Dalmi Fernandes Defanti Junior explica por que inovar tecnologicamente virou condição de sobrevivência no setor gráfico
AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Conteúdo de responsabilidade da empresa 21 de julho de 2026
Mudança no perfil de demanda, com pedidos menores, prazos mais curtos e maior exigência por personalização, torna a atualização tecnológica um fator decisivo entre gráficas que crescem e gráficas que perdem espaço no mercado.
Até poucos anos atrás, uma gráfica conseguia se manter competitiva basicamente com escala: quanto maior o volume de impressão, menor o custo por unidade, e essa equação sustentava boa parte do negócio. Esse modelo ainda existe, mas deixou de ser suficiente sozinho. O motivo é uma mudança real no tipo de pedido que chega às empresas do setor: menor, mais frequente e com prazo de entrega mais curto do que há uma década.
Pedidos menores e mais frequentes mudam a equação de custo do setor
A impressão offset tradicional depende de uma etapa de preparação de chapas, que só se paga financeiramente em tiragens grandes. Quando o pedido é pequeno, personalizado ou precisa ficar pronto em poucos dias, esse modelo tradicional perde competitividade diante da impressão digital, que dispensa essa preparação e permite produção sob demanda com custo por unidade mais estável, independentemente do volume solicitado pelo cliente.
Gráficas que não incorporaram capacidade digital à sua operação ficam limitadas a competir apenas pelos pedidos de grande volume, fatia do mercado que tende a se concentrar em poucas empresas de maior escala e menor margem por unidade produzida. Já as gráficas que conseguem atender tanto tiragens grandes quanto pedidos pequenos e personalizados ampliam o número de clientes que conseguem servir ao mesmo tempo, sem depender de um único perfil de demanda para sustentar toda a operação ao longo do ano.
Por que a tecnologia certa amplia o mercado atendido, não só a eficiência?
Dalmi Fernandes Defanti Junior, fundador da Gráfica Print, com sede em Cuiabá, trata a atualização tecnológica como parte permanente da gestão do negócio, e não como um investimento pontual feito uma vez e depois esquecido. Segundo ele, a diferença entre uma gráfica que segue crescendo e uma que perde espaço normalmente não está na qualidade do trabalho entregue, mas na capacidade de atender o tipo de pedido que o mercado passou a fazer.
Essa lógica também se aplica a equipamentos de acabamento e automação, que reduzem o tempo entre o recebimento do pedido e a entrega do material pronto ao cliente final. Clientes corporativos, em particular, passaram a valorizar prazo de entrega tanto quanto preço, o que penaliza operações mais lentas, mesmo quando o custo final apresentado ao cliente ainda é competitivo em relação à concorrência.
O risco real está em ficar parado, não em investir
O cenário do setor reforça essa urgência. Projeções indicam que o volume global de impressão digital deve crescer mais de 50% na próxima década, ao mesmo tempo em que a produção física do setor no Brasil ainda trabalha para recuperar o patamar registrado antes da pandemia. Nesse contexto, empresas que atrasam a atualização tecnológica correm o risco de competir por uma fatia cada vez menor do mercado, justamente a fatia baseada em grandes volumes e margens apertadas.
Para Dalmi Fernandes Defanti Junior, o verdadeiro risco financeiro de uma gráfica hoje não está no custo de investir em nova tecnologia, mas no custo, menos visível no curto prazo, de não investir enquanto concorrentes ampliam sua capacidade de atender a um mercado que já mudou de perfil de demanda. Segundo ele, esse tipo de decisão precisa ser tratada como parte contínua da estratégia da empresa, revisada a cada ano, e não como um projeto isolado, resolvido uma única vez no início da operação.
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