Tribunais avançam na adoção de tecnologia, avalia Valdemir Ferreira Santos
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 12 de agosto de 2026
Sistemas eletrônicos, inteligência artificial e novas ferramentas de gestão processual redesenham a rotina de trabalho no Judiciário brasileiro.
A transformação digital deixou de ser uma tendência distante para se tornar parte concreta da rotina dos tribunais brasileiros. Processos eletrônicos, sistemas de triagem automatizada e ferramentas de análise de dados já integram o cotidiano de boa parte do Judiciário, alterando desde o trâmite processual até a forma como decisões são fundamentadas, organizadas e comunicadas às partes envolvidas.
Para o juiz de direito Valdemir Ferreira Santos, essa mudança representa um dos capítulos mais relevantes da magistratura nos últimos anos. Segundo ele, a incorporação de novas tecnologias não substitui o papel técnico do magistrado, mas amplia a capacidade de lidar com o volume crescente de processos que chegam aos tribunais brasileiros todos os anos.
O avanço do processo eletrônico e seus efeitos práticos
A digitalização do trâmite processual foi um dos primeiros passos concretos da transformação tecnológica no Judiciário. Sistemas eletrônicos substituíram grande parte do fluxo em papel, reduzindo etapas burocráticas e permitindo acompanhamento mais ágil por parte de todos os envolvidos em um processo.
Essa mudança, avalia o magistrado, trouxe ganhos evidentes de eficiência, embora tenha exigido adaptação por parte de profissionais acostumados a rotinas mais tradicionais. A curva de aprendizado, segundo ele, foi compensada pela agilidade conquistada na tramitação de processos que antes dependiam de deslocamentos físicos e arquivos em papel.
Outro efeito relevante dessa digitalização foi a redução de custos operacionais relacionados ao armazenamento e à movimentação de documentos físicos. Cartórios judiciais e secretarias de vara passaram a lidar com volumes menores de papel, o que também contribuiu para reorganizar rotinas internas de trabalho ao longo dos últimos anos.
Inteligência artificial aplicada à rotina dos tribunais
Ferramentas de inteligência artificial começam a ocupar espaço crescente na triagem processual e no mapeamento de jurisprudência. Essas soluções auxiliam na organização de processos repetitivos, identificando padrões que ajudam a acelerar etapas consideradas menos complexas dentro do trâmite judicial.
Valdemir Ferreira Santos pondera que essas ferramentas ainda estão em fase de amadurecimento dentro do Judiciário brasileiro. Ainda assim, ele reconhece o potencial de reduzir gargalos em tarefas administrativas, liberando tempo para que magistrados se dediquem à análise mais aprofundada de casos que exigem maior complexidade interpretativa.
Desafios da capacitação técnica na magistratura
A adoção de novas tecnologias exige, além de investimento em infraestrutura, um esforço contínuo de capacitação por parte de magistrados e servidores. Nem todos os profissionais chegam a essa transição com o mesmo nível de familiaridade com ferramentas digitais.
O especialista contextualiza que essa desigualdade tende a diminuir com o tempo, à medida que cursos de atualização e programas de formação continuada se tornam parte mais recorrente da rotina da magistratura. Diante disso, a capacitação técnica passa a ocupar um espaço tão relevante quanto o próprio conhecimento jurídico na formação de um magistrado atualizado.
Escolas judiciais e tribunais de diferentes estados têm investido em programas voltados especificamente para o letramento digital de magistrados e servidores. Essas iniciativas incluem desde treinamentos básicos sobre novas plataformas até discussões mais aprofundadas sobre o uso ético de inteligência artificial no contexto processual.
Acesso à justiça em um cenário mais digital
Um dos efeitos menos discutidos da transformação digital é o impacto sobre o acesso à justiça. Audiências virtuais e sistemas de acompanhamento processual online ampliaram, em certa medida, a possibilidade de acompanhar um processo sem a necessidade de deslocamento físico até o fórum.
Segundo Valdemir Ferreira Santos, essa mudança beneficia especialmente pessoas que residem em regiões mais distantes das sedes de tribunais. Por outro lado, ele reconhece que ainda existem desafios relacionados ao acesso à internet e a dispositivos digitais em determinadas regiões do país, o que exige atenção contínua por parte do Judiciário.
O futuro da transformação digital no Judiciário
A trajetória recente do Judiciário brasileiro indica que a transformação digital seguirá avançando nos próximos anos, impulsionada tanto pela necessidade de eficiência quanto pela pressão por respostas mais rápidas à sociedade. Novas ferramentas tecnológicas devem continuar sendo incorporadas de forma gradual à rotina dos tribunais.
Esse processo de modernização, no entanto, dificilmente substituirá por completo elementos essenciais da atuação humana na magistratura, como a interpretação de contextos específicos e a ponderação entre princípios jurídicos muitas vezes conflitantes. A tendência é que tecnologia e trabalho técnico caminhem lado a lado, cada um cumprindo funções complementares dentro do processo judicial.
Para magistrados como Valdemir Ferreira Santos, o desafio segue sendo equilibrar inovação tecnológica com o rigor técnico que sustenta a atuação da magistratura. Combinar essas duas frentes tende a definir o perfil dos profissionais mais preparados para os próximos ciclos de transformação no Judiciário brasileiro.
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