidratação profunda, como o Profhilo, um tipo de ácido hialurônico voltado para bioestimulação e hidratação, e o NCTF, uma combinação de ácido hialurônico com mais 59 substâncias bioativas que ajudam a restabelecer a saúde e a qualidade da pele”, diz a Dra. Flávia Brasileiro. No caso dos poros, o médico Dr. Victor Secomandi explica que o tratamento também é feito com laser Zye, que ajuda a afinar a aparência dos poros como parte do gerenciamento geral da textura da pele.
Outra opção é a hidrodermoabrasão do Hydrafacial, recomendada para tratar a secura da pele. “O Hydrafacial promove melhora instantânea da qualidade da pele graças à patenteada tecnologia Vortex-Fusion®️ presente nas ponteiras, que possui um design espiral exclusivo capaz de gerar um efeito de vórtice que, combinado à tecnologia de sucção a vácuo do equipamento, consegue expelir e remover facilmente as impurezas da pele enquanto fornece soluções hidratantes”, destaca a dermatologista Dra. Flávia.
Outro ponto considerado essencial é a fotoproteção. “A radiação ultravioleta acelera a degradação do colágeno e da elastina. O uso diário de protetor solar ajuda a reduzir perdas adicionais de firmeza”, destaca a dermatologista Dra. Glauce.
E se a flacidez for intensa?
Segundo a Dra. Sylvia, se a flacidez e a perda de volume forem muito intensas, tratamentos não cirúrgicos podem não atingir as expectativas. “É importante que essa decisão envolva o médico e o paciente”, comenta a Dra. Sylvia. “Temos visto pacientes jovens que estão emagrecendo muito com as canetas emagrecedoras. A perda de gordura na face confere ar mais envelhecido. Podemos resolver com enxerto de gordura, uma plicatura leve ou em alguns casos o próprio deep plane facelift, uma técnica em que descolamos planos profundos liberando ligamentos, que seguram o tecido mais flácido, e reposicionamos todos os tecidos. O descolamento da pele é menor, o que deixa a recuperação mais rápida”, destaca a Dra. Beatriz Lassance, cirurgiã plástica membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). Mas a médica ressalta: “Hoje, o lifting é parte de um plano de rejuvenescimento contínuo, não um evento isolado. Hábitos saudáveis, controle da qualidade cutânea com skincare adequado e uso de tecnologias e proteção solar também são fundamentais”, diz a Dra. Beatriz Lassance.
Outro termo que tem feito sucesso é “deep neck lift”, voltado para cirurgias para a correção da flacidez no pescoço. “O Deep Neck Lift, como é chamado o procedimento, estende o conceito do deep plane para o pescoço, tratando todas as camadas do pescoço, desde as mais superficiais até as mais profundas”, diz o Dr. Marcelo Rudy, cirurgião plástico membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Ele explica que, antes o pescoço não era tratado de maneira direta. “Ele era ‘esticado’ por uma tração lateral da pele a partir das incisões do facelifting nas laterais do rosto, o que conferia resultados pouco naturais. Mas agora, como podemos tratar de maneira isolada, incluindo pele, músculos, gordura acima dos músculos e glândula submandibular, conseguimos um efeito muito melhor”, destaca o cirurgião plástico, ressaltando ainda que o Deep Neck Lift pode ser combinado ao lifting da face no mesmo procedimento. “Essa é uma combinação muito frequente para conquistar um rejuvenescimento global, pois o pescoço é um grande delator do procedimento”, finaliza o Dr. Marcelo Rudy.