“É uma grande responsabilidade julgar o trabalho de uma vida em dias, horas ou minutos”
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 7 de agosto de 2026
Lucyana Queiroz é uma das responsáveis por avaliar os animais dos principais criadores da raça Nelore que disputam a competição na EXPO Rio Preto
Diferentemente de determinados eventos esportivos, em que atletas e torcedores vivenciam um clima de rivalidade, gritaria e tensão, a arena de julgamento do gado na 63ª EXPO Rio Preto chama a atenção, principalmente, daqueles que vivenciam essa experiência pela primeira vez. Aos poucos, o ambiente receptivo, calmo e rodeado de cordialidade revela a importância do trabalho sério ali realizado.
Debaixo de uma tenda para se proteger do sol e de qualquer tentativa de interferência externa, Lucyana Queiroz levanta de sua cadeira e caminha tranquilamente até o centro da arena. Concentrada e com um olhar atento, observa cada detalhe de forma minuciosa e técnica. Fala poucas palavras ao assistente e, na sequência, volta em silêncio para a mesa.
Do outro lado, separados pela cerca da área de julgamento, criadores, gestores e especialistas do mundo agro acompanham o evento em um espaço agradável, confortável e com uma boa estrutura para proteger todos do sol forte. Sobre as mesas, os vencedores deixam suas conquistas expostas. Mas, apesar do clima competitivo, prevalecem a cordialidade, a amizade e as boas conversas.

Enquanto isso, Lucyana só tem tempo de pegar o microfone sobre a mesa e, sozinha, retornar ao centro da arena, onde as “estrelas” do evento estão posicionadas lado a lado. Ela olha mais uma vez para os competidores e anuncia o nome do vencedor. O tratador comemora, enquanto a especialista fala ao microfone as suas considerações técnicas e objetivas, apresentando os detalhes sobre a sua decisão. A cada prova, o mesmo ritual se repete com os demais julgadores. Quem vence, estampa um sorriso no rosto. Quem perde não questiona nem discute. Ao contrário, utiliza as informações para o aprendizado.
Apesar do clima amigável, não duvide da relevância do evento. Nesta edição, a EXPO Rio Preto recebe a Competição do Ranking Nelore Ouro, um dos principais circuitos nacionais da raça. Os participantes, aliás, destacaram que a feira é a maior do Brasil em número de animais exatamente por sua representatividade e grandiosidade.
Na ocasião, os animais avaliados estavam divididos em três grupos de Nelore com características distintas: Mocho, Tradicional e Pelagens, que são as variedades que apresentam coloração diferenciada, como os malhados, por exemplo.
Cada categoria possui um julgador, que permanece em um espaço exclusivo e reservado, distante dos demais avaliadores e sem contato com eles. Nesse grupo, Lucyana foi a responsável pelo julgamento do Nelore Pelagens.
A importância do aprimoramento genético
Muito mais do que fatores estéticos, o que está em disputa na “pista quente” da EXPO Rio Preto é o aprimoramento genético da raça, um trabalho importante desenvolvido há muitos anos por criadores e tratadores. Afinal, é esse cuidado diário e constante que transformou a pecuária brasileira em referência mundial.
Por isso, a função do julgador exige muito conhecimento técnico, aprimoramento constante e seriedade. “É uma responsabilidade muito grande avaliar em horas, dias e minutos o trabalho de uma vida inteira. Então, o primeiro ponto é o respeito por cada um dos criadores que trouxeram os animais para serem avaliados”, destaca Lucyana.
Segunda geração de criadores, ela fala com orgulho que “nasceu e cresceu” no meio do Nelore. “Meu pai começou e hoje a família dá continuidade ao trabalho”. O amor pela criação levou Lucyana a se formar em Zootecnia. “Na época, a faculdade possuía uma parceria muito interessante com a ABCZ (Associação Brasileira de Criadores de Zebu)”. De lá para cá, ela se especializou na avaliação de animais de alto nível.
“Avaliamos todos os pontos do animal, desde a base de sustentação, aprumos, caracterização racial, capacidade cardiorrespiratória e digestiva, amplitude de garupa, preenchimento de musculatura, boca, chanfro, pigmentação”, explica.
Em meio a tudo isso, Lucyana explica que a beleza avaliada na competição não é a estética, mas a funcional. “Buscamos identificar aquele animal que vai ser o melhorador da raça em nível mundial. Eu carrego o caranguejo da ABCZ no peito não é à toa. A associação é uma referência mundial nas raças zebuínas”, diz.
Portanto, a especialista define a avaliação visual como mais uma ferramenta para o melhoramento genético da raça, com a criação de animais funcionais que se adaptam bem ao nosso clima e com um aprimoramento contínuo a cada nova geração.
Todo esse respeito, dedicação, amor e cuidado com o aprimoramento genético se traduz no cenário de respeito e amizade que envolve as disputas que acontecem na EXPO Rio Preto, feira que se consagra entre as principais do agronegócio brasileiro.
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