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Agronegócio pode liderar geração de créditos de carbono mesmo fora do mercado regulado, aponta Felipe Schroeder dos Anjos
Por SAFTEC DIGITAL

Agronegócio pode liderar geração de créditos de carbono mesmo fora do mercado regulado, aponta Felipe Schroeder dos Anjos

AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 31 de julho de 2026

Produção primária ficou de fora do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões, mas reflorestamento, manejo de resíduos e práticas regenerativas abrem caminho para receita adicional no campo.

O desenho do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa deixou a produção agropecuária primária fora do grupo de setores regulados. Na prática, isso significa que o produtor rural não terá teto de emissão nem obrigação direta de compra de permissões, ao menos nesta fase do mercado de carbono. Mas, para o engenheiro ambiental Felipe Schroeder dos Anjos, essa ausência de obrigação não deve ser lida como afastamento do jogo: o agronegócio tem, segundo ele, uma das posições mais estratégicas dentro do novo sistema.

“O agro está fora da régua de quem precisa comprar crédito de carbono, mas está dentro da régua de quem pode vender”, resume o engenheiro. Para ele, essa distinção é o que torna o momento atual particularmente favorável ao setor, desde que produtores e cooperativas se organizem para captar o valor que a regulamentação começa a criar.

Créditos de carbono como nova fonte de receita para o campo

Iniciativas como reflorestamento de áreas degradadas, captura de metano em resíduos orgânicos e adoção de práticas agrícolas regenerativas figuram entre os caminhos mais viáveis para geração de créditos dentro do novo arcabouço. Cada uma dessas frentes converte um passivo ambiental em ativo negociável, com potencial de valorização à medida que o mercado regulado ganha liquidez.

Felipe Schroeder dos Anjos explica que a diferença entre captar esse valor ou deixá-lo passar está na estruturação técnica do projeto: “Não basta reflorestar ou tratar resíduos. É preciso mensurar, documentar e certificar essas ações dentro de metodologias reconhecidas, senão o esforço ambiental não vira ativo financeiro.”

Segurança jurídica ainda é o principal entrave

Apesar do potencial, o setor produtivo tem cobrado do Congresso Nacional regras mais claras sobre a regulamentação do mercado de carbono aplicada ao campo. Audiências públicas promovidas por parlamentares ligados à bancada ruralista já sinalizaram preocupação com a ausência de parâmetros definitivos, o que, segundo esses debates, afasta investimento e compromete o planejamento de longo prazo dos produtores. Para o engenheiro, essa cautela é compreensível: “Sem metodologia validada e sem previsibilidade sobre preço, o produtor não consegue calcular retorno. E projeto ambiental de créditos de carbono só atrai capital quando existe retorno mensurável.”

Trading de carbono: um capítulo novo para o comércio agropecuário

Com os ativos do mercado de carbono agora sob supervisão da Comissão de Valores Mobiliários, créditos gerados no campo passam a circular sob a lógica de valores mobiliários, aproximando o agronegócio de mecanismos até então restritos ao mercado financeiro tradicional. Isso abre espaço para operações de trading especializadas em ativos ambientais, com cooperativas e tradings agrícolas atuando como intermediárias entre produtores e compradores corporativos que precisam compensar emissões.

O engenheiro avalia que esse movimento tende a se acelerar à medida que a regulamentação infralegal for concluída, prevista para dezembro de 2026: “O agronegócio brasileiro já exporta commodity física. A tendência natural é passar a exportar também um ativo ambiental com valor reconhecido internacionalmente.”

Um mercado ainda em formação, mas com direção definida

O calendário de implementação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões prevê que o mercado regulado só opere plenamente a partir de 2030, com etapas de estruturação institucional e normativa ao longo dos próximos anos. Até lá, Felipe Schroeder dos Anjos recomenda que produtores rurais tratem a adequação ambiental como investimento de médio prazo, e não como resposta emergencial a uma exigência futura. A leitura que se consolida no setor é que o mercado de carbono, mais do que uma obrigação distante, representa uma nova linha de negócio para quem se antecipar à regulamentação plena.

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